Asnalismo

 

Cada vez me convenço mais que há jornalistas que não passam de asnos. Já não é só uma questão de a imprensa estar quase por completo nas mãos da direita, mas é mesmo a falta de preparação e de discernimento que tais escribas revelam.
O redactor desta notícia (que não faço ideia de quem seja) escreveu esta enormidade – “missa ecuménica”, a propósito da celebração religiosa de que se fala.

Pois bem, nem é “missa” nem é “ecuménica”.

O serviço religioso que se chama missa é praticado por católicos e ortodoxos mas não o é por protestantes, evangélicos (alguém diga a esse escriba que não existe nenhuma confissão “evangelista”…), adventistas, budistas, judeus ou muçulmanos. O escriba deve querer referir-se a uma “celebração da Palavra” ou talvez nem isso. A missa implica uma dada filosofia adoptada apenas por parte da fé cristã. Logo, não se poderá tratar duma missa.

Depois, o conceito de ecumenismo é aplicável apenas no âmbito cristão.  Uma coisa é o diálogo inter-religioso, outra é o ecumenismo. O escriba deveria ter posto na notícia “celebração religiosa interconfessional”.  Ou seja, uma celebração religiosa participada por diferentes confissões.

Além disso, segundo a imprensa, o acto: “tem como objectivo chamar a atenção para a necessidade de entendimento entre religiões e culturas e apelar à busca de uma solução para o drama dos refugiados do Médio Oriente que têm fugido para a Europa. Mas também significará uma manifestação contra os ataques terroristas que têm surgido na Europa e por todo o mundo.”

Posto isto, devo dizer que a ideia do novo presidente eleito me parece feliz. Pela primeira vez temos um presidente que, apesar de católico-romano, quer ser o presidente de todos os portugueses, independentemente da sua religião. Este acto pode constituir, pelo seu simbolismo, uma afirmação inclusiva e poderosa, além de se afirmar no campo do diálogo e da tolerância.

Já quanto à ignorância atroz dos escribas, estamos conversados…

 

Actualização: Verifiquei agora que a redactora da notícia de origem, no Público, São José Almeida, escreveu correctamente, os outros órgãos é que fizeram a borrada.

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