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Matadouros em vez de serviços de urgência

Importante ver. Importante ouvir a alarvidade debitada pelo secretário de Estado da Saúde sobre o que a televisão revela. Importante ouvir o desprezo pela população que o primeiro-ministro revela no debate parlamentar, quando interpelado sobre a matéria. Vá, e agora votem neles outra vez…

Segurança Social: não sejamos ingénuos

 

O governo está fortemente empenhado em destruir a Segurança Social. Começou com os cortes brutais no orçamento, depois com o despedimento de 700 funcionários e agora com o previsível estrangulamento do seu orçamento ( menos cerca de 600 milhões), através do abaixamento da TSU para as empresas.

Não é um acidente e muito menos uma inevitabilidade, é mesmo uma estratégia política, com base numa ideologia liberal extremada, que pretende, afinal, o desmantelamento do estado social.

Até Manuela Ferreira Leite desmascara esta política nefasta e sabe que é assim que pensam aquelas cabecinhas dos indivíduos sem escrúpulos políticos que estão no governo.

Por outro lado, vê-se que não aprenderam nada com a resposta do país à tentativa anterior de pôr os trabalhadores a pagar o que competia às empresas. E como, apesar de tudo, parte do eleitorado parece ser masoquista e diz que pensa votar nestes incompetentes…

Porque estão as crianças em risco a ser assassinadas em Portugal?

Comissão de Loures falhou: não comunicou maus tratos a Bia ao Ministério Público
Fotografia © Diana Quintela / Global Imagens

 

Era bem melhor que se fosse honesto e tornasse público que as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco estão inoperacionais por falta de técnicos. É uma vergonha o que lá se passa. De momento não servem para quase nada. Os poderes públicos andam a fingir que está tudo normal e vão acabar por querer responsabilizar os técnicos. É o costume. E se os lugares não forem preenchidos vamos ter constantemente notícias destas.

Palavras perdidas (1440)

«Nada como um momento de alguma incontinência verbal para a verdade vir ao de cima. Num “Fórum” da TSF desta semana, o secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, foi de uma clareza ímpar. Confrontado com dados do INE que confirmam que, na última década, há menos camas de internamento na rede de hospitais públicos e mais nas unidades privadas, enquanto diminuíram também os serviços de urgência, o governante foi claro. Admitiu existir de facto uma transferência para os hospitais privados, mas, esclareceu, parte dessas transferências é suportada por recursos públicos, o que mostra que não há um alívio das contas públicas na saúde (sic). Fica assim mais uma vez demonstrado que, para onde quer que olhemos, a famigerada reforma do Estado reduz-se sempre, em última análise, à contratualização de serviços públicos, assegurando privilégios a negócios privados, construindo, assim, um verdadeiro Estado paralelo. Não se diga, portanto, que o Governo falhou. Naquilo que era a sua verdadeira intenção, a coligação concretizou os seus verdadeiros intentos. (…) Como bem tem explicado o economista norte-americano James Galbraith, a direita há muito abandonou a crença nos mercados livres como instrumento racional. Em “O Estado Predador”, Galbraith defende que, hoje, para a direita o laissez-faire é apenas um mito, ainda que útil na medida em que tem um efeito de ilusão, e que o que temos hoje é um Estado predador, ou seja, uma coligação de opositores à ideia de interesse público e que tem como propósito final reconfigurar as políticas publicas, de forma a que estas sejam um instrumento de financiamento de negócios privados. Quando ouvirem falar em sucesso da estratégia de ajustamento, não se iludam. Estão mesmo a falar verdade.»

Pedro Adão e Silva, O Estado predador

Sobre as patas traseiras…

Numa edição recente do  jornal norueguês Aftenposten, numa notícia intitulada «O sucesso grego pode contaminar outros críticos da Europa», surge uma frase, ou imagem, curiosa: «em pé, sobre as patas de trás». Aplica-se, imagine-se, ao primeiro-ministro português.

Neste trecho, que fecha o artigo, pode ler-se:

“A linha portuguesa recebe Críticas

Nenhum líder europeu tem sido mais crítico do governo conduzido pelo Syriza em Atenas do que o primeiro-ministro de Portugal Pedro Passos Coelho.

Ele descreve o plano do primeiro-ministro grego como uma aventura e ergue-se sobre as patas traseiras contra qualquer suavização do programa de reformas gregas.

 

 

Se o leitor quiser perceber o sentido da expressão “står på bakbenene” use o tradutor do Google e delicie-se. É mais do que certo ir dar ao famoso quadro de Jackob van Doordt: Ulrik (início sec. XVII), que é bem sugestivo…

Fonte: Internet.

Palavras perdidas (1439)

«Fez no dia 6 de abril quatro anos que Portugal pediu ajuda internacional. É mais do que tempo de fazer o balanço dos erros, mentiras e traições deste período e desconstruir o discurso que os vencedores têm produzido sobre o que se passou. (…) Hoje, pegando nas projeções para a economia portuguesa contidas no MoU [Memorando de Entendimento], é espantoso constatar a disparidade com o que aconteceu. Em vez de um ano de austeridade tivemos três. Em vez de uma recessão não superior a 4%, tivemos quase 8%. Em vez de um ajustamento em 2/3 pelo lado da despesa e 1/3 pelo lado da receita, tivemos exatamente o contrário: uma austeridade de 23 mil milhões reduziu o défice orçamental em apenas 9 mil milhões. Em vez de um desemprego na casa dos 13%, ultrapassámos os 17%. Em vez de uma emigração que não estava prevista, vimos sair do país mais de 300 mil pessoas. E em vez da recuperação ser forte e assente nas exportações e no investimento, ela está a ser lenta e anémica, assentando nas exportações e no consumo interno. A única coisa que não falhou foi o regresso da República aos mercados. Mas tal seria possível sem as palavras do governador do BCE, Mario Draghi, no verão de 2013, ou sem o programa de compra de dívida pública dos países da zona euro? Alguém acredita que teríamos as atuais taxas de juro se não fosse isso, quando as agências de rating mantêm em lixo a nossa dívida pública? Só mesmo quem crê em contos de crianças.»

Nicolau Santos, Anatomia e dissecação de um colossal falhanço