Os avós

dia avós

 

“Há pais que não amam os filhos, mas não existe um só avô que não adore o neto.” (Victor Hugo)

 

Celebrou-se no passado dia 26 de Julho o Dia dos Avós.

A efeméride parece dever-se a Ana Elisa do Couto, uma penafidelense que lutou pela sua instituição. Tal como acontece com todas as datas do género, o pretexto é sempre trazer para a cena mediática um tema e dedicar-lhe a atenção que ele merece, pelo menos uma vez em cada ano.

Afinal para que servem os avós?

Talvez valesse a pena estudar o papel que os avós desempenham no Portugal de hoje, não apenas na perspectiva da afectividade e do apoio aos netos, acompanhando-os à escola ou nos tempos livres, quando os pais estão a trabalhar, por exemplo, mas até do ponto de vista do suporte económico. É sabido que nos anos da troika muitos avós foram muitíssimo prejudicados no seu nível de vida por causa do apoio que se sentiram obrigados a prestar aos descendentes, em razão de desempregos, penhoras, falências e cortes nos salários e prestações sociais.

As instituições de carácter social e solidário verificaram um agravamento inesperado da “pobreza envergonhada”, de idosos que acorreram a receber apoio alimentar, por se terem visto obrigados a apoiar financeiramente filhos e netos desempregados, penhorados e falidos.

Apesar de tudo os avós têm vida própria – coisa que nem sempre os filhos compreendem, julgando-se no direito de os usar à força como amas dos netos e outras conveniências. Lembro-me das palavras que me disse um dia Rosa Lobato Faria, enquanto esperávamos para gravar um programa de televisão: Eu gosto muito dos meus netos, mas recuso-me a ser ama deles por obrigação. Tenho a minha própria vida.

A colega docente Stella António investigou as relações intergeracionais entre avós e netos em Portugal (“Avós e netos – Relações Intergeracionais – A matrilinearidade dos afectos”, 2010, ISCSP, Lisboa). Apesar dos estudos académicos sobre a matéria datarem dos anos quarenta do século XX, a verdade é que no nosso país eram praticamente inexistentes. A investigadora pretendeu saber como é que numa sociedade cada vez mais envelhecida como a nossa as gerações mais jovens se relacionam com as mais idosas e mais especificamente com os seus avós. Esta interessante investigação permitiu detectar fenómenos axiais das relações entre netos e avós, em linha com os resultados obtidos em estudos internacionais, concluindo-se pela existência de relações geralmente mais próximas e intensas com os avós maternos e, dentre estes, com as avós.

Consta-se que perguntaram a uma menina de nove anos o que gostaria de ser quando crescesse. Ela respondeu: – Eu gostaria de ser avó! Quando questionada, explicou: – Porque os avós escutam, compreendem. E, além do mais, a família reúne-se toda na casa deles… Uma avó é uma mulher velhinha que não tem filhos. Ela gosta dos filhos dos outros.

Nenhum cientista social daria melhor definição de avós.

 

 Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 3/8/18.

 

 

 

 

 

 

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