A cimeira do Sul

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O grupo recentemente reunido na cimeira de Lisboa – Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia, Chipre e Malta – inclui dois dos países fundadores da então CEE e três das maiores economias do espaço europeu.

Considerando o Brexit e como agora já não se conta com a Grã-Bretanha, os sete países da Europa do Sul representam no conjunto cerca de metade da população de toda a União Europeia. Ou seja, quase 200 milhões em 440.

Daí que não se consiga compreender a reacção desvalorizadora de Passos Coelho, por surgir tão descabida, em especial por vir dum antigo governante e actual líder da oposição. A menos que se entenda dentro da linha de oposição feroz e irresponsável que agora encetou, o que não admira, pois quando era governo nunca fez mais do que dobrar a espinha todos os dias ao senhor Schauble…

Há muito que os países do Sul, tão prejudicados que estão no Sistema Monetário Europeu (SME), com o euro, se deveriam ter reunido para tomar posição perante a todo-poderosa Alemanha, procurando defender os seus interesses e potenciar as suas possibilidades.

Desde logo há problemas comuns a tratar, como o caso dos refugiados ou o dos efeitos perversos da moeda única nos periféricos.  Mas também porque alguns dos europeus do Norte consideram estes países como parentes pobres da EU, a quem estão constantemente a querer dar lições e a exigir aquilo que eles próprios não cumprem. Mas o maior problema é cultural. Alemães e austríacos, por exemplo, pensam, (quando não dizem mesmo) que os europeus do Sul não gostam de trabalhar. Mesmo quando a evidência de uma tradição migratória dentro de portas lhes prova todos os dias o contrário. Toda a gente elogia o desempenho profissional de portugueses nos países do Norte e Centro da Europa. Mas aquela superioridade germânica é mais forte e, contra as evidências, considera inferiores os povos do sul.

Coitados. Esquecem que foram os povos do Sul que construíram a Europa. O que seria dela sem os constructos dos antigos gregos, do mundo latino e do cristianismo? Quem mais lançou os fundamentos da civilização ocidental, sem esquecer a influência judaica e islâmica a espaços?

Mas não. Os adoradores do sol não aguentam que os povos mediterrânicos gozem da presença dessa “divindade” durante boa parte do ano. Não lhes resta outra opção senão trabalhar a maior parte do ano sem ver o sol, enquanto os do Sul trabalham e gozam este sol que os outros invejam.

Não que tenha saído alguma coisa que se veja desta cimeira, mas o sinal político está lá, assim como a decisão de continuar estes encontros. Resta saber se, apesar da diversidade ideológica e dos interesses nacionais, os sete são capazes de agir em conjunto. A Europa bem precisa disso.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 3/2/17. 

 

 

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