Billy Preston – You Are So Beautiful

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As porcarias que andamos a ler

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Eu sei que os tempos são outros, bem diferentes de quando ouvíamos e víamos profissionais da comunicação com desempenhos notáveis. Recordo, apenas como exemplo, Fernando Pessa e Maria Leonor. Mas não deixa de ser confrangedor o que se lê hoje nos jornais (?) que andam por aí.

Olhemos dois títulos da edição de ontem do inefável Correio da Manhã.

Chester Bennington foi encontrado enforcado pela empregada

Para qualquer alma que tenha alguma vez aprendido a língua portuguesa, a frase significa que o cantor teria sido assassinado pela empregada, e que esta o teria enforcado… Quando, afinal, o que a notícia refere é que a empregada o terá encontrado na situação de enforcado.

Não se poderia ter escrito qualquer coisa do género: “Empregada encontra CB enforcado”?

Outro caso.

Portugal punido por sexo de mulheres aos 50 anos

Neste caso, o que a frase afirma é que, ou o país teria sido castigado pelo sexo entre mulheres com aquela idade (lésbico), ou que Portugal teria sofrido punição por ter feito sexo com cinquentonas… Afinal, a notícia refere o já célebre acórdão apatetado dum juiz, que acha que as mulheres a partir dos 50 não precisam de actividade sexual nem aspiram a tal coisa, tendo sido punido por tão aberrante posição.

Bem sei que os títulos são responsabilidade das chefias nas redacções, mas por favor poupem-nos a tanta parvoíce ou incompetência. Sei lá…

 

 

 

Desamparem a loja

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CARLOS SANTOS / GLOBAL IMAGENS

 

Ontem ligaram-me amigos meus de Lisboa a perguntar se estava bem, em razão do incêndio que deflagrou no campo atrás do Hospital da Luz, em Setúbal. Estavam a ver as reportagens na televisão, que falavam de pessoas a fugir na rua, em pânico e na evacuação de cerca de 500 habitantes.

Como é bom de ver as pessoas foram evacuadas por precaução. Os bombeiros e as autoridades fizeram o seu trabalho. Não se pode ser preso por ter cão e por não ter. Se alguém morresse havia de ser bonito… O fogo foi controlado e as vidas e bens das pessoas foram protegidos.

Como moro no centro da cidade e nem fumo, nem cheiro, nem cinzas cá chegaram (o sentido do vento levou tudo isso noutra direcção) nem me apercebi da dimensão do fogo. Daí ter recorrido à televisão para me informar. E o espectáculo mediático, meus amigos, é lamentável. Ouvi uma jovem repórter na Reboreda a perguntar umas 7 ou 8 vezes a um mesmo popular se não tinha entrado em pânico, se não tinha tido medo, se não tinha ficado desesperado. Desculpem, mas isto não é jornalismo, é agressão psicológica…

As audiências não podem valer tudo. Há que ter respeito pela profissão, pelos cidadãos e pelos consumidores da informação, ao serviço de quem se está. Já para não falar dos directos nos quais não há nada a acrescentar, e se opta por repetir as mesmas palavras, informações e ideias.

Neste momento parece que há dois sectores da sociedade portuguesa desejosos de se alimentar de catástrofes. Por um lado a comunicação social, para ganhar audiências e obter os correspondentes proveitos da publicidade. Por outro lado a oposição política, que vê a desgraça como possível janela de oportunidade em matéria de ganhos políticos e eleitorais. Não há pachorra…  Por favor vão ver filmes de acção, jogar paintball, enfim, desamparem a loja, ok?