Um país sem elites?

 

O nosso Povo tem sempre correspondido nas alturas de crise. As elites, as chamadas elites, é que quase sempre o traíram, e nós estamos a ver mais uma vez que o Povo Português foi defraudado da sua boa-fé.

(Francisco Sá Carneiro, Congresso do PSD, 1978)

 

Diz-se que Portugal tem um défice de elites, falando em especial na classe política. Talvez. Mas se assim for decerto não faltarão razões históricas para tal, desde o meio século de regime autoritário até aos quarenta anos de democracia onde medraram as malfadadas juventudes partidárias. Isto para não recuar ainda mais na nossa história.

Todavia duvido que se trate dum problema exclusivamente português. Basta olhar com atenção para a Europa, os Estados Unidos e o mundo em geral. Por exemplo, já viram bem quem manda na Rússia, em França e no Brasil? E o que dizer do fenómeno Donald Trump? Ou de Maduro, na Venezuela? Ou da liderança europeia? Ou da actual situação política em Espanha? Ou da pancadaria recorrente em plenas sessões parlamentares nalguns países asiáticos? E então em África, meu Deus… De facto, o problema das elites é muito mais universal do que se pensa.

Mas o que nos interessa acima de tudo é o nosso país.

Para mim a questão não está tanto na impreparação das elites mas sim na sua atitude predominantemente desonesta, interesseira, sectária e antissocial.

Como diz João Rodrigues “Temos de falar sobre esta elite totalmente desprovida de lealdades, de compromissos, com a imensa maioria dos que aqui vivem. Temos de falar sobre as estruturas pós-democráticas com múltiplas escalas que asseguram a sua reprodução. E, sim, temos mesmo de falar sobre Maria Luís Albuquerque.”

Assim como temos que falar “sobre multinacionais financeiras que, quais abutres, procuram lucrar de múltiplas formas com esta situação. Temos de falar sobre controlo estrangeiro do sistema financeiro, sobre as fontes do poder da finança, sobre swaps e sobre tribunais estrangeiros.”

O problema de Portugal não será a falta de elites, mas sim a sua falta de qualidade ética. Boa parte das nossas elites políticas não passam de vendidos a interesses privados, estrangeiros, não passam de vende-pátrias que não se importam de trair os interesses do país em benefício próprio e da sua trupe.

Pergunto: perante o presente escândalo dos swapes (Banco Santander), que vem carregar ainda mais as contas públicas, ninguém é capaz de denunciar os responsáveis por tais contratos ruinosos e de os sentar no banco dos réus, independentemente das pessoas e dos partidos em questão?

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 11/3/16.

 

 

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