A mentira

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Os políticos mentem aos cidadãos e eleitores, os comerciais e as seguradoras mentem aos clientes, os produtores mentem aos consumidores, os maridos mentem às mulheres e vice-versa e os filhos mentem aos pais. Vivemos num mundo de mentira em que meio mundo anda a enganar a outra parte. Mentir tornou-se uma táctica conveniente, uma aparente necessidade, uma atitude piedosa, uma brincadeira inocente, uma arte superior.

No seu livro “A verdade sobre a mentira”, María Jesús Reyes afirma: “mentimos por hábito, para nos protegermos; para agradar aos que nos rodeiam, obter benefícios, melhorar a nossa imagem; mentimos por insegurança; às vezes mentimos por amor; para ser educados e diplomáticos; para esconder alguma coisa que fizemos de errado. Mentimos, muito frequentemente, para enganar, manipular e nos aproveitarmos dos outros.”

Um jovem e excelso deputado da república já afirmou publicamente, sem corar, que se os candidatos às eleições não mentirem não conseguem fazer-se eleger, legitimando assim o engano consciente e objectivo a que os cidadãos são ordinariamente sujeitos por parte do pessoal político.

Está, portanto, entranhado na cultura política, que mentir é uma necessidade e uma inevitabilidade. Por isso, mente-se à esquerda e à direita, sem pruridos de consciência. O politólogo António Costa Pinto, citando o caso de Sócrates, diz que: “As construções ideológicas determinam, muitas vezes, que a mentira não seja excessivamente penalizada.” 

Na pré-campanha eleitoral de 2011 Passos Coelho afirmou a pés juntos que, a ser eleito, não faria cortes, mas bastaram pouco mais de dois meses para eles chegarem em força.

O DN recordou há dias que: “Também Cavaco Silva tropeçou na verdade, ou pelo menos em meias-verdades, quando ainda Presidente da República, em janeiro de 2011, se lamentou por não ganhar para pagar as despesas, omitindo que recebia mais de 10 mil euros brutos como aposentado.”

Também Marcelo mentiu a Paulo Portas, no início dos anos noventa, relatando-lhe ao mais ínfimo pormenor um jantar que nunca existiu, e que ficou conhecido como o “caso vichyssoise”.

Mas a verdade é que o eleitorado está hoje mais desperto para exigir o cumprimento das promessas. Por isso, ainda segundo Costa Pinto, nos últimos anos há uma exigência cada vez maior para que a elite política não faça promessas eleitorais acima das suas possibilidades. Reys diz: “Os políticos estão treinados para mentir sem que se note demasiado. Por isso, é aconselhável confirmar dados em diferentes fontes, evitar a aceitação acrítica dos seus argumentos, detectar as contradições entre o que dizem e o que fazem e, acima de tudo, ter cuidado com aqueles que prometem soluções rápidas e simples para problemas complexos. E, claro, observar a sua linguagem corporal.”

Apetece dizer: cuidado no próximo domingo, franceses…

 

 Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 5/5/17.

 

 

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