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Um cristão inconformado.

Confiança ou a falta dela

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O exercício de cargos públicos, sejam eles de carácter electivo ou não, baseia-se sempre num pressuposto de confiança por parte dos cidadãos nos indivíduos que os desempenham a cada momento, uma vez que os representam e exercem um poder que lhe entregam em mãos, por via directa, no caso dos eleitos, ou indirecta, no caso dos nomeados.

Pode-se dizer que a legitimidade funcional de tais responsabilidade de cidadania, na polis, procede dessa coisa a que chamamos confiança. Ou seja, trata-se duma relação fiduciária.

Embora o princípio da confiança no desempenho de determinados cargos não seja exclusivo da coisa pública, uma vez que também no mundo empresarial e associativo se verifica, entre outros âmbitos, mas a verdade é que no caso da vida pública os mandatos se exercem em nome de toda a sociedade de um país e não apenas de um universo limitado de accionistas ou de associados.

Vem isto a propósito dos candidatos que se apresentam às eleições autárquicas e que foram condenados em tribunal, tendo alguns cumprido pena de prisão efectiva. A lei permite-o, mas não devia.

Dir-me-ão que qualquer cidadão condenado e com a sua pena já cumprida nada deve à sociedade, não lhe podendo ser limitados os seus direitos políticos. Permitam-me discordar.

No caso de quaisquer outros condenados é óbvio que não deve pesar sobre os tais qualquer impedimento que lhes permita refazer a sua vida profissional e social. O alvo é e deve ser sempre a reabilitação e recuperação social e humana dos criminosos, mas ninguém põe a trabalhar num banco um antigo assaltante de bancos ou como babysitter alguém que já cumpriu pena por abuso sexual de menores… Uma coisa é procurar criar todas as condições para reinserir socialmente os ex-reclusos, outra é colocar a raposa a tomar conta do galinheiro.

Aliás, alguns sectores profissionais como as forças de segurança – e não só – exigem aos candidatos o certificado de registo criminal limpo, justamente devido ao princípio da confiança. Então, se um ex-criminoso não pode ser polícia, porque razão poderá ser presidente de câmara?

Alguns ex-criminosos estão a tentar um regresso à política através da interpretação perversa da legislação que permite as candidaturas independentes, completamente contra o espírito da lei. Não foi para isto que se criou esta lei.

Só uma sociedade adormecida na sua cidadania está disposta a premiar o crime, por muito competente que o ex-criminoso pareça ser. Todos conhecemos a célebre frase de Paulo Maluf, o famoso político brasileiro que dizia: “Eu roubo mas faço!”…

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 18/8/17.

 

Não é hora de ficar calado

Isto é o que membros da Administração Trump e alguns líderes cristãos americanos estão a defender. Seis ou sete neonazis a espancar e tentar matar um jovem negro, que consegue fugir, ensanguentado. “Morre, negro!”, é o que se ouve (ver vídeo).

Violência gera violência.

Os Estados Unidos tiveram uma única guerra civil (1861-1865) por causa do racismo, mais tarde a luta pelos direitos civis, nos anos sessenta, que foi regada com o sangue de mártires como o Pr. Luther King, conseguiram eleger um presidente afro-americano, pela primeira vez (2009-2017), e agora parece que alguém está apostado em fazer a História voltar para trás, em especial desde que Trump levou para a Casa Branca o supremacista branco Steve Bannon.

Compete à Igreja elevar uma voz profética, à semelhança dos profetas do Antigo Testamento e em obediência ao Evangelho. Tudo quanto for menos do que isso é vergonhoso e lamentável.

 

Franklin Graham prestou um mau serviço à América

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Lamento, mas não posso continuar calado.

Quando os nacionalistas brancos marcharam nas ruas de Charlottesville a destilar ódio, agredir e matar, Graham resolveu culpar o governador e quem decidiu a remoção de um monumento racista da cidade, com o argumento de que “deveriam ter sabido” que a decisão não seria popular entre a extrema-direita.

O filho de Billy Graham aponta o dedo constantemente aos autores de ataques terroristas quando são muçulmanos, acusando todo um sistema de crença islâmico e afirmando que “estamos em guerra com o Islão”. Mas desta vez tentou a habilidade de condenar toda a gente menos os arruaceiros e assassinos supremacistas brancos, ou a ideologia nacionalista anti-cristã que professam.

E acrescentou que fazer a ligação natural entre a ideologia de Trump e a dos terroristas de Charlottesville (não lhes chamou assim, como é evidente!) é simplesmente uma tentativa de “Satanás dividir os cristãos”, numa altura em que Trump está a perder grande parte do apoio das igrejas.

Mas todos sabemos que os supremacistas brancos integram a base de apoio político do presidente. Daí ele ter resistido a condená-los, durante dois longos dias, só o fazendo depois de ter sido alvo de duras críticas de toda a classe política, incluindo do seu partido e de ter visto vários colaboradores seus demitirem-se em protesto, na Casa Branca.

A ideologia essencial destes grupos (Ku Klux Klan, alt-right, neonazis, movimento nacional socialista ou Partido Americano da Liberdade) é a de que a raça branca é superior a todas as outras e, por isso, deve dominar a sociedade. O KKK, por exemplo, nasceu em meados do século XIX num Sul que não aceitava a derrota na Guerra Civil americana e o fim da escravatura.

Ora, tal filosofia é profundamente anti-cristã e anti-bíblica, como é bom de ver, e chegou a dividir a poderosa Convenção Baptista do Sul há uns meses.

Os criminosos de Charlottesville vieram descrever publicamente Heather Heyer, a mulher brutalmente assassinada por um jovem nazi, admirador de Hitler, como “uma vadia gorda de 32 anos e sem filhos”. Segundo o DN, a declaração em questão dizia que “muitos estão felizes por Heather ter morrido porque ela era ‘a definição da inutilidade’ e um fardo para a sociedade por não ter filhos – mulheres sem filhos são buracos negros que sugam dinheiro e energia”.

É tristemente curioso ver como Franklin Graham, enquanto líder espiritual americano de relevo, não é capaz de ter uma única palavra de condenação para este tipo de comportamentos, preferindo apoiar cegamente um presidente sem valores nem ética, e cobrindo assim de vergonha todo o povo cristão americano.

E a mim também.

 

O meu amigo Luís Gonzaga lembrou oportunamente que em 1943, o departamento de guerra dos Estados Unidos lançou este vídeo para dizer aos americanos que rejeitassem a retórica fascista. 74 anos depois, este vídeo é profundamente actual. Lembremo-nos todos de que, como escreveu Edmund Burke: “tudo o que é necessário para o triunfo do mal é que os homens bons não façam nada”.

 

Dois golos fantásticos

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O golo do Sferovic não é menos fantástico do que o do CR7, só menos espectacular. Quem diz que foi um frango do guarda-redes do Chaves, só porque a bola lhe passou debaixo da pernas, não sabe o que diz, ou quer desvalorizar a obra de arte do suíço.

O guarda-redes tem um colega de equipa à frente, num espaço muito exíguo e apenas pode fazer a mancha. Ninguém contava era com um toque em jeito e improvável, pelo sítio mais difícil. A beleza do futebol está nisto, não no lixo que todos os dias as televisões nos trazem.