Como ainda estamos tão longe…

 

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O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.

Immanuel Kant

 

Segundo estudo da Pordata, de 1992 a 2015 a percentagem de portugueses com o ensino secundário completo mais do que duplicou, passando de 19,9% para 45,1%. Ainda assim ficamos atrás de Espanha, Grécia, Irlanda e Itália, que praticamente duplicaram o seu score, mas tendo partido de números muito melhores. Deste modo, enquanto todos esses países variam agora entre os 60 e os 80%. Nós ainda nem chegámos a metade da população.

Isto significa que se exige que o esforço nacional em matéria de educação ganhe ainda mais fôlego. Na sociedade do conhecimento não é possível assobiar para o lado e conformarmo-nos com a situação, pensando que podemos competir em condições tão desiguais.

A vulgar conversa de café dirá: mas para quê dedicarem-se ao estudo se depois as pessoas são obrigadas a emigrar, por falta de trabalho por aqui? Outros, ainda, dirão: o país está a esbanjar recursos com a formação superior de tantos jovens que depois vão trabalhar para fora. É sabido que o que se chama senso comum é inimigo da investigação científica, pois muitas vezes aquilo que parece não é.

Investir em pessoas é essencial num país que não dispõe de petróleo, gás ou metais e minerais valiosos. As pessoas são a riqueza do país. Quanto mais valorizadas se tornarem mais valor Portugal terá. Além disso vivemos num espaço europeu, com livre circulação de cidadãos e num mundo global, o que significa que, se nos distrairmos com o investimento na educação corremos um sério risco de, amanhã, termos quase só estrangeiros como administradores, quadros técnicos e especialistas nas empresas nacionais, por estarem muito mais preparados e melhor formados.

No mundo contemporâneo não serão os nacionalismos que nos poderão salvar, nem os populismos, que redundam sempre em desgraça de acordo com o testemunho da História. O que pode fazer a diferença num país pequeno, pobre e periférico como o nosso é dispor de uma população activa bem preparada, pronta para assumir as empresas, instituições e organizações no país e fora dele.

É sabido que as leis podem ser relativamente rápidas a elaborar e promulgar, mas o que demora imenso a mudar são as mentalidades. E a velha mentalidade salazarista ainda persiste nalguns espíritos. Poucos estudos, nada de cultura, muito trabalho e nada de fazer ondas. Pobretes e alegretes.

Como ainda nos encontramos tão longe no processo de recuperação do nosso atraso secular. Pois se ainda há cem anos o rei D. Carlos achava que o país era uma “piolheira”…

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 27/1/17.

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