Arquivo da categoria: Portugal

Palavras perdidas (1236)

«O que é falso, e basta olhar para a lei, é dizer-se que a carência não tem nada a ver com os contratos de associação. Os contratos de associação têm como pressuposto absoluto a carência. E portanto onde não há carência, não há pressuposto para celebrar estes contratos. Quando em Junho de 2015 o anterior governo abriu um procedimento para celebrar 79 novos contratos, abriu o respectivo aviso por freguesias. E quando abriu esse aviso por freguesias, e quando tentou visar estes contratos no Tribunal de Contas, o Tribunal de Contas perguntou como é que se abria por freguesias. Como é que se compaginava a suposta concorrência com a abertura por freguesias? Naturalmente, só os colégios localizados naquelas freguesias é que podiam concorrer…
E eu permito-me ler os esclarecimentos que o Ministério da Educação da altura deu ao Tribunal de Contas. Diz assim: “É pois em concretização desta fundamental regra base da Lei 9/79 que o Estado, nos primeiros contratos de associação celebrados no âmbito deste novo estatuto, procedeu à delimitação das áreas geográficas de implantação da oferta através do critério das áreas carenciadas de rede pública. (…) A liberdade de escolha ou opção das famílias entre o ensino público e o privado não se faz através de contratos de associação. Não nos esqueçamos, com efeito, que, como estabelece o n.º 2 do artigo 16º dos Estatuto, os contratos de associação são celebrados com vista à criação de oferta de ensino, o que só se pode compreender na lógica da atenuação das lacunas e carência da rede pública”. Esta é a lógica que presidiu, e que continua a presidir, aos contratos de associação. E por isso, qualquer assunção de compromissos plurianual, que obrigue o Estado a abrir contratos quando não há carência é ilegal.»

Alexandra Leitão, Secretária de Estado Adjunta e da Educação, no Prós e Contras da passada segunda-feira, dedicado aos contratos de associação (Ladrões de Bicicletas, via Geringonça).

Do Vitória à beira do abismo até à glória

Cissé recebe a bola perante o olhar de André Leal

Vamos lá a ver uma coisa. Apoio o Vitória FC pela minha ligação a Setúbal e gosto do Benfica desde pequeno (Eusébio, Coluna, Simões, Zé Augusto, Torres) estão a ver?

O Vitória safou-se de descer de divisão (mais uma vez) mas tem que rever toda a sua organização e estratégia, de alto a baixo. O clube tem um presidente fora de tempo, precisa de ter scouting, organização, estrutura e resolver os problemas financeiros. A equipa fez uma primeira volta meritória, mas caiu no erro de vender Suk (o seu melhor marcador) no mercado de Inverno (que, afinal, não veio a servir para nada ao FC Porto!), e com a saída de Semedo (de regresso a Alvalade) ficou em profundo desequilíbrio, nunca mais se conseguindo encontrar.

Esta SAD provavelmente está condenada a declarar falência, e quando isso acontecer se verá se o clube subsiste ou não. As confusões, avanços e recuos com a mudança de local do estádio também não ajudaram nada.

Luís Filipe Vieira recebe troféu das mãos do presidente-executivo da NOS, Miguel Almeida

Quanto ao campeão.

A questão que JJ pôs em cima da mesa quando começou a perceber que não ia ganhar, foi a ideia de a sua equipa ser a que jogou melhor futebol nesta temporada. Essa narrativa está a ser utilizada pelos adeptos que não têm mais anda a que se agarrar. Compreendo. Mas é necessário definir critérios claros antes de se afirmar que uma equipa jogou melhor do que outra.
Será o número de pontos alcançado? O Benfica fez mais. Será o número de golos marcados? O Benfica fez mais (Jonas foi até o melhor marcador do campeonato). Será o número de vitórias tangenciais? O Benfica tem menos do que o Sporting, isto é, ganhou mais vezes por vitória folgada. Será o número de jogos ganhos depois dos 90 minutos? O Benfica ganhou mais vezes antes do final do tempo regulamentar do que o Sporting.

Reduzir os critérios apenas a quem ganhou maior número de derbys ou clássicos não é sério. É apenas um critério entre muitos possíveis.

Sou o primeiro a dizer que, caso o Sporting tivesse ganho este campeonato seria um justo campeão. Mas digo o mesmo do Benfica. Sou o primeiro a dizer que os leões jogaram melhor futebol na fase final da competição, mas não esqueçamos que o SLB disputou a Champions até muito tarde e ainda está na final da Taça da Liga, enquanto o SCP foi arredado de todas as competições nacionais e europeias. É normal que o cansaço faça mossa. De todo o modo foi uma época empolgante até ao fim.

Jorge Jesus é um bom treinador, tem obra feita, e por isso não precisa de rebaixar os outros para se evidenciar. É muito feio e está a pagar por ser desbocado e se comportar como um burgesso. Rui Vitória revelou, pelo contrário, ser humilde e bateu muitos dos recordes de JJ logo no seu primeiro ano no Benfica. E não só. Nunca o SLB tinha feito tantos pontos num campeonato nacional. Alguém devia lembrar JJ que este mesmo “não-treinador” – Rui Vitória – ganhou a Taça de Portugal a um Benfica de Jesus há 2 anos…

Fico satisfeito por termos duas grandes equipas neste momento, e espero que o FC Porto recupere a notoriedade desportiva de outros tempos em breve.

Lamento dizer mas creio que Bruno de Carvalho, apesar de ter trazido novo impulso ao clube de Alvalade, parece-me que vai acabar por sair pela porta pequena. Quem não honra os que o antecederam nem os adversários, não merece ser honrado. Nem falo dos outros dois, que são meras criaturas do presidente e a voz do dono.

A próxima época tende a ser ainda mais empolgante (apesar das mudanças de jogadores e treinadores), com um Sporting moralizado pelo excelente trabalho desta época e com pretensões de vir a ser campeão (a não ser que JJ abandone o clube, como consta), um SLB moralizado pelo tricampeonato e a tentar o tetra, e um FC Porto desesperado por 3 anos seguidos sem ganhar nada, mas talvez com JJ. Será?

Agora vem aí o Europeu e somos todos da mesma equipa. E depois há as férias, para acalmar as emoções dos doentinhos da bola.

 

 

Palavras perdidas (1235)

“O Presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Filinto Lima) garante que estas escolas estão prontas para receber mais alunos e, lembrando um estudo encomendado pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas à Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, deixa um recado aos país: ‘podem estar descansados. São os alunos da escola pública os que têm melhores resultados nas universidades’ o que ‘diz muito se não diz mesmo tudo sobre os rankings que por ai se fazem”.

(RTP Notícias)

Palavras perdidas (1234)

 

«Nenhum aluno será transferido do colégio onde que se encontra, com contrato de associação, para um estabelecimento público. E por quê? Porque o Governo está a assegurar o compromisso de cumprir os contratos celebrados, que garantem o fim do ciclo. Para ser claro: um aluno que está no 5º ano vai para o 6º; um aluno que está no 7º ano vai para o 8º; um aluno que está no 10º vai para o 11º e do 11º para o 12º. (…) O que poderá acontecer, porque são ciclos diferentes, é um aluno que está no 6º [fim de ciclo] não passar para o 7º [início de ciclo]. Isso pode acontecer nos casos em que haja uma duplicação com a rede pública. Ou seja, quando a rede pública não só existe como tem qualidade e corresponde a capacidade instalada. (…) O que está em causa é evitar e eliminar as redundâncias. (…) O governo vai analisar a rede e, como faz todos os anos, verificar quantas turmas são necessárias na rede pública, quantas turmas a rede pública não cobre e, consequentemente, quantas turmas de início de ciclo têm que ser abertas em colégios com contrato de associação. (…) Uma coisa posso garantir: é que uma turma na escola pública, onde haja capacidade instalada – e gostava aqui de sublinhar que estamos a falar em capacidade instalada, de uma escola pública que tem capacidade para 40 turmas e só lá tem 25, por exemplo (e há muitas) -, quando há capacidade instalada, uma turma numa escola pública custa bastante menos.»

Excertos da entrevista da Secretária de Estado Adjunta da Educação, Alexandra Leitão, a Judite de Sousa (no programa 21ª hora da TVI24), que merece ser vista na íntegra. Esclarecer é preciso, sobretudo quando os partidos da direita, PSD e CDS-PP, continuam a alinhar o seu discurso a retórica dos privados em torno dos contratos de associação, carregando ainda mais o ar de propaganda e desinformação.

 

Barroso: dificuldades com a verdade


Jorge Sampaio era Presidente da República e Durão Barroso era primeiro-ministro em 2003, quando se realizou a Cimeira das Lajes, que levou à invasão do Iraque. PATRICIA DE MELO MOREIRA.

 

Em entrevista ao Expresso de ontem Durão Barroso tentou retocar a sua imagem política para a História, procurando disfarçar a página porventura mais negra da sua carreira de homem público: a cimeira das Lajes, que desencadeou a guerra do Iraque e toda a miséria dela decorrente, incluindo o Daesh.

Para se limpar afirmou que o presidente da altura tinha concordado com a referida cimeira, supostamente dando cobertura para a invasão do Iraque, com base em provas falsas, como se sabe. Acontece que Jorge Sampaio vem hoje esclarecer a situação, deixando a nu a mentira da afirmação de Barroso.

A questão que se coloca é esta: porque razão os políticos mentem tanto e com tanto descaramento?