Pobres crianças

 

 

O ministério da Educação quer prender crianças e adolescentes à escola o dia inteiro. Não se faz.

Talvez fosse bom repensar então qual é o objectivo da escola.

A instrução é fornecida pela escola mas a educação é dada na família. Os pais não podem esperar que sejam os professores a transmitir aos seus filhos os valores e princípios de vida saudáveis que preconizam. Não. Devem ser eles mesmos, os pais, a passar aos seus filhos uma dada filosofia de vida. Embora a escola também transmita aos alunos uma determinada visão do mundo, é aos pais que compete tal tarefa.

Ora, se a escola apenas transmite instrução, porque motivo terão as crianças que passar lá dentro o dia inteiro? Terão assim tanta matéria para aprender? Serão capazes de manter a disponibilidade mental e a emocional necessárias para absorver assim tanta informação e tanto ensino? Qualquer pessoa sabe que a assimilação de ideias e conceitos exige tempo de maturação. Não somos máquinas.

Alguns sindicatos temem que a escola se transforme numa prisão para as crianças: “Este prolongamento de horário não pode oferecer aos alunos, em cima das aulas, novas aulas. Não podemos transformar a escola numa prisão, em que os alunos, depois de um dia de atividades letivas, tenham atividades que lhes ocupam os tempos livres, mas que também são escolarizadas”. Todavia defendem que compete à escola pública criar respostas sociais que possam compensar a sobrecarga do horário de trabalho de muitos pais. E claro que os sindicatos “resolvem” a questão com a abertura de uma quantidade de vagas para novos professores.

Mas a questão é que, enquanto uns pensam na economia, outros nos interesses da sua classe profissional e outros ainda nas suas limitações de trabalho, parece que há pouco quem pense no real interesse das crianças, que não é certamente estar dentro dos muros duma escola de sol-a-sol semanas a fio.

É que a casa não pode servir só para tomar banho e dormir, tem um valor intrínseco em si mesma como espaço lúdico, comunitário e de vida. Tem uma carga identitária e emocional. O centro da vida duma criança não deve ser a escola mas sim a família. A escola confere competências formativas e sociais, mas é em casa que a criança é treinada para a vida. Em caso algum a figura do professor deve substituir a do pai ou da mãe. Em famílias estruturadas os pais dedicam-se aos filhos dum modo como nunca um professor se pode dedicar a um aluno, até porque este tem largas dezenas a seu cuidado, a quem precisa prestar atenção.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 19/2/16.

 

 

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