Arquivo da categoria: Arte, Educação, Cultura

Para relaxar um pouco

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O vazio cultural

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Hoje, na Livraria Bertrand do Alegro Setúbal, perguntei porque motivo não havia um único livro exposto sobre a temática da Reforma, no dia em que se celebram 500 anos do seu início, um movimento religioso, cultural, social e histórico que mudou a face da Europa e o mundo. Não me souberam responder.

Motivos, há muitos, seu palerma, disse para comigo. É que já quase não há livreiros, apenas vendedores de livros… Por outro lado continuamos a ver a Reforma como coisa estrangeirada. Por isso se torna ainda mais oportuno este congresso:

cartaz conglutero

Godot

Ninguém sabe os sinais de quando chegas

Do teu silêncio que anda à volta
Do teu nome, onde estiveres haverá ordem
Enquanto aqui com os olhos
Em desordem te esperamos, olhamos para os lados
De nenhum vens, olhamos para a frente
E nem a sombra da tua chegada se anuncia
Olhamos para trás, não vá o teu sorriso
Escarninho assustar-nos, ninguém sabe
Os sinais de quando chegas, só esperamos
Se não for hoje é amanhã, sentados na certeza

Das pedras à beira do caminho.

15/10/2017
© João Tomaz Parreira
Foto de João Tomaz Parreira.

O negro

Close-up of African schoolchildren smiling, standing one behind another, wearing school uniform

 

“O negro foi inventado” (James Baldwin)

 

O negro foi inventado, não foi a Bíblia,

Nem o livro do Génesis quem o inventou

Quem viu a palma das mãos de Cam?

Eu não inventei o negro, e todavia

Sou negro, por contrapartida com o branco

O negro foi inventado, e não foi Deus

Quem o inventou, Ele não se sentou

No pó do Éden para criar negros

E brancos, mas para criar o Homem

Algumas religiões inventaram o negro

Era preciso alguma coisa para ter medo.

 

27/09/2017

© João Tomaz Parreira 

Um salmo para David

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Nenhuma funda com cinco pedras

Na mão, nenhum violino no telhado

Nem harpas secas nos salgueiros

Nem Bate-Seba no terraço com doces

Tâmaras nos lábios

Nada passava sob a velhice dos dedos

De David

Senão as cordas da música secreta

Das torrentes tranquilas

Tentando só com o coração e uma coroa

Deposta da cabeça, compor uma Aleluia.

 

22/09/2017

© João Tomaz Parreira 

Na casa do Pai, longe do Pai

Dentro de casa, longe do Pai

 

Lucas, XV, 11

 

Com os relógios desencontrados e os fusos

Horários diversos em cada coração, cruzavam

Os corredores da casa, poderiam até cruzar

À mesma hora, mas estavam longe

Poderiam amar, mas em frente ao próprio rosto

No espelho, tinham o mesmo pai mas

Perderam-se dele no trânsito dos olhos

Para o único amor, amarem-se a si mesmos.

 

01-09-2017

© João Tomaz Parreira