Portugal desigual

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Afinal foram mesmo os mais pobres que pagaram a maior parte da austeridade, durante o governo Passos Coelho-Paulo Portas. Agora está comprovado com estudos desenvolvidos por entidade independente.

Portanto, quando PSD e CDS nos diziam que os mais pobres estavam protegidos, isso fazia parte do embuste e da propaganda política de um governo de inspiração política neoliberal.

A Fundação Francisco Manuel dos Santos, em parceria com o Expresso e a SIC, lançou recentemente o projeto Portugal Desigual, um site que reúne as principais conclusões do estudo “Desigualdade do Rendimento e Pobreza em Portugal: 2009-2014”, coordenado pelo economista Carlos Farinha Rodrigues, especialista em matéria de desigualdade e pobreza. As conclusões do estudo vêm desmentir algumas ideias feitas.

A primeira é que as políticas durante a crise preservaram os mais pobres. Na realidade não aconteceu assim. Foram mesmo os mais pobres que mais perderam poder de compra, e daí terem caído na pobreza milhares de portugueses até aí remediados.

Quem conhece de perto o trabalho das instituições de apoio social sabe como surgiu nos anos do “ajustamento” a chamada pobreza envergonhada. O desemprego aumentou exponencialmente, mascarado embora por uma intensa emigração – especialmente de jovens qualificados – e por uma profusão de cursos promovidos pelo IEFP, que o governo usou como expediente para baixar artificialmente o número de desempregados. Portugal sofreu um agravamento das condições de vida acima da média europeia.

Dizem que a classe média foi a mais afectada. Também não é verdade, foram mesmo os mais pobres. Aliás, a classe média tornou-se mítica, nos últimos tempos, por ser constantemente invocada pelos mais abastados como arma de arremesso para defender interesses próprios.

Ficámos a saber que um em cada cinco portugueses vive com um rendimento mensal abaixo de 422 euros, abaixo do limiar da pobreza. O estudo veio revelar também um agravamento do fosso de rendimentos entre géneros. Os salários dos homens sofreram uma redução de 1,5% entre 2009 e 2014, enquanto os das mulheres diminuiu 10,5%… Ficou a saber-se que “Portugal continua a ser um dos países com maior desigualdade na União Europeia (…) e Portugal passou a estar ao nível da Grécia.”

De 2000 a 2009 houve um decréscimo gradual da desigualdade em Portugal, com a distribuição de rendimentos a ser feita de uma forma mais equilibrada. A partir daí a desigualdade voltou a agravar-se, com os 5% mais ricos a receberem 19 vezes mais do que os 5% mais pobres. O risco de pobreza de um agregado com um adulto e pelo menos uma criança em 2014 era de 38,4%.

Quanto mais desigual, mais pobre é um país. Tirem-se as devidas conclusões.

 

 Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 30/9/16.

 

 

 

 

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