O Jardim das Baías

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Todo jardim começa com um sonho de amor.

Antes que qualquer árvore seja plantada

ou qualquer lago seja construído,

é preciso que as árvores e os lagos

tenham nascido dentro da alma.

Quem não tem jardins por dentro,

não planta jardins por fora

e nem passeia por eles…

Rubem Alves

 

As cidades com alma fazem-se com pessoas mas sempre na base de ideias concretas. Por vezes essas ideias são inovadoras ou arrojadas, o que suscita uma onde de críticas provindas das mentalidades mais conservadoras. É normal e sempre foi assim ao longo da história.

Sempre que uma cidade se desenvolve sem idiossincrasias resulta numa urbe descaracterizada e desinteressante, igual a qualquer outra em qualquer outro lugar. A cultura da globalização gera uma mentalidade indistinta, sem alma, contra a qual convém combater se acaso queremos valorizar o que melhor somos e temos.

Não é por acaso que os participantes estrangeiros na Web Summit 2016 elogiaram fortemente a nossa comida e hospitalidade. Mas se continuarmos a achar que a nossa dieta alimentar é “saloia” e que coisas como McDonald’s e Starbucks é que estão a dar, falhamos por completo a oportunidade para nos darmos a conhecer.

Sabemos como as multinacionais se tendem a comportar como donas do mundo. Ainda recentemente aquela cadeia americana de fast food anunciou pretender processar a autarquia veneziana por ter indeferido a autorização para instalar um restaurante no coração de Veneza. Também a Coca-cola ameaçou suspender projectos de investimento em Portugal devido ao novo imposto fat tax.

Mas além de lutar pelas suas características distintivas, em especial quando estas se traduzem em qualidade de vida, beleza natural e outros parâmetros positivos, espera-se que os autarcas não sejam apenas promotores da política do betão, das rotundas ou do popularucho. Espera-se que sejam ousados na afirmação da terra e das gentes que representam, criando factores de atractividade, tanto em termos turísticos como económicos e culturais, de modo a potenciar as possibilidades e potencialidades locais. É o que lhes compete.
Vem isto a propósito do Jardim das Baías anunciado para Setúbal.

Ora aqui está uma ideia original que pode fazer a diferença. Temos um bom clima, o apoio dos parceiros do Clube das Mais Belas Baías do Mundo e vontade política, isto é, as condições necessárias e suficientes para a concretização do projecto. Já se sabe que vão chover críticas dos conservadores, que detestam e receiam o desconhecido, mas também de muitos daqueles que gostam de desfazer as ideias alheias apenas e só porque não partiram deles.

Uma cidade afirma-se cada vez mais pela diferença, neste mundo uniformizado e globalizado.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 18/11/16.

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