O envelhecimento português

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Um estudo recente, coordenado por Manuel Villaverde Cabral, sociólogo e director do Instituto do Envelhecimento, do Instituto de Ciências Sociais (ICS), ligou a escolaridade a um envelhecimento de maior qualidade. Com efeito, quanto maior é a escolaridade maior tende a ser o envolvimento em actividades sociais, maior será a rede de amizades e relacionamentos, a perceção do nível de saúde mais adequada e maior se torna a satisfação com a vida em geral.

A investigação “Envelhecimento em Lisboa, Portugal e Europa: uma perspetiva comparada” afirma que a escolaridade “é o fator mais significativo e com mais consequências ao longo de todo o percurso de vida. A baixa escolaridade das pessoas mais velhas começa por se repercutir imediatamente ao nível do emprego e do rendimento, mais ainda no sexo feminino do que no masculino, projetando-se posteriormente ao longo de todo o curso de vida, nomeadamente na adoção (ou não) de atividades de socialização e manutenção pessoal que constituem o chamado ‘envelhecimento ativo”.

O envelhecimento demográfico é um dos problemas mais prementes que o país enfrenta, e aí as pensões assumem um papel nuclear, como garante de dignidade e qualidade de vida, visto que o suporte económico é decisivo. “Entre a segurança social e a saúde, estamos a falar de perto de metade do Orçamento do Estado e, portanto, cerca de um quarto do PIB português.”

O estudo destaca dois problemas centrais no envelhecimento: a saúde e a sociabilidade. Por um lado há necessidade de desenvolver as condições para a prestação de cuidados continuados e paliativos, para aqueles cuja saúde não lhes permite cuidarem de si mesmos, assim como de apoios no domicílio a fim de manter os idosos que ainda têm condições de permanecer no seu espaço habitacional e contexto social e de vida. Mas a solidão assume cada vez mais importância, em especial quando potencia os quadros depressivos e os problemas mentais, altamente prevalecentes na população portuguesa.

As autarquias estão colocadas perante o desafio de encontrar novas formas de organização social e do território no sentido de facilitar a vida aos mais velhos, em especial os mais sozinhos e de menos recursos. Terminado o “ciclo autárquico do betão” convém promover políticas verdadeiramente centradas nos munícipes, em particular nos mais vulneráveis e carenciados.

Em tempos procurámos criar e desenvolver um Observatório Sénior em Setúbal, numa parceria entre várias instituições, que fizesse a radiografia da população idosa do concelho assim como o levantamento das respostas sociais existentes, de modo a estimular as forças vivas a promoverem tais soluções. Mas nem toda a gente compreendeu a necessidade e a importância dessa tarefa.

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 2/12/16.

 

 

 

 

 

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