Gato espanhol com rabo português

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Em cima da recente catástrofe dos fogos, há dias, o jornal espanhol de direita “El Mundo” publicou algumas peças assinadas por pseudónimo. Numa delas dizia-se que a carreira política de António Costa estaria acabada, devido aos ditos acontecimentos.

A comunicação social portuguesa fez logo eco do tema, pois ninguém por cá tinha dito coisa parecida, e até o moderador da “Quadratura do Círculo” (SIC Notícias) lançou mão da afirmação, tentando atribuir-lhe importância, mas não recebeu resposta consonante dos membros do painel.

Lendo Camilo Lourenço e alguns outros colunistas de direita na imprensa portuguesa, verificou-se que esse era justamente o desejo inconfessado, mas ninguém o afirmou e muito menos de forma categórica, como fez o autor em questão, que se escondeu atrás de nome falso, na publicação espanhola.

A nossa imprensa tentou perceber quem seria o responsável do texto e, depois de muitas hesitações e atrapalhações da direcção do jornal, entendeu-se que seria um português (jornalista?), apresentado como correspondente do “El Mundo”, mas também isto é falso, pois o jornal não tem correspondente em Portugal e recusou-se a identificar o escriba. Crê-se, por isso, que tenha sido um português com agenda política, um verdadeiro gato espanhol com rabo português.

Ou seja, a direita anda tão desesperada com esta governação e com as sondagens conhecidas, que partiu para um golpe baixo, tentando semear no país, a partir de fora, uma situação adversa ao primeiro-ministro.

Há ainda uma outra razão para este acto de desespero. É que Marcelo tem mantido uma postura presidencial de isenção – o que os irrita profundamente – e tem conseguido um elevadíssimo apoio popular, não manobrando como chefe da oposição, coisa que já no passado aconteceu mais do que uma vez com outros inquilinos de Belém. Eis porque os ataques ao presidente da república têm ficado entregues às segundas linhas, como o deputado Hélder Amaral (de forma absolutamente desastrada) ou o economista Vitor Bento.

Há uma coisa que convém a direita entender de vez. Se quer ganhar eleições e governar tem que dizer ao país quais são as suas políticas alternativas, como pretende implementá-las, com que instrumentos e agentes, em vez de se limitar a dizer mal do governo, dia sim, dia sim.

Também convém que não passe a ideia de desgosto de cada vez que o governo obtém uma vitória política, económica ou diplomática. O país não gosta disso e o patriotismo não se pode reduzir a uma coisinha metálica pendurada na lapela do casaco.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 30/6/17.

 

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