Jogos europeus

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Boris Jonhson, o putativo candidato à liderança do Partido Conservador na Grã-Bretanha e, portanto, candidato a primeiro-ministro, saltou fora logo depois do Brexit. Dias depois Nigel Farage demitiu-se da liderança do UKIP, após clamar vitória e depois duma campanha de mentira. Portanto, os mais acérrimos defensores da saída da Grã-Bretanha da União Europeia fogem como ratos das consequências daquilo que promoveram.

Se temos um referendo que aprovou o Brexit e um parlamento britânico que conta com cerca de dois terços dos deputados contra o Brexit, temos aqui um bloqueio democrático, pelo facto de subsistirem duas legitimidades em confronto.

Face a esta situação anómala só há um caminho. Os parlamentares deveriam demitir-se em bloco, provocando eleições legislativas intercalares, e na próxima campanha eleitoral todos os partidos deveriam dizer, preto no branco, se são contra ou a favor da saída da UE.

Democracia é isto. Os referendos podem ser um atentado à democracia, como se vê. Em especial quando a respectiva campanha é feita com base em falsidades persistentes.

A verdade é que o Reino já não está Unido. A Escócia vai querer um referendo para a independência, de modo a ficar ligada à UE, a favor de cuja pertença votou em maioria. A Irlanda do Norte vai confrontar-se com idêntico problema, e os meios urbanos (região da Grande Londres e Manchester), assim como a esmagadora maioria das gerações mais jovens, optaram pela continuidade da pertença europeia. Os intelectuais e os homens de negócios não se conformam e a rainha já anda a deitar paninhos quentes pelo reino.

Por outro lado, a saída da Grã-Bretanha soa a libertação de um espaço político sem liderança, entregue a vigaristas e criminosos.

O que se tem vindo a passar com as eventuais sanções a Portugal é de bradar aos céus. A Alemanha não cumpre os tratados, nem a França, Itália e tantos outros, mas o mexilhão é que paga.

Por duas décimas de falha nos objectivos do défice – de responsabilidade do governo de Passos, Portas e Maria Luís – ameaça a Comissão com sanções ao actual governo, cujo desempenho orçamental do corrente ano está em linha com os ditos objectivos. E estes políticos neoliberais europeus nem sequer se coíbem de dizer o que lhes vai na alma: querem forçar António Costa a fazer a política de empobrecimento que impuseram ao país durante o resgate e que falhou em toda a linha.

No fundo querem fazer vergar as economias mais fracas aos ditames duma Alemanha que por duas vezes tentou mandar no mundo pela força das armas. Novo Reich à vista?

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 8/7/16.     

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