O melhor do mundo

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 “Os americanos caem sempre na conversa que a América é o melhor país do mundo.”

Richard Zimler

 

Quem o diz é um cidadão nascido nos Estados Unidos e que também possui a nacionalidade portuguesa, logo, dificilmente poderá ser acusado de antiamericanismo.

Deixem-me começar por dizer que os Estados Unidos são um país admirável em muitos aspectos, mas também detestável noutras áreas. A forma como foi fundado, a sua história, as suas liberdades, os seus avanços técnico-científicos, culturais e intelectuais creditam a seu favor. Por outro lado, a pena de morte (em diversos estados), o racismo, a inexistente solidariedade social e a falta de regulação mancham a reputação nacional.

Para compreender a América tem que se começar por perceber que há um país desenvolvido, que inclui os estados da costa atlântica, o Illinois e também a Califórnia e o estado de Washington, na costa do Pacífico e depois um país muitos furos abaixo, em particular no Midwest, com base nos chamados red necks. O país avançado é o das grandes universidades (das melhores do mundo), do conhecimento, da I&D, enquanto os cidadãos dos estados menos desenvolvidos nem sequer têm consciência do seu país e muito menos do mundo.

Talvez esta ignorância generalizada esteja justamente na base dessa ideia feita de que fala Zimler. Quem nunca saiu do seu chão e desconhece como se vive pelo mundo fora certamente pensará que vive no melhor país do mundo. Estou convicto que muitos norte-coreanos diriam o mesmo.

Mas a afirmação de Zimler vai mais longe. Ele fala em “cair na conversa”, ou seja, refere um discurso pré-concebido, uma narrativa formatada, um conteúdo político que pretende considerar os inferiores todos os outros países do mundo. Tenho amigos americanos que viveram com as famílias em Portugal durante alguns anos e que afirmavam à boca cheia que a qualidade de vida no nosso país era muito superior à da sua terra.

Quando se sabe que os cuidados de saúde são um luxo fora do alcance dos pobres, ou que a educação é paga a preço de ouro, não estamos a falar de uma população com coesão social. A situação dos que não conseguiram vencer na vida e acabam a viver na rua, ou a de muitos veteranos de guerra com stress pós-traumático ou outras mazelas, inteiramente entregues à sua sorte revelam bem as injustiças sociais predominantes.

Basta olhar para os números da população prisional do país para aferirmos da saúde e justiça social duma sociedade. E na sociedade americana tais números são impressionantes.

Mas há uma coisa que muito admiro nos cidadãos do tio Sam, o seu patriotismo assumido. Nisto sim, são bem melhores do que nós.

 

Fonte: José Brissos-Lino, 13/1/17. 

 

 

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