Não estraguem (ainda mais) o futebol!

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Sabem como acabava em três tempos o excesso de agressividade, a violência e o crime no mundo do futebol? É simples.

No âmbito governamental. Exigir à Federação Portuguesa de Futebol medidas duras que disciplinem o comportamento de atletas, técnicos, dirigentes e clubes, com vista à pacificação do mundo desportivo.

No âmbito das organizações desportivas. Criar um regulamento rigoroso sobre o comportamento público e declarações de dirigentes e treinadores, com sanções pesadas, de preferência suspensões automáticas de todas as funções no clube e que poderiam ir, no limite e em caso de reincidência, à irradiação do futebol federado. Esse regulamento incluiria a apreciação de intervenções nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais.

Acabar com as claques (organizadas ou não) que são coios de marginalidade, fontes de violência gratuita e geradoras de comportamentos destrutivos e criminosos.

Acabar com os ditos “gabinetes de comunicação” dos clubes, ou então transformá-los nisso mesmo, porque neste momento não passam de gabinetes de intoxicação e propaganda, que reincidem em comportamentos criminosos.

No âmbito da comunicação social. Acordo para acabar em simultâneo com todos os programas de comentário desportivo com representantes dos clubes grandes, que para nada servem senão para acicatar os adeptos irracionais, feridos de clubite aguda e que são muitíssimos, e para criar um clima de suspeição permanente sobre os árbitros e os agentes de disciplina desportiva.

Acabar com as conferências de imprensa semanais dos treinadores, nas quais eles se entretêm a mandar recados para os colegas adversários, e são confrontados com perguntas provocatórias e maldosas de alguns jornalistas, que não têm outra função que não seja criar atritos entre clubes e agentes desportivos, para vender jornais e aumentar audiências.

Portugal é hoje campeão europeu de futebol. Tem, por isso mesmo, responsabilidades acrescidas no meio desportivo, mas nunca se viu tanta violência física e verbal entre os intervenientes.

Bem sei que nada disto parece exequível. Mas quando assassinarem um árbitro num estádio, talvez então seja possível que o governo venha a correr tomar medidas excepcionais a fim de corrigir o que está mal. E está muita coisa mal.

Há 32 anos teve que acontecer um massacre no Estádio Heysel (1985), no final da Champions, para que o governo de Londres tomasse medidas sérias contra o hooliganismo inglês. Mas como a memória dos povos é muito curta parece que se está à espera que aconteça qualquer coisa do género para então acordar para a realidade.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 21/4/17.

 

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