Branca por fora (nem tanto por dentro)

Quase todos os homens são capazes de suportar adversidades, mas se quiser por à prova o carácter de um homem, dê-lhe poder.

Abraham Lincoln

Resultado de imagem para O mundo privado dos presidentes dos Estados Unidos

 

Chegou-me à mão um livro que se pode inscrever no âmbito das “leituras de Verão”, com o título “O mundo privado dos presidentes dos Estados Unidos” (da Vogais, ed. 20|20).

A obra que retrata os bastidores da Casa Branca é de Kate Andersen Brower, uma jornalista da Bloomberg News, destacada para a residência mais poderosa do mundo e reúne um conjunto de testemunhos de antigos e actuais trabalhadores da presidência americana, retratando um largo conjunto de episódios íntimos vividos durante diversas presidências.

Ficamos a saber que Nancy Reagan era uma pessoa intratável, que Lyndon Johnson – o vice texano que substituiu Kennedy, após o seu assassínio em Dallas – gostava de dar ordens ao pessoal sentado na sanita, e que Hillary Clinton chegou a atirar objectos à cabeça de Bill Clinton na sequência do affaire Monica Lewinsky, entre muitas outras coisas.

Contudo não é o aspecto voyeur que interessa aqui, mas sim o regime de trabalho a que todos os funcionários da Casa Branca estavam sujeitos. Pode-se dizer que seria uma espécie de escravatura de luxo. Tinham que estar disponíveis para os mais estranhos caprichos da família presidencial, a todas as horas do dia e da noite, assim como dispostos a suportar as explosões de fúria, indisposições e frustrações de toda a ordem. Apesar de bem pagos – não sei se todos ou só alguns – a verdade é que os sacrifícios a que estavam sujeitos eram imensos, inclusivamente a quase impossibilidade de vida familiar.

Muitos deles foram lá parar porque não tinham emprego, e desde que tivessem o cadastro limpo poderiam eventualmente ser contratados, sabendo desde logo que não teriam hora de saída, podendo ser a de entrada ao serviço às quatro da manhã ou antes.

A postura de quem mandava na sede do poder do país mais poderoso do mundo, fazia frequentemente vir ao de cima os aspectos mais negros do carácter de presidentes e primeiras damas, fossem eles republicanos ou democratas.

O exercício do poder continua a ser um verdadeiro teste do algodão para qualquer um. Não é invulgar ver um funcionário, tanto do sector público como do privado, comportar-se como um tiranete, estribado no pequeno poder que detém. Por vezes dá ideia de que os piores são mesmo os que têm na mão pequenos poderes. Não é por acaso que a sabedoria popular aconselha: “não peças a quem pediu nem sirvas a quem serviu”…

A autora diz que viajou por todo o mundo, enquanto correspondente da Casa Branca, “mas a história mais fascinante encontrava-se ali, à minha frente”.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 9/9/16.

 

 

 

 

 

1 comentário a “Branca por fora (nem tanto por dentro)”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s