Almoço no topo de um arranha-céus

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Foto de Charles C. Ebbets, 1932, publicada no The New York Herald Tribune.

 

Como folhas presas no mesmo ramo
procurando no topo o lugar
do sol. Enquanto no solo 
pequenos seres
raspam no chão o musgo, procuram
ganhar o dia, correndo sob o mistério.
Só quando o ocaso desce, saem das alturas
e se misturam na multidão.

31-03-2017 
© João Tomaz Parreira

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A ignorância continua

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A ignorância dos jornalistas sobre o fenómeno religioso mantém-se. Na peça televisiva a jornalista afirma que esta é a primeira tradução da Bíblia realizada por um académico e não por um padre católico. Esquece (ou ignora) a primeira tradução das Escrituras para a língua de Camões, feita a partir das línguas originais, pelo pastor protestante João Ferreira de Almeida em finais do século XVII…

A cidade e os signos

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Setúbal viveu no último ano a experiência de ser a Cidade Europeia do Desporto, que desenvolveu nas dimensões do alto-rendimento, da competição e do espectáculo, tendo recebido grandes competições e eventos nacionais e internacionais. Para isso associou-se com o Comité Olímpico de Portugal, o Comité Para-Olímpico de Portugal, a Confederação do Desporto de Portugal, as Federações Desportivas Nacionais e Internacionais, Associações Regionais, tecido empresarial e movimento Associativo do Concelho.

Um dos aspectos mais notórios a assinalar foi, por exemplo, ter feito regressar a Volta a Portugal em Bicicleta, depois de muitos anos de ausência, numa das etapas mais espectaculares na passagem pela Arrábida.

Foi uma aposta ganha, quer pelo contributo geral prestado ao desporto, quer pela visibilidade assumida.

Mas não menos importante é que a cidade mantenha esta dinâmica, tirando partido da experiência entretanto acumulada.

As cidades são como as pessoas, precisam de revelar determinadas características únicas, sob pena de, a não o conseguirem, se tornarem indistintas e descaraterizadas. Têm que ter alma, caso contrário não passam de subúrbios, dormitórios ou conjuntos de bairros.

Setúbal tem uma cultura própria que precisa ser tida em conta no seu projecto de desenvolvimento. Creio que isso está a acontecer em grande parte. Nos últimos tempos não se tem limitado ao betão. Pelo contrário, apostou no turismo, através do desenvolvimento do parque hoteleiro e de iniciativas no âmbito da restauração, mas também na cultura, com a criação de infraestruturas dedicadas a uma oferta cultural regular e de qualidade. A atracção da ficção televisiva – em especial desde a novela Mar Salgado – tem contribuído para colocar Setúbal no mapa.

Compatibilizar a criação de condições para as empresas industriais que aqui operam, em nome do emprego e da riqueza produzida, mas sem prejuízos para o ambiente, assim como a atracção de novo investimento amigo do ambiente, o desenvolvimento turístico, através do reforço dos sectores hotelaria-restauração-cultura-comércio local, e a promoção da marca Setúbal, para a necessária visibilidade num mundo altamente competitivo, é o desafio que temos pela frente.

Nem tudo está bem, é claro. Entre outros problemas, o IMI está muito elevado, o estacionamento pago começa a ser exagerado, há alguns erros na rede viária e persistem riscos de acidentes industriais perigosos, como ainda há pouco se viu. Mas os bons sinais estão à vista para quem os quiser ver.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 24/3/17.