Apanhados na rede

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“Livra-te, como a gazela da mão do caçador, e como a ave da mão do passarinheiro.” Provérbios de Salomão, 6:5

 

As redes sociais são aquilo que (quase) toda a gente sabe. Uma montra de vaidades, um espaço lúdico, uma ferramenta de massajar o ego, uma plataforma de promoção pessoal e de negócios, e até, nalguns casos mais graves, uma verdadeira cloaca.

Nesse sentido encontramos todos os dias nas redes incitações ao ódio religioso, racial, social, político e sexual. E se formos para os disparates que se dizem em nome de Deus, o caso ganha mesmo contornos patológicos.

O Facebook, em particular, permite a falsa ideia de amizades ilusórias que nunca poderão substituir os contactos pessoais ou as relações sociais e humanas. E ainda bem que é assim.

É impossível debater qualquer assunto sério nas redes, simplesmente porque não foram pensadas para tal. Por outro lado constituem um perigo de manipulação, dada a facilidade de distorcer factos, divulgar notícias falsas e apresentar temas sérios com uma ligeireza muito perigosa. Há hoje uma verdadeira indústria de notícias falsas, alimentada pela lógica da rede, que transforma os likes em dinheiro, sempre que há publicidade envolvida.

O perigo das redes é o contágio do ambiente. Um diz mata e logo outros acrescentam esfola, queima, empala, fuzila, rebenta.

Outro perigo é a dependência. As redes são viciantes. Os comportamentos alteram-se, sempre no sentido negativo da substituição da relações sociais e humanas por contactos e comunicação virtuais, que tendem a sofrer de autenticidade. Ser autêntico face a uma máquina é diferente de o ser frente a uma pessoa que está ali para nós, em relação e contacto psicológico.

Alguns resistem às redes. São uma espécie de últimos heróis dos moicanos. Talvez tenham razão, mas para aqueles que lá estão não é fácil desistir. Até porque as redes sociais têm coisas boas, claro. O colega de escola de quem nada se sabia há dezenas de anos ou o familiar mais afastado que vive no estrangeiro e com quem não havia contacto, mas as redes permitiram essa reaproximação. Ou então coisas mais simples, todavia úteis, como receitas de culinária, truques e dicas para as tarefas caseiras ou advertências em questões legais, de trânsito e outras da carácter social.

Mas também tem perigos, para lá dos vírus. Como é o caso das mulheres abandonadas que criam perfis falsos para se poderem inteirar das relações e movimentações dos seus ex, e fazerem chantagem emocional ou chicana passional, ou actos de assédio sexual, abuso e violação a partir de encontros marcados nas redes.

O melhor, para quem lá anda, é nunca levar a sério nada do que lá se passa.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 1/9/17.

 

 

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