O que é um idiota?

 

 

Há dias escrevi no Facebook que há “sempre uns idiotas que acham que não há mais mundo além dos States, os quais, no fundo são um pouco como os pobres – sempre os teremos connosco”…

Duas pessoas residentes nos EUA responderam, ofendidíssimas, porque se lembraram de enfiar o barrete até aos pés, elas próprias, muito embora eu não tivesse dirigido a frase a ninguém em particular. Como tenho sempre presente o conselho atribuído a Mark Twain: “Nunca discutas com um idiota. Ele arrasta-te até ao nível dele, e depois vence-te em experiência”, dei por encerrada a discussão, embora tivesse sido alvo de insultos vários.

Tudo isto é fruto da silly season e de… Donald Trump, imaginem, que era o tema da conversa.

Antes de ir à substância da matéria, importa talvez entender o porquê do sentimento de ofensa, ou seja, o termo “idiota”. Entre outros significados, os dicionários dizem que idiota é quem “se mostra incapaz de coordenar ideias” (grego, idiotês, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa). Pois bem. Essa é a razão porque disse e reafirmo que não retiro uma vírgula ao que então escrevi.

Porque a questão é mesmo essa. Nos dias que correm campeiam o medo, o preconceito e a xenofobia. É essencial saber organizar e estruturar toda a informação que nos chega em catadupas e não apenas engoli-la sem critério. A informação necessita de enquadramento, fazer sínteses, coordenar ideias. Ora, os idiotas não são capazes de o fazer.

Por exemplo, a direita religiosa americana não tolera um presidente que tenha tido um caso extraconjugal com uma estagiária – questão que tem que ver essencialmente com a sua vida privada – mas aplaude um candidato à Casa Branca que publicamente humilha e ofende meio mundo, que ameaça as mulheres e as trata como objectos, que destila ódio contra os mexicanos, os muçulmanos, os refugiados, as minorias, que despreza os europeus e pede a prisão dos adversários políticos.

A coisa assume contornos de extrema gravidade quando, além de tudo isso, este mesmo político defende abertamente práticas criminosas como a tortura dos inimigos (proibida pela Convenção de Genebra), mente, rouba e engana milhares de pessoas no imobiliário, dando-se ainda ao desplante de querer escolher os juízes que julgam as suas trafulhices, como no caso da “Universidade Trump”.

E para ajudar à festa ainda se revela completamente ignorante em matéria de política externa, quer reduzir a NATO a zero e fazer o jogo de Putin. Ainda ontem encorajou publicamente uma nação estrangeira (a Rússia) a espiar por via eletrónica uma ex-governante do seu país (a ex-secretária de Estado Hillary Clinton), sem pensar que poderia estar a incorrer no crime de traição à pátria…

Em suma, um candidato que é um perigo para a América e para o mundo inteiro.

Quando quem se diz cristão, não só usa dois pesos e duas medidas, mas ainda passa hipocritamente uma esponja por cima desta longa folha de serviço, estamos conversados.

Pode dizer-se cristão, mas certamente não deixará de ser idiota, porque se revela “incapaz de coordenar ideias”. É dos livros. Nada a fazer.

1 comentário a “O que é um idiota?”

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