O fenómeno da corrupção – I

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O fenómeno da corrupção cativa hoje as primeiras páginas dos jornais e a abertura dos serviços de notícias das televisões em quase todo o mundo. Os processos judiciais mais mediáticos andam à volta do nepotismo, abuso de poder, abuso de confiança, branqueamento de capitais e corrupção. Chegámos a um ponto em que todos desconfiam de todos. A sociedade está a apodrecer de dia para dia.

Até no plano político se tem vindo a perder a essência da discussão democrática, isto é, a troca de ideias e projectos de sociedade, em nome da afirmação da integridade dos actores políticos (o que em condições normais seria redundante). A ideologia passou decididamente para segundo plano, sendo substituída por um pragmatismo cinzento, embrulhado numa aparente seriedade e num carácter pretensamente impoluto.

As populações parecem ter passado da antiga reverência aos governantes e figuras de autoridade, então intocáveis, para uma desconfiança metódica e um maldizer persistente, estribados em processos de intenção incapazes do mínimo escrutínio. Do oito para o oitenta. Mas a verdade é que os políticos muitas vezes também não se dão ao respeito e vão sendo impiedosamente despidos em praça pública por uma sociedade mediática, na qual a comunicação se vulgarizou e todos os dias se grita que o rei vai nu.

As rádios e televisões privadas, a internet e as redes sociais contribuíram fortemente para esta situação, que se verifica à escala global. O governo reconhece que “A corrupção é um sério obstáculo ao normal funcionamento das instituições. Revela-se como uma ameaça aos Estados de direito democrático e prejudica gravemente a fluidez das relações entre os cidadãos e a Administração, bem como obsta ao desejável desenvolvimento das economias, ao normal funcionamento dos mercados e à livre e sã concorrência.”

Mas porque razão as pessoas corrompem e se deixam corromper? O filósofo Manuel Sérgio fala de duas grandes taras do homem moderno: o Ter e o Poder. Eu acrescentaria uma outra, o Parecer. As pessoas entram na roda da corrupção impulsionados pela presente sociedade materialista, que associa o prazer e até mesmo a felicidade à capacidade de possuir determinados bens. Um falso conceito que a publicidade comercial veicula todos os dias nos meios de comunicação e que começa por influenciar desde logo as crianças e as gerações mais jovens.

Mas também o Poder motiva os actos de corrupção, até porque está associado ao Ter. A tara do Parecer, porém, é ridícula, até porque lhe falta essência, mas nesta sociedade em que a imagem é que vale, faz sentido, apesar de patética.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 10/2/17.

 

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