A culpa é do Cavaco!

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“Para mim, na vida, um vintém é um vintém, um cretino é um cretino. São valores absolutos.” (Manuel Machado)

 

Sim. Quem inventou a treta do “bom aluno” da Europa? Cavaco. Pois é. Quem se põe de cócoras sujeita-se a levar um pontapé no rabo.

Numa entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, publicada no domingo, Jeroen Djisselbloem afirmou: “Como social-democrata, considero a solidariedade um valor extremamente importante. Mas também temos obrigações. Não se pode gastar todo o dinheiro em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda.” O holandês referia-se explicitamente aos países do Sul, em particular aos que estiveram ou estão sob resgate.

As reacções portuguesas foram exemplares, tanto do governo como da oposição e da presidência da república. O primeiro-ministro exigiu mesmo o afastamento do desbocado Djisselbloem da presidência do Eurogrupo.

O discurso do político europeu é admissível e não pode ser desculpado, porque não se trata duma piadola nem duma tirada infeliz, mas duma mentalidade predominante nalguns sectores da direita dos países do norte, em especial alemães, austríacos e alguns nórdicos. Trata-se do discurso duma pretensa superioridade moral, transformada num moralismo bacoco. Eles pensam que trabalham mais do que os europeus do sul mas é falso. Haverá menor produtividade no sul mas isso não pode ser atribuído aos trabalhadores mas sim às empresas e às formas de organização do trabalho. Eles pensam que são mais sérios e responsáveis, mas também isso é falso. Há de tudo, lá como cá.

Por outro lado, este cretino devia estar calado. Se tivesse vergonha na cara fazia como outros que se demitiram de cargos públicos por terem falsificado o seu currículo. Este Djisselbloem inventou um falso mestrado…

E que moral tem ele para falar de outros países quando a sua Holanda ajuda as empresas europeias a fugir aos impostos nos países de origem?

Bem sabemos que Djisselbloem disse o que disse a fim de receber o apoio de Schauble para continuar no posto, depois da tremenda derrota eleitoral que o seu partido trabalhista sofreu nas recentes eleições. Como se viu.

Mas só uma Europa sem vergonha na cara poderá aceitar a continuidade deste espécime à frente do Eurogrupo. Os do sul porque, a não reagir, mostram que não são “filhos de boa gente” e os do norte porque, a não reagir, mostram que concordam com a alarvidade que saiu daquela boca.

Volto a dizer, a montante disto está alguém que um dia se colocou de cócoras perante a Europa, o “bom aluno”.

Se o “espírito europeu” passa por apreciações moralistas de superioridade, então mais vale cada um ir à sua vida.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 31/3/17.

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