O projecto do engenheiro no país da descrença

 

marques1 ASF Alexandre Pona
Festa no Marquês, em Lisboa. (ASF/Alexandre Pona)

 

Portugal sagrou-se ontem campeão europeu de futebol, pela primeira vez, na história da UEFA.

A seleção francesa já tinha tudo preparado para festejar o título de campeão europeu, incluindo um autocarro panorâmico, todo pintado com as cores da França e um grande “Merci!” na traseira.

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A sombra de Platini paira ainda sobre a UEFA e o seu ódio aos portugueses. É bom não esquecer que a arbitragem penalizou injustamente a nossa selecção, roubando-nos por três vezes uma grande penalidade, que poderia ter mudado a história do nosso percurso no torneio.

Cristiano Ronaldo – o jogador que podia fazer a diferença – veio para França em baixa de forma.

A fase final era jogada na França de Platini, logo, a França estaria destinada a ir à final e a vencer, com a ajuda da arbitragem, como se viu na meia-final contra a Alemanha. Os germânicos – que dominaram toda a primeira parte do desafio – viram-lhes roubado um penalti claríssimo quando o marcador ainda estava nulo.

Mas os portugueses souberam trabalhar com humildade, espírito de sacrifício e uma grande união do grupo. Depois, tiveram aquele rasgo de sorte que souberam aproveitar. Sobretudo há que realçar, como base desta grande vitória, três aspectos.

Antes de mais, a Federação Portuguesa de Futebol parece estar muito mais profissional e organizada agora, incluindo em termos estruturais, com a casa das selecções (Cidade do Futebol).

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Depois com este seleccionador, que sem os mind games de Mourinho, ou o marketing de Scolari soube sempre reagir às críticas, pressões e insultos, nunca se deixando manipular por outros interesses. Colocou em campo o Quaresma ou o Éder quando achou que devia, retirou o Renato Sanches quando entendeu. Foi um líder sereno. Podemos dizer agora que o engenheiro tinha a lição bem estudada.

Por último, o grande capitão, Cristiano Ronaldo, que o soube ser sempre dentro e fora do campo. Apenas quando atirou o microfone daquela espécie de canal de televisão (CMTV) para o lago se deixou trair pelas emoções. Chorou de dor e frustração com uma entrada duríssima aos 9 minutos de jogo e o esforço de tentar manter-se em campo, e chorou de alegria, no final, por ter conseguido o ambicionado troféu por Portugal.

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Falta-nos a nós, portugueses, a medida das coisas. Somos oito ou oitenta. Massacrámos a equipa de todos nós logo que o torneio começou e empatámos com a Islândia. Afinal esta mesma Islândia despachou para casa a Inglaterra. Pois é. O tal grupo “fraquinho” não o era assim tanto.

A imprensa gaulesa chegou a taxar o nosso futebol como “nojento”, mas hoje o Liberation chama-lhe “realista”…

Pena que alguns franceses não saibam perder. Isso viu-se pelos distúrbios provocados com a polícia, na noite passada, nos Champs-Élysées, mas sobretudo por terem deixado a Torre Eiffel totalmente às escuras, com evidentes perigos para a aeronáutica, só para não a iluminarem com as cores do novo campeão da Europa, verde e vermelho…

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Talvez assim resultasse melhor:

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A verdade é que a vitória da bandeira portuguesa provocou uma alegria imensa por todo o mundo, em especial nos países lusófonos em África, mas também no longínquo Timor-Leste e em Macau. A foto abaixo mostra um menino timorense horas antes da final (foto: P. Brinca).

menino timorense hioje- foto P. Brinca.

Foto Gonçalo Lobo Pinheiro ASF
Comunidade portuguesa de Macau festeja. (ASF/GONCALO LOBO PINHEIRO)

 

O melhor dia de sempre do atletismo português

Mas não foi só o futebol que encheu este fim-de-semana. A Portuguesa ouviu-se ontem por três vezes no Campeonato da Europa de Atletismo ao ar livre, em Amesterdão. Foi a participação mais bem-sucedida de sempre de Portugal em Europeus de atletismo, com um total de seis medalhas, três delas de ouro, uma de prata e duas de bronze. Sara Moreira sagrou-se ontem campeã da Europa (meia-maratona), tal como Patrícia Mamona (triplo salto), num dia em que Tsanko Arnaudov ficou em terceiro lugar no concurso de lançamento do peso.

Sara Moreira e Patrícia Mamona são campeãs da Europa. Jéssica Augusto e Tsanko Arnaudov foram terceiros. Dulce Félix deu o mote na sexta-feira ao conquistar um segundo lugar. Portugal campeão por equipas na maratona.

E agora?

Agora, subimos certamente no ranking europeu, vamos ao mundial de futebol de 2018, na Rússia, com passagem pela Taça das Confederações, já para o ano, aonde Portugal vai pela primeira vez.

E quem não gosta de desporto?

Esses tiveram pelo menos um benefício. Deixaram de ouvir a comunicação social falar em sanções a toda a hora, naquele seu jeito muito português de quem gosta de sofrer. Safa. Sejam felizes.

 

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