Nada de misturas

 

Numa democracia madura, a vida política – seja ela enquadrada em partidos ou numa condição de independente – deve ser completamente alheia ao envolvimento pessoal dos líderes religiosos.

Em particular quem tem a seu cargo a direcção espiritual de comunidades locais de fé, ou de grupos específicos de fiéis, não deve candidatar-se a cargos públicos electivos, sejam eles de dimensão local, regional ou nacional.

Há uma razão ética de fundo. Não é razoável que se utilizem os púlpitos (ou outras posições de relevância comunitária religiosa) para influenciar o sentido de voto dos crentes.

Por exemplo, o que se tem vindo a passar no Brasil, desde há uns bons anos a esta parte, é suficientemente horrível e esclarecedor, com os famosos currais eleitorais e a corrupção que impera na chamada bancada parlamentar evangélica, mas também a manipulação descarada que se verifica.

Não só os pastores-deputados – que foram eleitos pelo povo – estão lá para favorecer essencialmente as suas organizações, em vez de representarem todo o seu círculo eleitoral, como não se distinguem dos demais parlamentares no domínio da ética, ou da falta dela.

Por tudo isto, foi com muito agrado que tomei conhecimento da resolução tomada recentemente por uma estrutura religiosa do estado de Alagoas (ler em baixo), que me parece muito bíblica, sensata e adequada. Surge decerto como reacção à imensa podridão reinante no país e que está a destruir o prestígio e bom nome da igreja evangélica brasileira. Um bom exemplo, que poderia ser seguido.

JB-L

RESOLUÇÃO 004/2016 – IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS NO ESTADO DE ALAGOAS

Maceió – AL, 05 de julho de 2016.

A presente resolução disciplina os procedimentos a serem adotados nos pleitos eleitorais em relação aos Ministros Candidato, disciplinando as propagandas eleitorais.

Art. 1º. Esta IGREJA é ciente de que todo cidadão pode votar e ser votado.

Paragrafo Primeiro. A IGREJA declara que tem ciência de que as autoridades que exercem funções que possam desequilibrar a igualdade de concorrência eleitoral seja cargo publico ou privado, devem se desincompatibilizar de suas funções no período eleitoral conforme determinação da Lei 9.504/97, estendendo-se a desincompatibilização aos obreiros.

Paragrafo Segundo. Entende-se por obreiro todos os que exercem liderança, seja de campos eclesiásticos e congregações como dirigentes de filiais, de círculos de oração, de mocidade, dos departamentos, de grupos de louvor, de grupos de oração, dentre outros.

Art. 2º. Os Ministros que recebem prebenda da Organização Religiosa terão suspensas suas rendas eclesiásticas, visto que outro Ministro será empossado em sua função e fara jus ao recebimento da prebenda.

Paragrafo Primeiro. A presente decisão surge, porque o Ministro escolheu de livre e espontânea vontade ser candidato, não sendo iniciativa nem interesse da Igreja, portanto a Igreja não tem obrigação de continuar fornecendo a prebenda.

Paragrafo Segundo. Considerando que o Ministro candidatou-se por sua própria escolha e risco, a COMADAL e a IGREJA não terá nenhum compromisso financeiro com o candidato Ministro durante o período eleitoral e pós-eleitoral.

Paragrafo Terceiro. Quanto a voltar a dirigir Filiais, ficará a critério das Mesas Diretoras da IGREJA e COMADAL reintegrarem-no quando houver oportunidade e ainda, se o Ministro permanecer cumprindo com os ditames da Bíblia Sagrada e das normas que regem a COMADAL e a IGREJA.

Paragrafo Quarto. Sendo o Ministro eleito, não poderá reassumir direção de filiais e congregações.

Art. 3º. De acordo com a Legislação Eleitoral vigente, o Ministro que se candidata não pode se utilizar do culto, do templo e das demais dependências da Organização Religiosa para promover propaganda eleitoral de qualquer natureza.

Art. 4º No tocante ao Ministro assumir cargos a frente de secretarias de governos municipais e estaduais, serão aplicadas as mesmas regras atinentes às candidaturas.

Art. 5º. Concernente as autoridades que aparecerem em nossos cultos e liturgias, deverão ser honradas e apresentadas como autoridades e não como candidatos, sendo vedado no período eleitoral conceder oportunidade as autoridades de fazer uso da fala nas reuniões e cultos, enquanto candidatos.

Art. 6º. Os casos omissos nesta resolução referentes às matérias eleitorais serão tratados pelas Diretorias da IGREJA e COMADAL respectivamente, bem como pelo Conselho Consultivo e de Ética.

Publique-se e Cumpra-se.

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IGREJA EVANGELICA ASSEMBLEIA DE DEUS NO ESTADO DE ALAGOAS

Reverendo Dr. José Orisvaldo Nunes de Lima, Presidente

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