Um dia único para Portugal

guterres-juramento1

 

Na passada segunda-feira António Guterres jurou a Carta das Nações Unidas e foi empossado como secretário-geral da ONU, com efeitos a partir do dia 1 de Janeiro.

Chegou com uma mensagem de mudança e uma intenção ambiciosa de luta pela paz e de reforma da organização, que vem sendo reclamada em todo o mundo: “É chegada a altura das Nações Unidas de reconhecerem as suas insuficiências, alterar o que precisa de ser alterado, a organização é a base de tudo. Chegou a hora da ONU mudar”.

Como se viu foi longamente aplaudido e elogiado, mas ele sabe como ninguém – depois de dez anos no Alto Comissariado para os Refugiados (ACNUR) – que o caminho que tem pela frente roça o impossível. Ele conhece as misérias do mundo, a podridão da política e a adversidade dos tempos em que vivemos. Por isso se dispõe a mediar conflitos pessoalmente. Quer dar a cara e perfilar-se na linha da frente a fim de fazer a paz: “Estou preparado para me envolver pessoalmente na resolução de conflitos onde isso trouxer um valor acrescentado, reconhecendo o papel de liderança dos Estados-membros”.

O tributo que o presidente da república portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa e o ainda secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon lhe prestaram são motivo de orgulho para todos nós.

No mesmo dia Cristiano Ronaldo recebeu a quarta bola de ouro, tantas como Eusébio e Figo juntos, os únicos portugueses distinguidos até hoje. É o nosso melhor atleta de sempre. Embora tenha beneficiado de muitos factores facilitadores para a sua incrível ascensão, como nenhum outro antes dele – como a relevância do futebol português nestes últimos tempos, o avanço técnico dos treinos e o facto de poder ter ido jogar para um grande clube de Inglaterra muito novo – a verdade é que todos são unânimes em dizer que trabalha como ninguém e leva muito a sério a sua preparação.

CR7 tem superado paulatinamente recordes históricos no futebol nacional mas também no seu clube, o Real Madrid, ameaçando já, com as suas marcas, a posição do lendário ícone blanco, Alfredo Di Stefano.

Dois dos portugueses mais bem preparados nas suas profissões e áreas de intervenção pública – um na política e outro no desporto – elevaram o nome do nosso país até ao patamar mais alto, honrando-nos a todos.

Isto só tem um problema. É que o país não pode viver só de dois ou três fora-de-série, tem que ser ele, todo, a caminhar para a excelência. Temos que renovar as nossas elites. É curioso pensar que Guterres desistiu de governar Portugal, mas agora está disposto a arregaçar as mangas e enfrentar os problemas do mundo, que são muitíssimo maiores do que os do nosso cantinho. Porque será? Julgo saber, mas guardo para mim.

 

 Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 16/12/16.

 

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s