Trump a carvão

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Com o pretexto do egoísmo nacionalista Donald Trump rasgou o acordo de Paris, em nome dos EUA, e revelou-se desta vez um político a carvão. Sim. Um político do século XIX.

Não é por acaso que os problemas ambientais constituem uma preocupação crescente entre os governos de todo o mundo. De fora do Acordo de Paris sobre o clima – alcançado em 2015 e assinado no ano passado – só estavam até agora a Síria e a Nicarágua.

Ele não entende que já não vivemos na fase dos nacionalismos e que este é um problema sério à escala global. Trump afirmou, na sua declaração à imprensa: “Fui eleito para representar os cidadãos de Pittsburgh, não os de Paris!” Ora, isto é uma declaração profundamente estúpida, quando se trata do clima, pois, que se saiba, tanto Paris como Pittsburgh são cidades do planeta Terra…

Diz que sai, mas logo a seguir diz: “Estou disposto a negociar com os líderes democráticos para regressar ao acordo dentro de uma conjuntura mais favorável. Ou até para assinar um novo acordo. Vamos sentar-nos com os democratas e com quem representa o Acordo de Paris para negociar. Até que isso seja feito, estamos fora”. O homem não sabe o que quer. Claro que os líderes europeus responderam de imediato fechando a porta a qualquer negociação. Os assuntos sérios não são para brincar…

A América não é uma empresa, é um país. Trump continua a ser um empresário e não um político, muito menos um estadista.

O que torna esta decisão ainda mais estranha é que largos sectores do mundo empresarial e da inteligência americana compreendem a importância do controlo do aquecimento global e estão na disposição de optar cada vez mais pela economia verde. Eles sabem que os recursos naturais não são inesgotáveis, e que os crimes contra o ambiente pagam-se caro e com juros elevados, tanto na nossa geração como nas que nos sucederem.

Este tratado internacional foi negociado por 195 países representados na conferência da ONU sobre o clima (COP21), e define a redução do aumento global das temperaturas médias da atmosfera, a fim de atenuar o impacto das alterações climáticas no planeta. Estabelece o objectivo de impedir que as temperaturas médias globais até ao final do século XXI subam mais de 2 graus Celsius, de preferência não mais de 1,5ºC, por comparação com as que se registavam na era pré-industrial.

Para esse efeito torna-se imperioso reduzir substancialmente as emissões de gases com efeito de estufa (entre os quais o dióxido de carbono), mas sem estabelecer metas e aceitando as contribuições nacionais apresentadas por cada um, prevendo a sua revisão de cinco em cinco anos, após 2020.

Os Estados Unidos são o segundo maior poluidor do mundo… Um dia Trump vai entender que, se face a este problema não tivermos todos muito juizinho, nem na Trump Tower ele vai estar a salvo.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 9/6/17.