Arquivo da categoria: Artigos de opinião nos jornais

A cidade e os signos

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Setúbal viveu no último ano a experiência de ser a Cidade Europeia do Desporto, que desenvolveu nas dimensões do alto-rendimento, da competição e do espectáculo, tendo recebido grandes competições e eventos nacionais e internacionais. Para isso associou-se com o Comité Olímpico de Portugal, o Comité Para-Olímpico de Portugal, a Confederação do Desporto de Portugal, as Federações Desportivas Nacionais e Internacionais, Associações Regionais, tecido empresarial e movimento Associativo do Concelho.

Um dos aspectos mais notórios a assinalar foi, por exemplo, ter feito regressar a Volta a Portugal em Bicicleta, depois de muitos anos de ausência, numa das etapas mais espectaculares na passagem pela Arrábida.

Foi uma aposta ganha, quer pelo contributo geral prestado ao desporto, quer pela visibilidade assumida.

Mas não menos importante é que a cidade mantenha esta dinâmica, tirando partido da experiência entretanto acumulada.

As cidades são como as pessoas, precisam de revelar determinadas características únicas, sob pena de, a não o conseguirem, se tornarem indistintas e descaraterizadas. Têm que ter alma, caso contrário não passam de subúrbios, dormitórios ou conjuntos de bairros.

Setúbal tem uma cultura própria que precisa ser tida em conta no seu projecto de desenvolvimento. Creio que isso está a acontecer em grande parte. Nos últimos tempos não se tem limitado ao betão. Pelo contrário, apostou no turismo, através do desenvolvimento do parque hoteleiro e de iniciativas no âmbito da restauração, mas também na cultura, com a criação de infraestruturas dedicadas a uma oferta cultural regular e de qualidade. A atracção da ficção televisiva – em especial desde a novela Mar Salgado – tem contribuído para colocar Setúbal no mapa.

Compatibilizar a criação de condições para as empresas industriais que aqui operam, em nome do emprego e da riqueza produzida, mas sem prejuízos para o ambiente, assim como a atracção de novo investimento amigo do ambiente, o desenvolvimento turístico, através do reforço dos sectores hotelaria-restauração-cultura-comércio local, e a promoção da marca Setúbal, para a necessária visibilidade num mundo altamente competitivo, é o desafio que temos pela frente.

Nem tudo está bem, é claro. Entre outros problemas, o IMI está muito elevado, o estacionamento pago começa a ser exagerado, há alguns erros na rede viária e persistem riscos de acidentes industriais perigosos, como ainda há pouco se viu. Mas os bons sinais estão à vista para quem os quiser ver.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 24/3/17.

 

 

O fenómeno Marcelo

mrs. Foto Miguel A. Lopes

Foto: Miguel A. Lopes.

 

O presidente da república cumpriu o primeiro ano do seu mandato, para o qual foi eleito à primeira volta e por margem confortável.

A marca que deixou, para já, foi a de um presidente popular mas não populista. Sempre tem levado a sério a sua função institucional, acompanhando atentamente os trabalhos governativos e parlamentares. Mas também tem querido ser um “presidente do povo”, sem pretender assumir o papel de caudilho.

Já disse que a sua principal referência em Belém foi Mário Soares, o presidente cuja postura levou o centro-direita a apoiá-lo na reeleição, ainda que também por falta de referências próprias. De facto, tirando Eanes, com o seu perfil pessoal hirto e a condição militar, dos civis, além de Soares temos Jorge Sampaio – um homem com dificuldades discursivas e sem chama, e Cavaco, um institucionalista – em especial para o que lhe interessava – que manifestava grande desconforto em lidar com as populações e que exibia sempre uma postura rígida, hirta e pouco empática. Por alguma razão Soares foi o presidente mais popular até Marcelo chegar a Belém.

A crispação durante os anos negros da troika foi de tal ordem que a classe política estranhou a elevada cooperação institucional deste último ano, entre presidência e governo, e vão surgindo os comentadores de direita a sugerir que Marcelo será um traidor por não combater a “geringonça”. Dizem aquilo que os líderes de PSD e CDS não podem dizer abertamente, pois claro.

Estavam habituados a ter em Belém uma figura que fez tudo para atirar ao chão o governo socialista minoritário, e fechou os olhos a todas as tropelias que o governo anterior cometeu contra os interesses do país e em especial das populações socialmente mais frágeis.

Marcelo apoia o governo do país como apoiaria se o mesmo fosse de outra cor política, pois tem presente que o país é mais importante do que os partidos, essenciais ao regime democrático. E ele, como presidente, tem que estar acima das querelas e dos interesses partidários. Mas também há quem assegure que estará a preparar desde já a sua reeleição, por isso não pode afrontar um governo que tem o apoio da maioria do eleitorado, como se vê de forma recorrente e cada vez mais acentuada nas sondagens.

Seja como for, o certo é que a sua popularidade contrasta com a porta baixa pela qual saiu Cavaco na fase final do último mandato, nunca tendo sido o presidente de que o país necessitava.

Talvez Marcelo fale demais, talvez se mexa demais, mas suspeito que o que incomoda mesmo algumas cabeças bem pensantes da nossa praça é, por um lado, a alegria que demonstra no exercício da função, assim como o fim da sacralização do poder, de inspiração salazarista, nesta “apagada e vil tristeza” que costuma ser Portugal.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 17/03/17.   

 

 

 

 

O Cavaquinho

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“A realidade ultrapassou-me.” (Cavaco Silva)

 

Não há nada pior do que um homem mesquinho. Um revisionista que pretende reescrever a História, e para isso não se importa de rebaixar tudo e todos à sua volta.

Um homem que se pretende a pairar sobre a classe política, mas que é o político com mais tempo no desempenho de altos cargos públicos. Logo, um dos maiores responsáveis pelos destinos do país, para o bem e para o mal.

Um homem que concedeu uma pensão a antigos agentes da PIDE, a odiosa polícia política salazarista e a recusou a Salgueiro Maia, tendo ainda tempo para se queixar da sua “pequena” reforma, que não lhe dava para as despesas, num claro insulto à esmagadora maioria dos reformados e pensionistas.

Um homem que enganou os portugueses, levando-os a confiar no BES, um banco que estava em processo de implosão, entregue a uma cambada de ladrões.

Um homem que afirmou aos quatro ventos que ainda está para nascer uma pessoa mais séria do que ele, mas que acolitou Oliveira e Costa, Dias Loureiro ou Duarte Lima e ganhou umas massas com as acções do BPN, de forma muito suspeita, enquanto o banco se afundava e provocava um rombo nas contas públicas.

Apresenta agora em livro os seus encontros com celebridades pois “ julga que lhe dão lustre e por reflexo provam a sua importância pessoal: presidentes, primeiros-ministros, papas e similares.” Mas é apenas a prova da “vaidade paroquial do homem” que “não tem medida; com os seus três papas, em particular, quase que se baba”, diz Pulido Valente.

Em 1987, quando era primeiro-ministro, Cavaco mandou Portugal votar na ONU contra uma resolução que exigia, entre outras coisas, a libertação de Mandela, a mesma figura que hoje diz admirar… Mesquinhez.

Este livro tem três objectivos: dizer mal de todos os adversários políticos, considerar-se um estadista de primeira água (que nunca foi) e bater no único político, além dele mesmo, que conseguiu uma maioria absoluta, mas que está agora caído no chão, o que revela muito do seu carácter ou da falta dele.

Diz Vasco Pulido Valente sobre Cavaco: “O que ele gostava naquele lugar do Estado era da proeminência que a situação lhe dava e da sensação de pertencer aos regentes do mundo.” E acrescenta: “ao ler estas 500 e tal páginas sem uma ideia, sem um pensamento sobre a situação e o futuro de Portugal, sem uma crítica ao sistema político, mas saturadas de uma satisfação incompreensível, não consegui esquecer Eça e os seus políticos: o conde de Abranhos, o conde de Gouvarinho, o genial Pacheco e o conselheiro Acácio.” Ou seja, um imenso ridículo.

Como Miguel Sousa Tavares, digo: “Ele que continue a escrever a sua história: a História jamais o absolverá”.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 3/3/17.

 

 

A revolução necessária

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Toda a gente com dois dedos de testa já compreendeu que no mundo em que vivemos a educação de crianças e jovens é fundamental para o seu futuro sucesso profissional. Os estudos indicam-no claramente. Daí que as políticas de educação sejam centrais, qualquer que seja o modelo de desenvolvimento que se adopte ou a ideia de país que se tenha. Numa sociedade globalizada ainda mais, por maioria de razão.

O grande desafio está em dar o salto de uma escola formatada no século XIX para o tempo presente, tendo em conta as incríveis alterações de ordem social e científica verificadas nos últimos cem anos. Mas a sensação que se tem é que o sistema de ensino continua atrasado em relação à dinâmica da sociedade e tem muita dificuldade em mudar.

Sou docente universitário mas não especialista em educação, mas creio que se pode afirmar que esta matéria é importante de mais para ser deixada apenas a especialistas.

As crianças não estão todas destinadas a serem investigadores e docentes. Têm que sair da escolaridade obrigatória com determinadas competências para a vida. Por exemplo, não faz sentido que não tragam feito o exame do Código da Estrada e tenham que vir pagar a privados para o obter. Todos eles virão a ser condutores de algum tipo de veículo ou peões. Ou uma formação prática em economia pessoal e doméstica. Ou em primeiros socorros. Ou em cidadania (sistema de Justiça, ambiente, política, segurança). Ou em religiões do mundo (educação para a diversidade, a multiculturalidade e a paz). Isto teria muito mais valor pessoal e cívico do que aprofundar em demasia matéria nas áreas de matemática, literatura, física ou química, para aqueles que não se sentem vocacionados para tal.

O exagero dos livros didácticos é escandaloso, não apenas pelo alto preço que obrigam as famílias a desembolsar (parte dos quais nem são utilizados uma única vez), mas também pelo peso que põe em causa a saúde das crianças. Porque não enfrentar os lóbis das editoras e proporcionar a cada aluno, a partir do 2º. Ciclo, um tablet (que fica na escola) e onde acedem aos conteúdos?

E porque não passar a ter algumas aulas ao ar livre, se possível na Natureza? Resolvam-se os constrangimentos burocráticos. E porque não desenvolver um tronco comum, nos primeiros anos, e depois derivar, numa segunda fase, para áreas específicas como ciências, humanidades ou artes, de acordo com a vocação de cada aluno? E porque se valorizam tanto as ciências e quase nada as línguas e a música? E porque não substituir parte das aulas dadas em sistema unidirecional, onde o professor fala e os alunos ouvem (?) por “ilhas” de exploração de interesses em plena sala, com tarefas diferenciadas? Resolvam-se os problemas de falta de professores. E porque não substituir os por vezes pesados trabalhos para casa (TPC) por aulas estimulantes, que vão ao encontro dos interesses dos alunos e onde eles aprendem muito mais do que em forçados TPC ou aulas a debitar matéria?

Tanto para fazer e tanto para mudar.

 

Fonte: José Brissos-Lino, Jornal Sem Mais, 25/2/17.

O lado negro da Democracia

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O caso Centeno constitui um exemplo notável do lado negro da luta político-partidária.

Vejamos o que está em causa. A Caixa Geral de Depósitos (CGD) necessitava de uma administração profissional, depois de décadas a servir como prateleira dourada a políticos, opção que acabou por prejudicar seriamente a instituição. Precisava também de se reforçar financeiramente, em consequência das chamadas imparidades, isto é, dos créditos concedidos sem critério a amigos e correligionários políticos, que quase a fizeram afundar, por se terem revelado incobráveis.

Perante isto o ministro das Finanças e o governo arregaçaram as mangas e resolveram o que nenhum governo tivera antes coragem política para fazer. Mas como está difícil fazer oposição a António Costa a direita concentra-se na forma e não no conteúdo, na agenda política e não no interesse colectivo e nacional.

Assim, há que atacar Mário Centeno, que tem conseguido alguns desempenhos notáveis na sua área de intervenção. Note-se que nem PSD nem CDS têm qualquer força moral para exigir a demissão dum ministro, alegando que mentiu ao parlamento. Primeiro porque ninguém o provou até hoje, preto no branco, depois porque ambos têm telhados de vidro. Será necessário recordar Dias Loureiro, Miguel Relvas e Maria Luís Albuquerque no PSD, por exemplo, ou a demissão “irrevogável” de Paulo Portas no CDS?

Segundo Manuela Ferreira Leite “a questão da correspondência trocada entre Centeno e António Domingues está a ser tratada como ‘se fosse um problema fundamental’ do banco público quando ‘não é’. ‘Isto não é um problema dos portugueses. É político e é uma trica entre duas pessoas”.

O presidente da república tem-se mantido firme na defesa do interesse nacional e coloca-se acima dos partidos. O PSD é o mais ressabiado com isso, pois é sabido que Passos Coelho era contra Marcelo em Belém e este nem precisou do apoio do partido para se fazer eleger à primeira volta, mantendo níveis de popularidade invejáveis, e mostra que é presidente de todos os portugueses, não estando refém da sua família política.

O que interessa ao país é que o governo defenda os seus interesses, governe para as pessoas e não apenas para Bruxelas e os grandes grupos económicos. Ora, a recapitalização da Caixa – um sucesso inegável de Costa e Centeno, face à Comissão Europeia – e a nova administração, competente e especializada, representam um salto em frente na resolução dos inúmeros problemas do sector financeiro, que o governo PSD/CDS nunca se mostrou capaz de resolver.

A direita tem vindo a desenvolver esta campanha pessoal contra Centeno porque os sucessos económico-financeiros da geringonça destroem o seu discurso do medo. E porque Passos Coelho queria privatizar a CGD.

Temos pena.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 24/2/17.

 

O fenómeno da corrupção – II

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Na semana passada reflectimos aqui sobre o fenómeno da corrupção, a sua influência na vida democrática e na sociedade em geral, e sobre as razões porque as pessoas se corrompem e deixam corromper. Mas como atacar tão momentoso problema?

Desde logo através da disponibilização aos cidadãos de informações práticas, em linguagem clara e acessível, que lhes permita não só identificar os casos concretos de cometimento deste crime, mas também lhes faculte o conhecimento dos procedimentos a adoptar perante essas situações.

De todo o modo o crime de corrupção tende a crescer quando os procedimentos na administração pública não são adequados, do ponto de vista da transparência, mas também quando os cidadãos não tendem a escrutinar devidamente a res publica. Creio que o segundo caso é o mais fulcral nesta matéria, uma vez que, se os consumidores estiverem cientes dos seus direitos, os utentes forem exigentes quanto à prestação dos serviços a que recorrem, e os cidadãos em geral não se alhearem da vida pública, decerto que muitos destes comportamentos problemáticos desaparecerão.

A cultura da cunha, do facilitismo e do nacional-porreirismo, em contraste com a da responsabilidade e do mérito, tem-se transformado em terreno fértil para o crime de corrupção. As populações têm que ser exigentes. Veja-se o recentemente sucedido na Roménia, onde um governo sem um pingo de vergonha na cara tentou fazer passar uma lei para amnistiar os crimes de corrupção até um certo valor, e como o povo respondeu nas ruas de forma tão frontal que o executivo teve de recuar. Não contentes com isso, as populações continuam agora a exigir a queda desse mesmo governo, que perdeu toda a credibilidade e não merece mais a sua confiança.

Mas creio que, e acima de tudo, o caldo de cultura que permite o fenómeno da corrupção é um individualismo feroz em lugar do sentido de comunidade. A modernidade libertou a importância do indivíduo e a sua autonomia no todo social. Levou-o a pensar pela sua cabeça, a ter uma voz na definição do seu destino e a escolher a sua forma de relação com a transcendência. Deixou de ser súbdito sem direitos e passou à condição de cidadão com dignidade pessoal e direitos garantidos por lei. Só que, neste momento, assiste-se a um extremar das posições individualistas em prejuízo do colectivo, o que se torna nocivo para o tecido social e em particular para a construção dum sentido de comunidade de interesses e de destino.

Se eu sobrevalorizo o que me diz respeito a mim, à minha família e grupo, desprezando o interesse geral da comunidade, estou a abrir caminho para a corrupção e todos os inúmeros crimes a ela associados.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 17/2/17.

 

 

 

 

 

O fenómeno da corrupção – I

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O fenómeno da corrupção cativa hoje as primeiras páginas dos jornais e a abertura dos serviços de notícias das televisões em quase todo o mundo. Os processos judiciais mais mediáticos andam à volta do nepotismo, abuso de poder, abuso de confiança, branqueamento de capitais e corrupção. Chegámos a um ponto em que todos desconfiam de todos. A sociedade está a apodrecer de dia para dia.

Até no plano político se tem vindo a perder a essência da discussão democrática, isto é, a troca de ideias e projectos de sociedade, em nome da afirmação da integridade dos actores políticos (o que em condições normais seria redundante). A ideologia passou decididamente para segundo plano, sendo substituída por um pragmatismo cinzento, embrulhado numa aparente seriedade e num carácter pretensamente impoluto.

As populações parecem ter passado da antiga reverência aos governantes e figuras de autoridade, então intocáveis, para uma desconfiança metódica e um maldizer persistente, estribados em processos de intenção incapazes do mínimo escrutínio. Do oito para o oitenta. Mas a verdade é que os políticos muitas vezes também não se dão ao respeito e vão sendo impiedosamente despidos em praça pública por uma sociedade mediática, na qual a comunicação se vulgarizou e todos os dias se grita que o rei vai nu.

As rádios e televisões privadas, a internet e as redes sociais contribuíram fortemente para esta situação, que se verifica à escala global. O governo reconhece que “A corrupção é um sério obstáculo ao normal funcionamento das instituições. Revela-se como uma ameaça aos Estados de direito democrático e prejudica gravemente a fluidez das relações entre os cidadãos e a Administração, bem como obsta ao desejável desenvolvimento das economias, ao normal funcionamento dos mercados e à livre e sã concorrência.”

Mas porque razão as pessoas corrompem e se deixam corromper? O filósofo Manuel Sérgio fala de duas grandes taras do homem moderno: o Ter e o Poder. Eu acrescentaria uma outra, o Parecer. As pessoas entram na roda da corrupção impulsionados pela presente sociedade materialista, que associa o prazer e até mesmo a felicidade à capacidade de possuir determinados bens. Um falso conceito que a publicidade comercial veicula todos os dias nos meios de comunicação e que começa por influenciar desde logo as crianças e as gerações mais jovens.

Mas também o Poder motiva os actos de corrupção, até porque está associado ao Ter. A tara do Parecer, porém, é ridícula, até porque lhe falta essência, mas nesta sociedade em que a imagem é que vale, faz sentido, apesar de patética.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 10/2/17.