Famosos

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O desaparecimento recorrente de figuras públicas que granjearam o carinho das populações, com especial particularidade no caso dos artistas, provoca sempre uma reacção emocional generalizada.

Entre outros, o ano que agora finda viu partir Leonard Cohen, Toots Thielemans, Prince, Pierre Boulez, David Bowie e George Michael. Todos eles com públicos diferentes, mas todos representaram uma perda. E actores como Alan Rickman, Gene Wilder e Doris Roberts, ou atletas como Muhammad Ali (Cassius Clay).

Entre nós foram eventualmente os desaparecimentos de Nicolau Breyner e Manuel Bola (Carlos Rodrigues) os que mais marcaram, talvez pelo inesperado e por se tratar de artistas com uma faceta cómica, que trouxeram diversão ao público.

Podemos entender que as figuras das artes estão normalmente associadas à fantasia, ao sonho e à evasão de que as pessoas tanto necessitam na sua correria do dia-a-dia. Proporcionando momentos de divertimento ou elevação, mas também de reflexão e emoção, os artistas funcionam como catalisadores do melhor que o ser humano tem dentro de si.

Estabelecesse assim uma relação afectiva entre o público e o artista que desafia a racionalidade porque todo ele tecido de emoções, essas boas emoções que talvez muitos não consigam encontrar em quaisquer outros contextos de vida. Vejam-se os fenómenos de popularidade de Tony Carreira ou Marco Paulo, por exemplo.

Os fenómenos de projecção pessoal na figura e no desempenho do artista explicam essa cegueira extrema, por vezes uma inquestionável fidelização e mesmo quase-deificação da pessoa em palco. É preciso tocar-lhe, beijá-la, tirar uma selfie com ela para mostrar aos amigos ou, publicar nas redes sociais, e assim satisfazer uma importância que sabemos que não temos mas que gostaríamos muito de ter.

Importa lembrar que o valor da pessoa, de qualquer pessoa, nunca poderá estar naqueles com quem ela se encontra de forma casual e momentânea, mas sim nela própria. Os outros não são nem podem ser boleias para a nossa relevância.

Há uns bons anos estava na Califórnia, numa zona turística à beira-mar, quando os meus amigos americanos descobriram que o ex-presidente Nixon estava por ali. Correram para se juntar à multidão que queria tirar uma foto com ele (ainda não tinha chegado a febre das selfies). Creio que fui o único do grupo que não o quis fazer. Não por não ser cidadão dos EUA mas por achar ridícula toda aquela excitação, mais a mais por causa dum fulano que teve que resignar à presidência da forma que sabemos, abandonando a Casa Branca pela porta baixa.

Mais valia tirar uma foto com o Manuel Bola, que conheci pessoalmente, era de Setúbal e me diria muito mais do que um distante Nixon.

 

Fonte: José Brissos-Lino, 30/12/16.

 

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