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Marcelo, para desopilar

Irrequieto por natureza, o novo Presidente da República é conhecido entre os amigos pelas suas “marcelices”. Ontem, no primeiro dia depois de ser eleito, fez duas: estacionou num lugar para deficientes e andou sem cinto numa reportagem para a SIC. Mas o seu historial de travessuras é muito longo. O i escolheu 20 das mais divertidas.

A cama da avó Joaquina

Quando resolveu candidatar-se à Assembleia Municipal de Celorico de Basto, Marcelo começou a falar na avó Joaquina para justificar a ligação à terra. Mas a verdade é que o maior contacto que teve com a avó foi em Lisboa, com quem ficou a viver enquanto os pais estavam em Moçambique. Nessa altura divertia-se a pregar partidas à senhora. Uma vez, depois de tremor de terra de 1968, pôs-se debaixo da cama da avó e simulou uma réplica de forma tão real que ela ia saindo para a rua em pânico, ainda em camisa de dormir.

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Marcelo: marcelete ou presidente?

 

Marcelo ganhou e bem.

Nestas presidenciais a esquerda desbaratou-se em divisões e o populismo emergiu, embora sem resultados.

O candidato independente Sampaio da Nóvoa teve quase tantos votos como todos os outros oito juntos. A candidatura divisionista de Maria de Belém foi duramente castigada pelo eleitorado. Tino de Rans conseguiu quase tantos votos como o candidato do PCP, Edgar Silva, e mais votos do que Paulo Morais, que desbaratou um grande capital pessoal pela sua insistência numa campanha monotemática. Mas as televisões decidiram que Tino não tinha direito a um directo, ao contrário dos outros candidatos…

Marcelo conseguiu a proeza de ganhar em todo o lado, por isso bem pode dizer que quer ser presidente de todos os portugueses. Tem condições para isso. Mais. A proeza maior foi ganhar sem o seu partido e o CDS à ilharga. Tem as mãos livres e não deve nada a ninguém, como disse, o que o coloca em perfeitas condições para poder vir a ser mesmo um árbitro no sistema.

Se, como disse, quiser fazer só um mandato, ainda melhor.

Marcelo é um homem de regras claras. Enquanto presidente do PSD viabilizou uma revisão constitucional importante, em articulação com o PS, e promoveu a clarificação dos inscritos no seu partido, através dum processo de refiliação, com Rui Rio a secretário-geral.

Tem todas as condições para propor uma alteração da Constituição no sentido de os futuros presidentes passarem a ser eleitos para um só mandato, mais extenso no tempo, que impeça a subversão de andar a trabalhar no primeiro para ser eleito no segundo.

Sobretudo parece ter condições para estabilizar os sistema político e cumprir um grande mandato, de modo a fazer esquecer um Cavaco transformado numa cada vez maior aberração. Cavaco já não é só aquele que nunca se engana e raramente tem dúvidas. Ontem afirmou que fez tudo bem, enquanto presidente… E perante a insistência incrédula da jornalista, voltou a bater na mesma tecla. Esta falta de humildade democrática, e mesmo soberba, começa a ser doentia.

Insisto, Marcelo tem tudo para fazer um grande mandato. Mas o problema é que, com o Marcelo que se conhece nunca se sabe o que vai sair dali…