Apologia do medo

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Devido à recente onda de atentados está instalado um clima de medo nas sociedades ocidentais, o que não deixa de ser uma vitória do Daesh. É para isso que têm vindo a trabalhar desde o início do “califado”.

Os homens de guerra que estão na origem do denominado “Estado Islâmico”, que não é estado nem islâmico – generais sunitas de Saddam Hussein – conseguiram colocar o medo na ordem do dia. Fizeram-no através da estética do horror, do terrorismo mais abjecto, de uma mentalidade medieval associada a operações de propaganda em linha com o século vinte e um e da instalação de um clima de medo que visa destruir os fundamentos da democracia, do estado de direito e do estilo de vida ocidental.

Como responder a esta ameaça?

A extrema-direita chama-lhe um figo, pois dá azo a pressionar os governos com medidas securitárias que não resolvem o problema de fundo mas apenas destroem o sistema democrático e limitam as liberdades civis. Ou então a política do “olho por olho, dente por dente”, uma vez que em breve estaremos todos cegos e desdentados…

Alguns círculos – tanto políticos como religiosos – defendem que isto vai acabar numa guerra religiosa entre cristianismo e islamismo, sendo que alguns já se estão a preparar e armar para tal, um pouco como aqueles grupos americanos que acham que vai estalar uma guerra dos cidadãos contra… o poder federal.

Mas deixar tudo como está também não resolve o problema. A inércia, a postura de fraqueza, hesitação e desnorte que tem sido timbre da União Europeia em matéria internacional, só podem agravar o actual estado de coisas.

Entre os extremos há um caminho difícil mas possível. É preciso manter a cabeça fria. Os países democráticos têm que ter serviços de informações a funcionar eficazmente – articulados a nível europeu – e reverter as suas políticas de imigração. É necessário impedir que as madrassas nos nossos países se transformem em escolas de ódio, as mesquitas em espaços de recrutamento de jihadistas, os líderes religiosos islâmicos em terroristas disfarçados nos púlpitos, e os bairros periféricos em gettos.

Mais. É imprescindível que os líderes islâmicos moderados levantem a voz, em todo o mundo, e condenem com veemência estes massacres e assassinatos.

É preciso que a comunicação social se autoregule e deixe de permitir a glorificação dos jihadistas e a estética do horror. Mas também que haja condicionamentos à propaganda terrorista na internet.

Tudo menos ceder ao medo, excepto um único tipo de medo. O medo de ter medo.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 26/8/16.

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