O Cavaquinho

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“A realidade ultrapassou-me.” (Cavaco Silva)

 

Não há nada pior do que um homem mesquinho. Um revisionista que pretende reescrever a História, e para isso não se importa de rebaixar tudo e todos à sua volta.

Um homem que se pretende a pairar sobre a classe política, mas que é o político com mais tempo no desempenho de altos cargos públicos. Logo, um dos maiores responsáveis pelos destinos do país, para o bem e para o mal.

Um homem que concedeu uma pensão a antigos agentes da PIDE, a odiosa polícia política salazarista e a recusou a Salgueiro Maia, tendo ainda tempo para se queixar da sua “pequena” reforma, que não lhe dava para as despesas, num claro insulto à esmagadora maioria dos reformados e pensionistas.

Um homem que enganou os portugueses, levando-os a confiar no BES, um banco que estava em processo de implosão, entregue a uma cambada de ladrões.

Um homem que afirmou aos quatro ventos que ainda está para nascer uma pessoa mais séria do que ele, mas que acolitou Oliveira e Costa, Dias Loureiro ou Duarte Lima e ganhou umas massas com as acções do BPN, de forma muito suspeita, enquanto o banco se afundava e provocava um rombo nas contas públicas.

Apresenta agora em livro os seus encontros com celebridades pois “ julga que lhe dão lustre e por reflexo provam a sua importância pessoal: presidentes, primeiros-ministros, papas e similares.” Mas é apenas a prova da “vaidade paroquial do homem” que “não tem medida; com os seus três papas, em particular, quase que se baba”, diz Pulido Valente.

Em 1987, quando era primeiro-ministro, Cavaco mandou Portugal votar na ONU contra uma resolução que exigia, entre outras coisas, a libertação de Mandela, a mesma figura que hoje diz admirar… Mesquinhez.

Este livro tem três objectivos: dizer mal de todos os adversários políticos, considerar-se um estadista de primeira água (que nunca foi) e bater no único político, além dele mesmo, que conseguiu uma maioria absoluta, mas que está agora caído no chão, o que revela muito do seu carácter ou da falta dele.

Diz Vasco Pulido Valente sobre Cavaco: “O que ele gostava naquele lugar do Estado era da proeminência que a situação lhe dava e da sensação de pertencer aos regentes do mundo.” E acrescenta: “ao ler estas 500 e tal páginas sem uma ideia, sem um pensamento sobre a situação e o futuro de Portugal, sem uma crítica ao sistema político, mas saturadas de uma satisfação incompreensível, não consegui esquecer Eça e os seus políticos: o conde de Abranhos, o conde de Gouvarinho, o genial Pacheco e o conselheiro Acácio.” Ou seja, um imenso ridículo.

Como Miguel Sousa Tavares, digo: “Ele que continue a escrever a sua história: a História jamais o absolverá”.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 3/3/17.

 

 

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