Ainda o jornalismo da treta

pai

Lá vou eu voltar ao tema do jornalismo da treta. Desta vez dou voz ao jornalista Daniel Oliveira (Facebook). Na mouche:

“Hoje vi a gravação de uma entrevista em direto (que não reproduzo aqui), feita pela TVI, ao pai da criança que morreu na Praia São João. Ainda houve alguém que tapou a objectiva e tentou convencer o pai, visivelmente perturbado e provavelmente em estado de choque, a pôr fim a uma entrevista a quem, ainda de tronco nu e depois de ver a sua filha morrer, não estava em condições emocionais para falar. É nestes momentos que os jornalistas se tornam inimigos dos cidadãos e de si mesmos. E têm de ser os seus camaradas os primeiros levantar a voz contra a indignidade. A concorrência pelas audiências é o negócio dos acionistas e dos administradores. O dos jornalistas é informar dentro de um conjunto de regras deontológicas. Uma delas pode ser lida no código deontológico: “O jornalista obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas.” E isso inclui pessoas que até podem querer falar. Parece tão óbvio que nem precisava de estar escrito. Bastariam pessoas decentes e sensatas, coisa que começa no exercício das nossas profissões.”