A culpa

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O Vitória Futebol Clube entrou bem no campeonato nacional. Joga de cabeça levantada mesmo contra adversários de peso, na casa deles, como aconteceu no jogo da Luz. É ousado, irreverente e equilibrado.

Mas esta competição já deu para ver que os clubes chamados grandes são incapazes de aceitar que o adversário foi melhor, sempre que perdem um jogo ou empatam, em especial contra um pequeno. Resta-lhes acusar a arbitragem de todos os males.

No caso do Benfica, Rui Vitória assumiu erros próprios (falta de eficácia) mas não resistiu a culpar também o árbitro pelo empate em casa. No caso do clássico de Alvalade, o Porto está a fazer uma campanha duríssima, tentando cavalgar o facto de o jogo ter sido apitado por um árbitro jovem. Os portistas não têm a humildade de admitir que foram menos capazes do que o adversário. Independentemente das falhas da arbitragem – em especial no aspecto disciplinar – a verdade é que o resultado é justo, tal como foi o da Luz e os golos limpos.

Dou o exemplo do futebol porque ele é uma espécie de montra da vida.

É curioso como podemos ver este mesmo tipo de arrogância, manipulação e mau perder na política. Os líderes da PàF diziam no início desta legislatura que o primeiro-ministro não tinha sido escolhido pelo povo. Pois não, nem este nem nenhum. As eleições legislativas escolhem deputados e os deputados eleitos escolhem e viabilizam um primeiro-ministro, que depois forma o seu governo. Goste-se ou não, é assim que funciona. A isto se chama democracia.

Os indicadores económicos, sociais e políticos são sempre objecto de leituras diversas, consoante sejam realizadas por sectores afectos ao governo ou à oposição. É o copo meio cheio ou meio vazio. A honestidade é sempre muito rara nas intermitências da vida política, porque há clientelas a satisfazer ou eleitores que convém cativar.

Mas nas relações interpessoais não é melhor. A culpa é sempre dos outros, mesmo quando somos nós que falhamos, erramos ou não somos capazes.

Se no caso do futebol e da política há razões de ordem financeira e outros interesses muito fortes, que justificam um permanente empurrar dos protagonistas numa fuga para a frente, já nas relações de trabalho, familiares ou de grupo pontifica o sentimento de culpa, esse fardo muitíssimo pesado que ninguém se dispõe a suportar nos seus ombros.

Trata-se dum fenómeno intrínseco ao ser humano. Basta observar o comportamento de um pequeno grupo de crianças e ver como se culpam de imediato umas às outras por algum mal entretanto feito. E se não as educarem no sentido de que devemos admitir os nossos erros porque todos falhamos, provavelmente vão-se comportar de futuro como os tais políticos e dirigentes do futebol…

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 2/9/16.

 

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