Arquivo da categoria: Artigos de opinião nos jornais

Rasgar as vestes

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Há um princípio ético universal que passa por não ser aceitável desejar para nós o que negamos aos outros.

A Rússia de Putin e a mais alta liderança da Igreja Ortodoxa Russa, que conjugam entre si um envolvimento comum com a velha KGB, decidiram começar a proibir as liberdades, de maneira formal, desta vez na área religiosa. Proibiram o grupo religioso “Testemunhas de Jeová” (TJ), ao que parece com provas forjadas, à velha maneira soviética.

O mais curioso, para não dizer chocante, é que há muitos que rasgam as vestes pela falta de liberdade dos cristãos em países do Médio Oriente e pela perseguição religiosa, mas até agora não se ouve uma palavra nos meios religiosos sobre este violento atentado a uma das liberdades fundamentais.

É grave que o Supremo Tribunal russo tenha passado a considerar crime a prática religiosa das TJ, equiparando os crentes desta religião a grupos terroristas como o Daesh ou a Al-Qaeda e tenha ordenado o encerramento dos seus espaços de culto no país.

O Observatório da Liberdade Religiosa (OLR) – que funciona na área de Ciência das Religiões da Universidade Lusófona – denunciou a situação: “Na sequência da decisão do Tribunal, os membros das Testemunhas de Jeová estão proibidos de se reunirem ou de distribuir qualquer tipo de literatura religiosa em áreas específicas – o que é um atentado à liberdade religiosa e individual. O mesmo tribunal recusou os pedidos para reconhecer que os membros da organização seriam vítimas de repressão política e também declinou ouvir crentes que garantem que a polícia russa adulterou provas para obter uma condenação.”

O OLR recorda que este grupo religioso já tinha sido perseguido pelo regime de Salazar e sido proscrito no Estado Novo, tendo que sobreviver na clandestinidade: “em Junho de 1966 o Tribunal Plenário Criminal de Lisboa condenou a pena de prisão dezenas de membros da congregação do Feijó, homens e mulheres, sob acusação de ‘um crime contra a segurança do Estado’. A sentença, reconfirmada no ano seguinte pelo Supremo Tribunal, captou a atenção de Portugal e teve consequências diplomáticas.”

Também em 1933 Hitler lançou na Alemanha lançou uma perseguição com o fim de aniquilar as Testemunhas de Jeová. Dois anos depois o grupo foi proscrito em toda a ‘nação ariana’, e milhares de crentes foram mortos nos campos de concentração.

Na sequência de ter sido procurado por membros deste grupo religioso, os quais apresentaram “dados e documentos com revelações muito preocupantes”, o OLR “exorta os poderes públicos e políticos portugueses a, nos possíveis e adequados campos de ação diplomática, manifestarem total e inequívoca reprovação.” Até porque a conotação das TJ com actos terroristas é absolutamente incompreensível, chocante e bizarra, dada a sua prática absolutamente pacífica.

PS – Esclareço que nunca fui nem sou TJ, não conheço ninguém na minha família ou círculo de amizades que o seja, e não perfilho a sua doutrina ou práticas, o que me deixa o mais livre possível para dizer o que digo.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 28/4/17.

Não estraguem (ainda mais) o futebol!

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Sabem como acabava em três tempos o excesso de agressividade, a violência e o crime no mundo do futebol? É simples.

No âmbito governamental. Exigir à Federação Portuguesa de Futebol medidas duras que disciplinem o comportamento de atletas, técnicos, dirigentes e clubes, com vista à pacificação do mundo desportivo.

No âmbito das organizações desportivas. Criar um regulamento rigoroso sobre o comportamento público e declarações de dirigentes e treinadores, com sanções pesadas, de preferência suspensões automáticas de todas as funções no clube e que poderiam ir, no limite e em caso de reincidência, à irradiação do futebol federado. Esse regulamento incluiria a apreciação de intervenções nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais.

Acabar com as claques (organizadas ou não) que são coios de marginalidade, fontes de violência gratuita e geradoras de comportamentos destrutivos e criminosos.

Acabar com os ditos “gabinetes de comunicação” dos clubes, ou então transformá-los nisso mesmo, porque neste momento não passam de gabinetes de intoxicação e propaganda, que reincidem em comportamentos criminosos.

No âmbito da comunicação social. Acordo para acabar em simultâneo com todos os programas de comentário desportivo com representantes dos clubes grandes, que para nada servem senão para acicatar os adeptos irracionais, feridos de clubite aguda e que são muitíssimos, e para criar um clima de suspeição permanente sobre os árbitros e os agentes de disciplina desportiva.

Acabar com as conferências de imprensa semanais dos treinadores, nas quais eles se entretêm a mandar recados para os colegas adversários, e são confrontados com perguntas provocatórias e maldosas de alguns jornalistas, que não têm outra função que não seja criar atritos entre clubes e agentes desportivos, para vender jornais e aumentar audiências.

Portugal é hoje campeão europeu de futebol. Tem, por isso mesmo, responsabilidades acrescidas no meio desportivo, mas nunca se viu tanta violência física e verbal entre os intervenientes.

Bem sei que nada disto parece exequível. Mas quando assassinarem um árbitro num estádio, talvez então seja possível que o governo venha a correr tomar medidas excepcionais a fim de corrigir o que está mal. E está muita coisa mal.

Há 32 anos teve que acontecer um massacre no Estádio Heysel (1985), no final da Champions, para que o governo de Londres tomasse medidas sérias contra o hooliganismo inglês. Mas como a memória dos povos é muito curta parece que se está à espera que aconteça qualquer coisa do género para então acordar para a realidade.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 21/4/17.

 

A praga das notícias falsas

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Nos três meses anteriores às eleições presidenciais norte-americanas verificaram-se quase nove milhões de partilhas, reacções e comentários a notícias falsas no Facebook, um fluxo que chegou mesmo a ultrapassar o de publicações de jornais conceituados. Esse inédito movimento de notícias falsas está sob suspeita e a ser investigado pelo FBI, essencialmente por serem quase em exclusivo a favor de Trump e contra a candidata democrata, Hillary, ao que parece tendo resultado da cooperação entre a imprensa digital de extrema-direita e os russos, que terão disseminado tais peças pelas redes sociais.

Tal fenómeno não é inocente. Um dos autores desses boatos já veio pedir desculpa pelo facto de o seu site ter acusado Hillary Clinton e o seu director de campanha de gerir uma rede de pedofilia debaixo da pizzaria Comet Ping Pong em Washington. O proprietário revela que já gastou cerca de 70 mil dólares em reforço de segurança no restaurante depois dum incidente em Dezembro passado, quando um indivíduo entrou pela pizzaria aos tiros.

Além dos conflitos pontuais que provocam, as notícias falsas ameaçam a democracia, estupidificam os cidadãos e geram confusão na vida cívica. De acordo com a Sábado:“Segundo um inquérito do think tank norte-americano Pew Research Center, cujo levantamento foi feito entre o dia 1 e 4 de Dezembro de 2016, 64% dos adultos norte-americanos admitem que sentem ‘uma enorme confusão’ em relação à actualidade.”

Além do mais tem um efeito perverso, pois um em quatro dos americanos inquiridos admite já ter partilhado uma notícia falsa, mesmo sem estar seguro da sua veracidade, o que provoca um efeito multiplicador.

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Mas existe uma outra razão para o fenómeno. É que há uma grande falta de confiança, em muitas regiões do mundo, na imprensa séria, o que leva alguns consumidores de informação a procurarem fontes alternativas de notícias.

Isto não é uma brincadeira. Tem objectivos políticos, mas também há muita gente a ganhar dinheiro com sites e páginas em redes sociais de carácter temporário. Estudos como o da Human Communication Research indicam que as pretensas notícias são redigidas com o objectivo de provocar uma reacção irada nos leitores, que assim tendem a partilhar a falsa notícia, multiplicando o número de visualizações e, portanto, de dinheiro em caixa.

Steve Bannon foi nomeado conselheiro de Trump e chefe de estratégias da Casa Branca. Ele é o antigo director dum site de notícias falsas (“Breitbart”), com ligações à extrema-direita. Enquanto isso, jornalistas do The New York Times, CNN, BBC, LA Times, New York Daily News e Daily Mail foram proibidos de assistir a um briefing do porta-voz da Casa Branca. É o mundo ao contrário.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 7/4/17.

 

A culpa é do Cavaco!

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“Para mim, na vida, um vintém é um vintém, um cretino é um cretino. São valores absolutos.” (Manuel Machado)

 

Sim. Quem inventou a treta do “bom aluno” da Europa? Cavaco. Pois é. Quem se põe de cócoras sujeita-se a levar um pontapé no rabo.

Numa entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, publicada no domingo, Jeroen Djisselbloem afirmou: “Como social-democrata, considero a solidariedade um valor extremamente importante. Mas também temos obrigações. Não se pode gastar todo o dinheiro em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda.” O holandês referia-se explicitamente aos países do Sul, em particular aos que estiveram ou estão sob resgate.

As reacções portuguesas foram exemplares, tanto do governo como da oposição e da presidência da república. O primeiro-ministro exigiu mesmo o afastamento do desbocado Djisselbloem da presidência do Eurogrupo.

O discurso do político europeu é admissível e não pode ser desculpado, porque não se trata duma piadola nem duma tirada infeliz, mas duma mentalidade predominante nalguns sectores da direita dos países do norte, em especial alemães, austríacos e alguns nórdicos. Trata-se do discurso duma pretensa superioridade moral, transformada num moralismo bacoco. Eles pensam que trabalham mais do que os europeus do sul mas é falso. Haverá menor produtividade no sul mas isso não pode ser atribuído aos trabalhadores mas sim às empresas e às formas de organização do trabalho. Eles pensam que são mais sérios e responsáveis, mas também isso é falso. Há de tudo, lá como cá.

Por outro lado, este cretino devia estar calado. Se tivesse vergonha na cara fazia como outros que se demitiram de cargos públicos por terem falsificado o seu currículo. Este Djisselbloem inventou um falso mestrado…

E que moral tem ele para falar de outros países quando a sua Holanda ajuda as empresas europeias a fugir aos impostos nos países de origem?

Bem sabemos que Djisselbloem disse o que disse a fim de receber o apoio de Schauble para continuar no posto, depois da tremenda derrota eleitoral que o seu partido trabalhista sofreu nas recentes eleições. Como se viu.

Mas só uma Europa sem vergonha na cara poderá aceitar a continuidade deste espécime à frente do Eurogrupo. Os do sul porque, a não reagir, mostram que não são “filhos de boa gente” e os do norte porque, a não reagir, mostram que concordam com a alarvidade que saiu daquela boca.

Volto a dizer, a montante disto está alguém que um dia se colocou de cócoras perante a Europa, o “bom aluno”.

Se o “espírito europeu” passa por apreciações moralistas de superioridade, então mais vale cada um ir à sua vida.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 31/3/17.

A cidade e os signos

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Setúbal viveu no último ano a experiência de ser a Cidade Europeia do Desporto, que desenvolveu nas dimensões do alto-rendimento, da competição e do espectáculo, tendo recebido grandes competições e eventos nacionais e internacionais. Para isso associou-se com o Comité Olímpico de Portugal, o Comité Para-Olímpico de Portugal, a Confederação do Desporto de Portugal, as Federações Desportivas Nacionais e Internacionais, Associações Regionais, tecido empresarial e movimento Associativo do Concelho.

Um dos aspectos mais notórios a assinalar foi, por exemplo, ter feito regressar a Volta a Portugal em Bicicleta, depois de muitos anos de ausência, numa das etapas mais espectaculares na passagem pela Arrábida.

Foi uma aposta ganha, quer pelo contributo geral prestado ao desporto, quer pela visibilidade assumida.

Mas não menos importante é que a cidade mantenha esta dinâmica, tirando partido da experiência entretanto acumulada.

As cidades são como as pessoas, precisam de revelar determinadas características únicas, sob pena de, a não o conseguirem, se tornarem indistintas e descaraterizadas. Têm que ter alma, caso contrário não passam de subúrbios, dormitórios ou conjuntos de bairros.

Setúbal tem uma cultura própria que precisa ser tida em conta no seu projecto de desenvolvimento. Creio que isso está a acontecer em grande parte. Nos últimos tempos não se tem limitado ao betão. Pelo contrário, apostou no turismo, através do desenvolvimento do parque hoteleiro e de iniciativas no âmbito da restauração, mas também na cultura, com a criação de infraestruturas dedicadas a uma oferta cultural regular e de qualidade. A atracção da ficção televisiva – em especial desde a novela Mar Salgado – tem contribuído para colocar Setúbal no mapa.

Compatibilizar a criação de condições para as empresas industriais que aqui operam, em nome do emprego e da riqueza produzida, mas sem prejuízos para o ambiente, assim como a atracção de novo investimento amigo do ambiente, o desenvolvimento turístico, através do reforço dos sectores hotelaria-restauração-cultura-comércio local, e a promoção da marca Setúbal, para a necessária visibilidade num mundo altamente competitivo, é o desafio que temos pela frente.

Nem tudo está bem, é claro. Entre outros problemas, o IMI está muito elevado, o estacionamento pago começa a ser exagerado, há alguns erros na rede viária e persistem riscos de acidentes industriais perigosos, como ainda há pouco se viu. Mas os bons sinais estão à vista para quem os quiser ver.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 24/3/17.

 

 

O fenómeno Marcelo

mrs. Foto Miguel A. Lopes

Foto: Miguel A. Lopes.

 

O presidente da república cumpriu o primeiro ano do seu mandato, para o qual foi eleito à primeira volta e por margem confortável.

A marca que deixou, para já, foi a de um presidente popular mas não populista. Sempre tem levado a sério a sua função institucional, acompanhando atentamente os trabalhos governativos e parlamentares. Mas também tem querido ser um “presidente do povo”, sem pretender assumir o papel de caudilho.

Já disse que a sua principal referência em Belém foi Mário Soares, o presidente cuja postura levou o centro-direita a apoiá-lo na reeleição, ainda que também por falta de referências próprias. De facto, tirando Eanes, com o seu perfil pessoal hirto e a condição militar, dos civis, além de Soares temos Jorge Sampaio – um homem com dificuldades discursivas e sem chama, e Cavaco, um institucionalista – em especial para o que lhe interessava – que manifestava grande desconforto em lidar com as populações e que exibia sempre uma postura rígida, hirta e pouco empática. Por alguma razão Soares foi o presidente mais popular até Marcelo chegar a Belém.

A crispação durante os anos negros da troika foi de tal ordem que a classe política estranhou a elevada cooperação institucional deste último ano, entre presidência e governo, e vão surgindo os comentadores de direita a sugerir que Marcelo será um traidor por não combater a “geringonça”. Dizem aquilo que os líderes de PSD e CDS não podem dizer abertamente, pois claro.

Estavam habituados a ter em Belém uma figura que fez tudo para atirar ao chão o governo socialista minoritário, e fechou os olhos a todas as tropelias que o governo anterior cometeu contra os interesses do país e em especial das populações socialmente mais frágeis.

Marcelo apoia o governo do país como apoiaria se o mesmo fosse de outra cor política, pois tem presente que o país é mais importante do que os partidos, essenciais ao regime democrático. E ele, como presidente, tem que estar acima das querelas e dos interesses partidários. Mas também há quem assegure que estará a preparar desde já a sua reeleição, por isso não pode afrontar um governo que tem o apoio da maioria do eleitorado, como se vê de forma recorrente e cada vez mais acentuada nas sondagens.

Seja como for, o certo é que a sua popularidade contrasta com a porta baixa pela qual saiu Cavaco na fase final do último mandato, nunca tendo sido o presidente de que o país necessitava.

Talvez Marcelo fale demais, talvez se mexa demais, mas suspeito que o que incomoda mesmo algumas cabeças bem pensantes da nossa praça é, por um lado, a alegria que demonstra no exercício da função, assim como o fim da sacralização do poder, de inspiração salazarista, nesta “apagada e vil tristeza” que costuma ser Portugal.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 17/03/17.   

 

 

 

 

O Cavaquinho

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“A realidade ultrapassou-me.” (Cavaco Silva)

 

Não há nada pior do que um homem mesquinho. Um revisionista que pretende reescrever a História, e para isso não se importa de rebaixar tudo e todos à sua volta.

Um homem que se pretende a pairar sobre a classe política, mas que é o político com mais tempo no desempenho de altos cargos públicos. Logo, um dos maiores responsáveis pelos destinos do país, para o bem e para o mal.

Um homem que concedeu uma pensão a antigos agentes da PIDE, a odiosa polícia política salazarista e a recusou a Salgueiro Maia, tendo ainda tempo para se queixar da sua “pequena” reforma, que não lhe dava para as despesas, num claro insulto à esmagadora maioria dos reformados e pensionistas.

Um homem que enganou os portugueses, levando-os a confiar no BES, um banco que estava em processo de implosão, entregue a uma cambada de ladrões.

Um homem que afirmou aos quatro ventos que ainda está para nascer uma pessoa mais séria do que ele, mas que acolitou Oliveira e Costa, Dias Loureiro ou Duarte Lima e ganhou umas massas com as acções do BPN, de forma muito suspeita, enquanto o banco se afundava e provocava um rombo nas contas públicas.

Apresenta agora em livro os seus encontros com celebridades pois “ julga que lhe dão lustre e por reflexo provam a sua importância pessoal: presidentes, primeiros-ministros, papas e similares.” Mas é apenas a prova da “vaidade paroquial do homem” que “não tem medida; com os seus três papas, em particular, quase que se baba”, diz Pulido Valente.

Em 1987, quando era primeiro-ministro, Cavaco mandou Portugal votar na ONU contra uma resolução que exigia, entre outras coisas, a libertação de Mandela, a mesma figura que hoje diz admirar… Mesquinhez.

Este livro tem três objectivos: dizer mal de todos os adversários políticos, considerar-se um estadista de primeira água (que nunca foi) e bater no único político, além dele mesmo, que conseguiu uma maioria absoluta, mas que está agora caído no chão, o que revela muito do seu carácter ou da falta dele.

Diz Vasco Pulido Valente sobre Cavaco: “O que ele gostava naquele lugar do Estado era da proeminência que a situação lhe dava e da sensação de pertencer aos regentes do mundo.” E acrescenta: “ao ler estas 500 e tal páginas sem uma ideia, sem um pensamento sobre a situação e o futuro de Portugal, sem uma crítica ao sistema político, mas saturadas de uma satisfação incompreensível, não consegui esquecer Eça e os seus políticos: o conde de Abranhos, o conde de Gouvarinho, o genial Pacheco e o conselheiro Acácio.” Ou seja, um imenso ridículo.

Como Miguel Sousa Tavares, digo: “Ele que continue a escrever a sua história: a História jamais o absolverá”.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 3/3/17.