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Somos ricos e não sabemos

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“Esta Península da Outra Banda podia ser um Paraíso.” (Raul Brandão)

 

Uma região que tem golfinhos no rio, javalis na serra, garças e flamingos no estuário e uma das mais belas baías do mundo, pode considerar-se bafejada pela Natureza. Somos ricos e não sabemos.

Apesar da actividade das indústrias pesadas que rodeiam a cidade ainda não vivemos numa região com altos índices de poluição sonora, ar irrespirável ou águas contaminadas. Temos praias e montanha à mão de semear. Podemos nadar e praticar desportos náuticos, caminhar na Natureza, observar roazes-corvineiros, pescar, correr, fazer mergulho, pesca submarina, voo livre e qualquer outra actividade física excepto desportos de Inverno, pelas razões óbvias.

Setúbal foi literalmente surpreendida por estes dias com a eleição de Galapinhos como a “Melhor Praia da Europa 2017” pela European Best Destinations. Agora é moda atribuir tudo a um milagre, seja o controlo do défice, um qualquer sucesso desportivo ou uma distinção turística. Nestas coisas não há milagres, e neste último caso, só se for o milagre da Natureza.

A serra da Arrábida é única porque apresenta espécies vegetais exclusivas em todo o mundo. Não admira que Sebastião da Gama se tenha perdido de amores por ela. É uma jóia ambiental e o estuário do Sado um ecossistema de riqueza notória.

Por isso, é bom que se faça tudo para virar a cidade de frente para o rio, e para afastar as barreiras físicas que ao longo de décadas se foram construindo entre a urbe e as águas, deixando que as populações usufruam das riquezas naturais. É bom que se procure manter as águas despoluídas e prenhes de vida e actividade humana mas com preocupações ecológicas. É bom que a cidade tire cada vez mais partido das suas condições para atrair o turismo, mas de forma ambientalmente sustentável.

Era bom, acima de tudo, que os setubalenses – de nascimento ou adopção – tivessem verdadeiro orgulho na sua terra, pois têm motivos para tal, ainda que mantendo um elevado grau de exigência permanente para com quem governa o seu destino colectivo, e desde logo para consigo próprios e os seus comportamentos.

Dispomos de todas as condições naturais para sermos um cartaz turístico de sucesso. Seria bom continuar a criar as outras condições necessárias, as que dependem da intervenção humana.

E sobretudo não estragar o tesouro natural que já temos. Segundo a máxima que Hipócrates, o pai da Medicina, preconizava: “Primum non nocere” (antes de mais, não prejudicar), ou seja, se não se cura, que ao menos não se estrague.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 12/5/17.  

 

 

 

Quem vence e quem sai derrotado

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É curioso como a imprensa não diz “Vitória de Setúbal vence Benfica”, mas quase sempre “Benfica perde em Setúbal”… Até parece que quem vence (quando não se trata de um dos “grandes”) e faz por isso não tem mérito, mas só ganha por demérito do adversário (quando este é dos “grandes”). Até parece que o meu clube não tem nome… Eu sei que o VFC tem um orçamento de tostões, mas merecia mais respeito por parte dos jornalistas, mesmo que não estivesse em 6º. lugar. Sim, porque se formos a analisar, ambos os títulos são muito diferentes e significam coisas diversas.

Um grande jogo, com um resultado justo


PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP / GETTY

 

O Vitória jogou muito bem na Luz, de cara levantada e trouxe um ponto. Couceiro é um senhor. Se todos os treinadores optassem por uma postura pedagógica como ele o futebol seria bem melhor. O contraste com o JJ das conferências de imprensa é brutal…

Mas Rui Vitória também não esteve bem em falar do árbitro, apesar de, na segunda parte, este ter tomado algumas decisões incompreensíveis, e os sadinos terem feito algum anti-jogo. Mas a responsabilidade por não ter ganho o jogo é inteiramente dos encarnados, visto que apresentaram uma equipa desequilibrada, lenta e a falhar nos mecanismos de jogo (triangulações e passes), deixando os vitorianos ganharem quase sempre as segundas bolas.

Parece que esta época temos equipa e treinador em Setúbal.