Tanto barulho para nada

 

Andaram as tristes almas duns quantos a rezar a todos os santinhos europeus para chumbar o esboço do Orçamento de Estado português.

Andou a comunicação social numa histeria permanente, dias-a-fio, a dar a entender que o OE2016 iria ser reprovado pela Comissão Europeia e que vinha aí uma espécie de fim do mundo, como se estes processos não fossem normais, e como se não houvesse todos os anos críticas e pedidos de esclarecimento das instâncias europeias aos documentos análogos de governos anteriores, tanto de Portugal como de outros países da zona euro.

E para que serviu tudo isto, afinal? Só para uma coisa. O tiro saiu mais uma vez pela culatra aos Miguéis de Vasconcelos, tanto lá em Estrasburgo como cá, e toda esta chinfrineira só serviu para realçar os dotes de negociador de António Costa.

Calculo que seja difícil para a direita engolir a opinião de Manuela Ferreira Leite, que afirmou: “se há algum vencedor do braço-de-ferro entre o Governo e Bruxelas esse é António Costa”. E diz mais a antiga líder do PSD: “o Governo português deve ter querido mostrar que não se conforma com tudo”, e que por isso “em termos formais e políticos o Governo português ganhou”, uma vez que “não tendo abdicado daquelas medidas que lhe garantiam o apoio” dos partidos que formam com o PS a maioria parlamentar, o Governo “quis mostrar, em termos políticos, que também não se conformava com tudo o que lhe diziam” e conseguiu um resultado com cedências de parte a parte,” Bruxelas cedeu numas coisas e o Governo noutras”.

Acrescenta ainda que o OE: “tem o cuidado de que as contas estejam equilibradas dentro dos critérios que estão a ser seguidos por Bruxelas e isso é bom para Portugal e para a sua credibilidade externa – que não se pense que não interessam nada as contas, interessam, é necessário fazê-las -, e ao mesmo tempo não tendo abdicado das medidas que lhe garantiam o apoio dos partidos que o apoiam na Assembleia, garantindo a aprovação do orçamento”. Refere ainda que “a crispação que existe no país relativamente à proposta do Orçamento é absolutamente injustificável”, censurando a sua “dramatização”, pois a preocupação com o documento não será diferente da que existe em relação a outros países, como é o caso de Espanha, Itália e França.

De caminho o governo despachou a questão da TAP, revelando um primeiro-ministro decidido e rápido a resolver problemas.

Entretanto o presidente eleito fez constar que já convidou Eduardo Lourenço para o Conselho de Estado. Um sinal muito positivo.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 12/2/16.

 

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