Discriminação religiosa disfarçada?

cg

 

Segundo o jornal Público “uma família cigana foi impedida de enterrar um familiar no cemitério local e acusa a autarquia de discriminação. O caso aconteceu na Freguesia de Cabeça Gorda, no concelho de Beja, e a advogada da família defende que a decisão não só é inconstitucional, como é ‘um caso de evidente exclusão social”.

A autarquia terá alegado que o enterro foi recusado pelo facto de José António Garcia, que também era pastor da Igreja Evangélica de Filadélfia, de 55 anos, não ser natural ou residente na freguesia.

De acordo com o testemunho dum familiar do falecido, o argumento para a recusa da autarquia foi que o corpo deveria ser enterrado em Pias, onde morreu, ou em Mértola, a sua terra de nascimento. Porém, Prudêncio Canhoto, o mediador cigano da câmara de Beja, afirma que “o falecido estava casado com uma senhora da Cabeça Gorda e que residia há quase dois anos nesta localidade”. Além disso o indivíduo era morador recenseado naquela freguesia.

Como seria de esperar tanto a família do falecido com a comunidade cigana de Beja ficaram revoltadas, tendo interposto uma acção judicial contra o presidente da Junta de Freguesia da Cabeça Gorda e solicitado a intervenção do Alto Comissariado para as Migrações.

O argumento peregrino de Álvaro Nobre, o presidente da Junta, foi que o “falecido passava a maior parte do seu tempo noutras freguesias vizinhas”. Mas tanto a Associação Nacional dos Mediadores Ciganos como outras que repudiaram a atitude prepotente do autarca perguntam se “às pessoas não ciganas de Cabeça Gorda que, por questões laborais, passam a maior parte do seu tempo fora da freguesia” o critério do autarca seria o mesmo.

Este conjunto de associações emitiu um comunicado onde considera que o autarca revelou “um desrespeito moral e físico pelo cidadão falecido e sua família, além de ser claro estarmos perante um acto de discriminação racial”. Consideram ainda ter havido uma notória violação da lei, pelo que anunciaram a intenção de recorrer às instituições democráticas e judiciais com vista à obtenção de justiça e à punição do autarca.

Mas não parece que devam recorrer apenas à ministra de Administração Interna, ao ministro-adjunto Eduardo Cabrita, através da secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade e Alto Comissariado para as Migrações, ao Comité Central do PCP e aos partidos da coligação CDU, como terão feito. Também deviam recorrer à Comissão de Liberdade Religiosa, que funciona no ministério da Justiça, pois, embora não seja citado, tudo leva a crer que haverá aqui igualmente uma questão de discriminação religiosa, uma vez que o falecido era pastor evangélico.

Alguém acredita que se se tratasse dum padre o presidente da Junta negaria o enterro na sua freguesia?

 

Anúncios

1 comentário a “Discriminação religiosa disfarçada?”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s