A praga das notícias falsas

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Nos três meses anteriores às eleições presidenciais norte-americanas verificaram-se quase nove milhões de partilhas, reacções e comentários a notícias falsas no Facebook, um fluxo que chegou mesmo a ultrapassar o de publicações de jornais conceituados. Esse inédito movimento de notícias falsas está sob suspeita e a ser investigado pelo FBI, essencialmente por serem quase em exclusivo a favor de Trump e contra a candidata democrata, Hillary, ao que parece tendo resultado da cooperação entre a imprensa digital de extrema-direita e os russos, que terão disseminado tais peças pelas redes sociais.

Tal fenómeno não é inocente. Um dos autores desses boatos já veio pedir desculpa pelo facto de o seu site ter acusado Hillary Clinton e o seu director de campanha de gerir uma rede de pedofilia debaixo da pizzaria Comet Ping Pong em Washington. O proprietário revela que já gastou cerca de 70 mil dólares em reforço de segurança no restaurante depois dum incidente em Dezembro passado, quando um indivíduo entrou pela pizzaria aos tiros.

Além dos conflitos pontuais que provocam, as notícias falsas ameaçam a democracia, estupidificam os cidadãos e geram confusão na vida cívica. De acordo com a Sábado:“Segundo um inquérito do think tank norte-americano Pew Research Center, cujo levantamento foi feito entre o dia 1 e 4 de Dezembro de 2016, 64% dos adultos norte-americanos admitem que sentem ‘uma enorme confusão’ em relação à actualidade.”

Além do mais tem um efeito perverso, pois um em quatro dos americanos inquiridos admite já ter partilhado uma notícia falsa, mesmo sem estar seguro da sua veracidade, o que provoca um efeito multiplicador.

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Mas existe uma outra razão para o fenómeno. É que há uma grande falta de confiança, em muitas regiões do mundo, na imprensa séria, o que leva alguns consumidores de informação a procurarem fontes alternativas de notícias.

Isto não é uma brincadeira. Tem objectivos políticos, mas também há muita gente a ganhar dinheiro com sites e páginas em redes sociais de carácter temporário. Estudos como o da Human Communication Research indicam que as pretensas notícias são redigidas com o objectivo de provocar uma reacção irada nos leitores, que assim tendem a partilhar a falsa notícia, multiplicando o número de visualizações e, portanto, de dinheiro em caixa.

Steve Bannon foi nomeado conselheiro de Trump e chefe de estratégias da Casa Branca. Ele é o antigo director dum site de notícias falsas (“Breitbart”), com ligações à extrema-direita. Enquanto isso, jornalistas do The New York Times, CNN, BBC, LA Times, New York Daily News e Daily Mail foram proibidos de assistir a um briefing do porta-voz da Casa Branca. É o mundo ao contrário.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 7/4/17.

 

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