Éden

outr

 

 

No princípio era a inocência sem mantos

 

Na infância do anthropos o céu era um puro azul

oceânico

a criação sagrada sem fertilizantes químicos

entre animais curiosos

árvores a povoar um verde imenso

águas sem pecado a cantar baixinho

nas pedras. Depois aconteceu

uma escolha e vieram as nuvens prenhes

das águas de cima

mais o furioso ribombar dos céus

montanhas a vomitar fogo das entranhas

 

alguém matou a inocência

à traição

 

Cobriram-se os corpos belos com peles

toscas e ensanguentadas

de caminho inventaram a vergonha

a culpa

e as horas

 

as gémeas doença e dor lamberam os beiços

 

Então já ninguém parava um pouco

para ver a arquitectura duma flor única

em reverente silêncio.

 

 

José Brissos-Lino

9/2/16

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Um pensamento em “Éden”

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