Um sítio esquisito

 

 

O mundo está a tornar-se um sítio cada vez mais esquisito.

É a ferocidade do Daesh e todas as guerras que lhe estão associadas na Síria, Iraque, e Líbia, por exemplo, além das incursões terroristas na Europa.

É uma monarquia comunista enquanto aberração política na Coreia do Norte e um garoto como seu caudilho, no país mais fechado do mundo, onde se presume que persistem os maiores atentados aos direitos humanos.

É a democracia musculada na Rússia e Putin como personagem estranha, típica de romance de espionagem, mais os assassinatos de jornalistas e de políticos da oposição, além da perseguição a tudo quanto mexa com o regime.

É a guerra civil latente na Venezuela, que vive uma espécie de ditadura militar de esquerda, travestida de caricatura democrática, onde se duvida até da sanidade mental de Maduro, que diz falar com passarinhos…

É o complicado processo eleitoral americano em que um dos partidos do sistema se vê perante a iminência de vir a apresentar à Casa Branca um pobre burgesso que tem em dinheiro o que lhe falta em educação, civilidade, cultura, experiência política e informação, e que é tão medíocre que nem a família Bush o quer apoiar.

É a recente moda nas eleições europeias em que os eleitorados não conseguem eleger claramente uma força ou coligação para governar, como em Espanha.

É o Brasil, onde parece existir uma classe política corrupta, duma ponta à outra, tanto à direita como à esquerda, e onde a religião se tende a misturar com a política, num retrocesso civilizacional perigoso.

É a chamada “primavera árabe” feita em cacos.

É a crise profunda dos países que fazem do petróleo a base da sua economia, como Angola ou a Venezuela.

É a corrupção geral e a lavagem de dinheiro sujo nos off-shores, demonstradas pelos milhões de documentos que o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação trouxe à luz, e que vieram revelar como chefes de Estado, criminosos e celebridades utilizam paraísos fiscais para esconder dinheiro e património, sem escrúpulos, em prejuízo da economia dos seus países, exigindo assim um esforço tributário muito maior a famílias e empresas. Foram revelados detalhes das transacções financeiras ocultas de 140 políticos de todo o mundo, através de sociedades de advogados, empresas fiduciárias e grandes bancos, que vendem o segredo financeiro a políticos, burlões e traficantes de droga, bem como a multimilionários, celebridades e estrelas do desporto.

Que mundo é este onde morrem todos os dias milhares de crianças por subnutrição ou doenças tratáveis, enquanto se roubam famílias e empresas em nome do lucro fácil, promovendo a fome e a desregulação social?

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 27/5/16.

 

 

 

 

 

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