Então e a Bíblia?

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A iliteracia geral e progressiva na sociedade portuguesa é preocupante. Ao afastar grandes autores de língua portuguesa dos estudos escolares, ao maltratar o Latim e o Grego e ao acantonar a Filosofia, estamos a destruir não apenas as raízes da cultura e da nossa língua, mas também a reduzir a capacidade de formular e desenvolver pensamento.

Se a tudo isto juntarmos uma ainda muito mais grave falta de leitura dos textos bíblicos, está traçado o quadro de uma certa indigência cultural.

Esta falta de contacto com a Bíblia é referida pela escritora Alice Vieira, que lamenta tal lacuna na sociedade portuguesa, em especial “entre as crianças”, facto que está a gerar adultos “menos cultos” e “incapacidade para resistir”.

Participando na conferência «As artes de narrar a Bíblia», na Universidade Católica, onde discorreu sobre a sua obra «Histórias da Bíblia Para Ler e Pensar», a escritora afirmou que na “Sagrada Escritura encontramo-nos a todos: por vezes não gostamos de nos ver, mas é o nosso retrato”.

Quem associa a leitura bíblica em exclusivo à religião está a ignorar porventura a obra mais relevante de sempre, pelo menos na cultura ocidental. Aquela que foi a primeira obra a ser impressa, na prensa de Gutenberg e que continua a ser best-seller em todo o mundo, deve ter alguma coisa de importante para nos dizer.

A Bíblia não é um livro religioso. É um monumento literário que pode ser considerado património cultural da Humanidade. Sem preconceitos, Alice Vieira lembrou que o marido era “profundamente católico e comunista” e que lhe ofereceu a sua primeira Bíblia, depois de ter crescido “com diferentes famílias”, todas elas “anticlericais”. Sublinhou ainda que a leitura da Bíblia “faz falta para entender o mundo, nos entendermos a nós, e para termos o coração forrado, para possuir instrumentos para resistir a esta fase da vida”.

Na casa da escritora era normal ler a Bíblia, que era encarada sem preconceitos ideológicos ou pruridos anti-religiosos: “O meu marido disse-me para a ler e, quando eu quisesse encontrar uma resposta para a minha vida a abrir ao acaso. Ainda hoje o faço e encontro a resposta que preciso”.

Desde os anos setenta existe em Portugal uma organização internacional de profissionais cristãos que imprime e distribui, às suas custas, o livro sagrado do cristianismo em escolas, hospitais, quartéis e hotéis (em edição bilingue), denominada Gideões Internacionais. Muitas vezes lutam com oposição tacanha de dirigentes de escolas públicas que boicotam o seu trabalho. Professores que deviam ser os primeiros a estimular a boa leitura aos alunos. O preconceito, afinal, está muitas vezes onde menos se espera.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 25/11/16.  

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