O reino (afinal) sempre parece que é deste mundo

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Fico atónito com o expediente de muitos direitistas que tentam a todo o custo relativizar os perigos da personagem política Donald Trump e as consequências destes primeiros e tempestuosos dias de governação na Casa Branca.

Primeiro começaram por defendê-lo da forma mais patética, isto é, dizendo que a maior parte dos disparates saídos daquela boca para fora eram mera estratégia eleitoral.

Depois veio o discurso de posse, ao que consta escrito pelo tenebroso senhor Bannon, que quebrou com a regra de sempre, de respeitar os anteriores presidentes da nação, e que não passou de um conjunto de slogans eleitorais, como se ainda estivesse em campanha.

O discurso da direita passou a defender então que não se poderia criticar um presidente eleito democraticamente em eleições livres. Era o que mais faltava. Um político eleito nas urnas não equivale necessariamente a um governante democrático. Exemplos? Duterte, nas Filipinas ou Mugabe, no Zimbabwe, penso que serão suficientes.

Finalmente chegou-se à governação, transformada em reality show, com um acto litúrgico encenado para cada lei assinada, com declarações desencontradas entre ele e os membros da sua administração, com a defesa despudorada da tortura, com as ameaças aos funcionários públicos que dele discordam (e o expressaram ao abrigo da lei americana), com as ameaças à China, as interferências na União Europeia, os ataques ao poder judicial e muito, muito mais.

Em particular fico pasmado com o apoio acéfalo de tantos líderes religiosos americanos, que estão a dar tiros nos pés todos os dias com esta atitude, vendendo-se por um prato de lentilhas. Vão torcer a orelha no futuro.

Um dos últimos disparates foi, há poucos dias, a intenção expressa pelo próprio Trump de alterar uma lei antiga (e republicana) que impede as igrejas e os líderes religiosos de apoiar candidatos em eleições. Vai ser lindo, vai. Em particular, o evangelicalismo americano  pode implodir com esta irresponsabilidade.

Não que me incomode, apenas me incomoda que o nome de Jesus Cristo – com cuja figura Donald Trump não tem o mínimo de identificação, como se vê – ande prestes a ser arrastado pela lama, devido à vaidade de uns e à sede de poder de outros.

JB-L

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