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Palavras perdidas (1248)

“A defesa dos jovens exige que sejamos coerentes. Não podemos apregoar um caminho e os nossos representantes fazerem o contrário. Não podemos pedir explicações ao secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que vai ao Europeu a convite da Galp e ser surpreendidos pela intimidade do líder parlamentar [Luís Montenegro] e do seu primeiro vice-presidente, Hugo Soares, com interesses empresariais”, defende o líder da JSD de Braga, Firmino Vila Verde Costa, em comunicado enviado às redações.

Firmindo Vila Verde Costa diz mesmo que “o país espera mais do PSD e o líder do partido, Passos Coelho, não merece, pelo esforço que fez pelo país, este tipo de demonstrações”.

“Não podemos condenar politicamente o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, quando o nosso líder parlamentar e o seu primeiro vice-presidente Hugo Soares aceitam participar em viagens de amigos, não dignificando e honrando as funções que exercem. Este caso é uma verdadeira pouca vergonha que não podemos aceitar de modo algum”, ataca o líder da JSD de Braga.”

Jornal I

Palavras perdidas (1243)

“O facto de não haver sanções foi o resultado de um combate político que se fez exactamente contra a Europa dos europeístas, em vez da atitude de submissão que era e é a norma. Se há mérito, não é da Europa das “regras”, mas do Governo português, que a contestou, mesmo que não o diga. Este combate travado pela primeira vez por um governo do lado débil do Sul é em si uma novidade, mas está longe de significar uma mudança qualitativa da União.

Se este sucesso tem continuidade, é o que se vai ver, espero que sim, mas duvido que tenha, em particular pela reafirmação do garrote do Tratado Orçamental, um instrumento contra o desenvolvimento económico dos países da Europa que mais precisam de alguma folga prudente, consistente mas continuada. Aliás, é com ironia que vejo o FMI juntar-se aos perigosos esquerdistas que falavam da reestruturação da dívida e do desastre que foi o programa da troika e, por maioria de razão, o modo como foi aplicado em Portugal. O recente documento do FMI é um libelo contra as políticas do Tratado Orçamental impostas pelo Eurogrupo e apoiadas com entusiasmo pelo Governo PSD-CDS, que queria, de forma pouco disfarçada, que Portugal sofresse sanções… pela política de 2016.”

(José Pacheco Pereira, Público)

A política das sanções e das regras europeias, para totós

 

E já agora, a “coerência” da nossa Oposição relativamente às mesmas.

«Não há nenhuma razão para agravar o tratamento da Comissão Europeia dentro do procedimento por défice excessivo na medida em que, fora o que foi contabilizado por causa do Banif, Portugal não teve um défice acima dos 3% em termos nominais.» (Pedro Passos Coelho a 13 de maio, dez dias depois de a Comissão Europeia ter indicado que a decisão sobre sanções seria tomada considerando um défice de 3,2% em 2015)

«Este procedimento não se refere só ao desempenho do passado, mas com a trajetória para o futuro. O que a Comissão está a dizer é que não acredita na consistência das medidas do Governo até 2019.» (Miguel Morgado a 12 de maio, dois dias depois do primeiro debate de orientação do colégio de comissários, em que Bruxelas considerou a possibilidade de aplicar sanções a Portugal e Espanha)

«[Portugal poderá vir a ser alvo de sanções porque] muitos dos governos da Europa têm dúvidas sobre aquilo que se está a passar no país, (…) sobre as reformas importantes que estão a ser revertidas, sobre a maneira como estamos a andar para trás em vez de andar para a frente.» (Pedro Passos Coelho a 23 de julho, o dia em que constava que Bruxelas iria pedir a suspensão de 16 fundos estruturais como sanção a Portugal).

«Hoje é um dia bom para Portugal. (…) O ano de 2015 foi avaliado, os resultados foram avaliados, sabemos que o resultado dessa avaliação é sanções zero para Portugal. (…) Portugal cumpriu e qualquer tipo de sanção seria injusto e injustificado.» (Miguel Morgado a 27 de julho, o dia em que a Comissão Europeia decidiu cancelar a aplicação de sanções a Portugal).

Fonte: Ladrões de Bicicletas.