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Alt-PSD

Pedro Passos Coelho, inaugura edifícios centrais do Parque Tecnológico de Óbidos

“We are what we pretend to be, so we must be careful about what we pretend to be.”

Kurt Vonnegut

No seu discurso no Pontal, Passos Coelho disse que não queria “qualquer um” a viver em Portugal. Nestes tempos mediáticos, por uma questão de precaução e de sanidade mental, sempre que ouço uma afirmação polémica como esta, desconfio. Infelizmente, a declaração de líder do PSD consegue ser ainda pior em contexto.

Em primeiro lugar, o seu timing. Este discurso foi proferido num fim de semana marcado por uma sangrenta manifestação nazi nos Estados Unidos. Antes destes acontecimentos, o PSD havia reiterado o seu apoio a um candidato autárquico que proferiu declarações racistas, recebendo o apoio do PNR e o repúdio do CDS.

Em segundo lugar, a afirmação completa consegue ainda ser pior. Passos não diz apenas que não quer qualquer um a viver em Portugal, mas que caso isso aconteça o país deixará de ser seguro. Segundo Passos, os estrangeiros, qualquer um deles, são assim uma fonte de insegurança e violência, ao contrário dos portugueses, que são todos cumpridores da lei.

Em terceiro lugar, revela um complexo de classe. O primeiro governo liderado por Passos criou o “visto gold”, que permitia a entrada no país a qualquer um que tivesse determinado dinheiro para gastar. Presumo que na visão de Passos criminalidade seja incompatível com riqueza.

Por outro lado, este discurso xenófobo e nacionalista parece incompatível com os seus discursos anteriores, segundo os quais os portugueses eram uns piegas que viviam acima das suas possibilidades, ao contrário dos exemplares povos do norte da Europa.

Passos Coelho nunca teve uma consistência de pensamento ou de ideologia, foi sempre modificando segundo as tendências mais recentes. Ele é uma espécie de Spinal Tap da política, mas pelo menos devia seguir o conselho de Vonnegut e ser mais cuidadoso com o que finge ser.

 

Fonte: CRG, 365 Forte.

A política da terra queimada

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Já em 2016 o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, dizia que 98% dos fogos florestais têm mão humana e desses 75% serão de origem criminosa. E acrescentava ser impossível haver ignições de fogo com uma frente tão vasta como as que então se verificavam nos fogos na zona norte e centro do país e Madeira. Chegou a referir uma “onda terrorista” que provocava os incêndios florestais.

Este ano as coisas agravaram-se ainda mais, não só pelas mais difíceis condições climatéricas (seca extrema em boa parte do país, baixa humidade relativa, ventos fortes com mudanças súbitas de direcção e temperaturas muito altas), mas também, na opinião de alguns observadores, pela aproximação das eleições autárquicas. De facto é estranho ver deflagrar tantos fogos junto de povoações, muitos deles de noite, onde não é possível imputar as ignições a causas naturais.

A verdade é que este ano multiplicaram-se as detenções da PJ a suspeitos de fogo posto, relativamente a anos anteriores. Ou muito me engano ou anda aí quem mande pegar fogo em locais habitados, para criar o caos e tentar ganhar votos na terrinha.

Talvez pensem ser um método mais eficaz do que inventar suicídios e mortos que não existem…

 

O Isaltino exaltou-se

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O Isaltino exaltou-se com a observação do tribunal à sua candidatura. Vai daí toca de acusar o juiz de parcialidade por ter sido padrinho de casamento do actual presidente da câmara e candidato.

É claro que lhe foi dado prazo para regularizar a documentação da candidatura, como é normal. E se acaso a decisão do magistrado carece de substância ele estará com problemas.

Mas, além da teoria da cabala estar de volta, o que mais impressiona é o conceito que Isaltino tem dos magistrados portugueses, não hesitando em fazer-lhes processos de intenções de imediato.

Ele que já foi condenado por crimes e cumpriu pena.

Ele, que em tempos foi um deles – magistrado do Ministério Público.

Se é assim que se vêem a si próprios, eles lá sabem…

Ainda o jornalismo da treta

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Lá vou eu voltar ao tema do jornalismo da treta. Desta vez dou voz ao jornalista Daniel Oliveira (Facebook). Na mouche:

“Hoje vi a gravação de uma entrevista em direto (que não reproduzo aqui), feita pela TVI, ao pai da criança que morreu na Praia São João. Ainda houve alguém que tapou a objectiva e tentou convencer o pai, visivelmente perturbado e provavelmente em estado de choque, a pôr fim a uma entrevista a quem, ainda de tronco nu e depois de ver a sua filha morrer, não estava em condições emocionais para falar. É nestes momentos que os jornalistas se tornam inimigos dos cidadãos e de si mesmos. E têm de ser os seus camaradas os primeiros levantar a voz contra a indignidade. A concorrência pelas audiências é o negócio dos acionistas e dos administradores. O dos jornalistas é informar dentro de um conjunto de regras deontológicas. Uma delas pode ser lida no código deontológico: “O jornalista obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas.” E isso inclui pessoas que até podem querer falar. Parece tão óbvio que nem precisava de estar escrito. Bastariam pessoas decentes e sensatas, coisa que começa no exercício das nossas profissões.”

Jornalismo da treta

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Não entendo mesmo esta pressa parola dos “jornaleiros” de agora darem as notícias de qualquer maneira, sem confirmação, na ânsia de serem os primeiros. Ontem ouvi (e vi no sticker, em rodapé) um canal de televisão afirmar que a avioneta tinha morto uma mulher na casa dos trinta anos e a sua filha de dez na praia.

Mais tarde corrigiram o erro, tanto quando ao sexo e idade do adulto como à idade da criança falecida, e ao facto de ambos não terem qualquer relação de parentesco. Mas o que é que esta gente tem na cabeça?

E como ficaram as pessoas que tinham familiares naquela praia com essas idades e relação de parentesco?

É isto o tal jornalismo responsável? Mas o pessoal parece que gosta…