Um partido adiado

Passos Coelho deveria ter tido a dignidade de se demitir, muito antes deste congresso e antes das directas para a liderança do PSD.

Não porque o seu partido não tenha tido mais votos na últimas legislativas, mas porque foi incapaz de formar um governo com apoio parlamentar, e por isso incapaz de granjear a indispensável legitimidade democrática. Em vez disso combateu de forma baixa quem o conseguiu.

Estamos portanto perante um partido que não foi capaz de se renovar neste congresso, nem em matéria de liderança (a ascensão da “senhora swape” a vice do partido, Maria Luís Albuquerque, é o momento mais negro de Passos), nem em matéria de propostas políticas. O que se vai continuar a ver lá é a “tralha passista”.

O estrondoso afastamento do evento de Espinho, por parte de Rui Rio, Manuela Ferreira Leite, Alberto João Jardim e Morais Sarmento, assim como as declarações de muitos outros críticos, ditaram um clima de descrença e braços caídos neste congresso, não obstante os puxa-sacos do costume e todas as habituais encenações para a televisão.

A verdade é que um partido que não sabe ser oposição não merece ser governo, e o PSD está a empatar-se a si mesmo. É um partido adiado, pois Passos Coelho ficará sempre associado ao empobrecimento do país, em nome, não da austeridade, mas duma agenda política ultraliberal que é a sua, mas que não está no ADN do partido fundado por Sá Carneiro. E já não é com slogans enganadores (“Social-democracia sempre”) que lá vai. Só acredita quem quer…

Hoje, Passos tem um presidente em Belém que não queria (chamou-lhe “catavento mediático”), e um Rui Rio à espreita do momento certo. O discurso presidencial dos afectos e de não crispação da sociedade é a pior coisa que podia acontecer ao líder do PSD, ele que não é homem de consensos – como já se viu, quando dispunha de maioria para governar – mas, por outro lado, António Costa vai provando todas as semanas que é um negociador nato e um governante que se esforça por resolver os problemas das pessoas, mantendo-se fiel aos compromissos assumidos.

E isso é o que conta, politicamente, como Ferreira Leite afirmou. Há todo um mundo de diferença entre chamar piegas a quem se queixa, ou mandar os compatriotas emigrar, e passar a mensagem de que se quer mesmo resolver os problemas, com empenho e trabalho, mesmo os herdados pela má governação alheia, ainda que correndo o risco de não conseguir.

 

 

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