O outro ranking do lixo

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 Inicio hoje esta coluna de opinião mensal no SEM MAIS, com muito gosto. O nome de origem latina com que a baptizei – Percepções (perceptio) – tem que ver com a ideia de passar “por entre septos (septum)”. A nossa compreensão das coisas, do mundo e de nós mesmos não é mais do que um caminho feito por entre pontos de referência que vamos construindo na nossa viagem existencial como seres pessoais e sociais. No fundo, é a nossa forma de olhar e ver quem somos e onde estamos. É o nosso caminho. 

Antigamente os governadores dos povos cumpriam a sua função soberana por direito divino. Depois da Revolução Americana (1776) e da Francesa (1789-1799) as coisas mudaram e os monarcas foram apeados do Poder ou remetidos progressivamente a um papel constitucional e representativo, mas quase sempre decorativo. O caso tardio do antigo imperador japonês Hirohito foi a excepção que confirmou a regra histórica.

Mais tarde os donos do mundo passaram a ser os que detinham os instrumentos de poder, como as armas, no caso das ditaduras militares, que ainda persistem, ou o poder financeiro.

Deixando de lado a tendência portuguesa para o messianismo, que pelo menos desde o Padre António Vieira não nos larga, quer em termos do anseio por um homem providencial (afinal D. Sebastião ainda não voltou!), quer como um suposto destino de intervenção lusa no destino das nações, transfigurado na “Mensagem” de Fernando Pessoa, o percurso do nosso país é uma amostra historicamente rica.

Vem do absolutismo, passa ao liberalismo e monarquia constitucional para a república parlamentar, daí à ditadura militar, ao autoritarismo fascizante, à democracia e desemboca na actualidade, que é um tipo de regime difícil de definir.

Não estamos em democracia pura porque hoje só escolhemos parte dos que nos governam. Em parte são burocratas de Bruxelas, que ninguém elegeu, quem regula as diferentes dimensões da nossa vida pessoal, familiar e comunitária. A União Europeia neste momento não se sabe bem o que é, tanto por falta de uma liderança capaz, como pela falsa igualdade dos estados que a integram, mas também porque não é capaz de falar a uma só voz, nem de se fazer respeitar no concerto das nações.

O ministro das finanças alemão dá-se ao luxo de nos sugerir em quem devemos votar. Mais. Consegue mesmo afirmar – para quem sabe ler nas entrelinhas – que o voto democrático é uma perda de tempo, porque não é possível qualquer política diferente da que ele preconiza. Temos que casar com a TINA (There Is No Alternative) quer queiramos quer não…

Mas o facto é que um breve olhar pelo mundo deixa-nos ainda mais incomodados e mesmo arrepiados. Basta pensar na Coreia do Norte, Venezuela, Zimbabwe, Sudão, Irão, Arábia Saudita, Iémen, Turquia, Síria, Tailândia e tantos, tantos outros. De ditaduras militares e ideológicas a religiosas, de racistas a tribalistas, o ranking dos presidentes está cada vez mais ao nível do lixo. Veja-se ainda o actual dirigente filipino, o turco Erdogan ou a assustadora possibilidade de Donald Trump entrar na Casa Branca.

 

Fonte: Sem Mais Jornal, 5/11/16.

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