Livros e livreiros

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Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.

Jorge Luis Borges

 

Uma verdadeira livraria é mais do que um negócio. É um templo da leitura, do estudo, da investigação e da descoberta do mundo. Um livreiro é uma espécie de sacerdote que ajuda os neófitos a encontrar o caminho (uma temática, uma obra, um autor) que procuram.

É notório que estes templos estão em fase descendente e desaparecem quase todos os dias, sendo substituídos pelas grandes superfícies que vendem livros, ou por supermercados do livro, em meio físico ou online, onde não há qualquer sacerdócio ou sentido do sagrado, mas apenas uma relação comercial. Compra-se um livro da mesma forma inócua como se adquire um gel de banho, uma esfregona ou um bife de vaca.

Vem isto a propósito de lamentar profundamente o desaparecimento da livraria Culsete, que é uma casa com uma longa e honrosa história na comunidade setubalense.

Mas lamento igualmente a perda do importante centro cultural que a Culsete sempre foi. As sessões de lançamento de livros, as tertúlias e as arruadas mexiam com muita gente. Ao longo de décadas a Culsete trouxe a Setúbal inúmeras personalidades da intelectualidade portuguesa para verdadeiros eventos culturais. Artistas plásticos, poetas e escritores, políticos e historiadores, romancistas, filósofos e académicos, autores de literatura infanto-juvenil e jornalistas.

Se os livros têm alma, as livrarias também. Manuel Medeiros, figura que fiz questão de contribuir para homenagear publicamente em vida, era a alma da Culsete e o seu sacerdote, coadjuvado pela companheira de percurso, a Drª. Fátima Ribeiro e Medeiros, outra figura notável.

A Culsete tem uma história. Nascida em 1973 soube interpretar os novos tempos de liberdade de expressão e o desejo geral da população em procurar saber, conhecer o mundo e as coisas, para lá das fronteiras do salazarismo que sufocava o nosso país. Nesse sentido, a Culsete promoveu o livro indo a escolas e fábricas, dentro e fora da cidade, para estimular o gosto pela cultura em crianças e jovens, operários e população em geral.

Jorge Luis Borges, o enorme escritor argentino afirmava assim a sua paixão pelos livros: “Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria”.

Já Bill Gates, um dos empresários globais mais ricos e bem-sucedido, numa versão mais pragmática e pedagógica mostrou a importância do livro e da leitura: “Os meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever – inclusive a sua própria história”.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 23/9/16.

 

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