Arquivo da categoria: Reflexões, Memória

Um mundo misturado

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O amor (e não o ódio)

Uma das razões para estudar História é que se podem aprender grandes lições com ela. Mas é trágico verificar que, afinal, tantos são aqueles que aprendem tão pouco.

A presente histeria islamofóbica, anti-refugiados e anti-estrangeiros de que Donald Trump se fez bandeira, de forma oportunista, em nada difere, por exemplo, do problema americano com a segregação racial, leia-se racismo contra os negros.

No sul da América, os negros eram trabalhadores sem direitos, e tinham servido anos a fio como escravos que alimentavam uma estrutura agrícola produtiva baseada no cultivo do algodão.

É bom recordar que Martin Luther King, o pastor baptista que liderou a luta pelos direitos civis pela população negra, foi cobardemente assassinado a tiro (1968), assim como o presidente Lincoln, que tinha vencido a Guerra da Secessão (1861-1865) e abolido a escravatura.

Tal como os muçulmanos, os negros eram cidadãos americanos. Tão cidadãos como os brancos, mas a política oficial estipulava a discriminação pela cor da pele. Hoje quer-se segregar mexicanos, muçulmanos e sabe-se lá quem mais. É a mesma loucura e falta de humanidade.

The eyes of senseless hatred

Elizabeth Ann Eckford, foi uma das nove estudantes afro-americanas a quem foi permitido pela primeira vez frequentar a Little Rock Central High School, Arkansas, em 1957. Na foto ela é seguida, provocada e insultada por uma multidão de mulheres brancas e furiosas que a cerca, as quais, contra as ordens do governador, tentam intimidar a jovem para que abandone os estudos. Pode-se perceber o desprezo e o ódio destas mulheres contra a jovem negra.

goebbels

Anos antes o líder nazi Joseph Goebbels tratou Eisenstaedt – o autor desta foto – com respeito até descobrir que o fotógrafo era judeu, no exacto momento da captação da imagem. Pode-se sentir mesmo repulsa e ódio nos seus olhos face à descoberta.

Ontem, como hoje, a filiação religiosa não assegura automaticamente o respeito pelo próximo nem sequer a sua aceitação e muito menos o amor que Jesus de Nazaré ensinou que lhe devemos. Sem excepções. As mulheres brancas de Little Rock, certamente seriam protestantes ou católicas, frequentadoras do culto ou da missa, nalguma comunidade religiosa sujeita à proibição de entrada aos negros, assim como os líderes nazis invocavam o nome de Deus na sua luta contra judeus, ciganos, homossexuais e pessoas portadoras de deficiência.

A atitude agressiva de Donald Trump é a mesma para com os muçulmanos do que a da América segregacionista era para com os negros, ou o regime nazi na Alemanha para com os judeus.

É por isso que tal discurso tem que ser denunciado com todo o vigor, e relembrar aos cristãos que se deixam ludibriar que o ódio não é uma linguagem bíblica nem cristã. Pelo contrário, quem odeia é fraco e se diz que ama a Deus, mente: “Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (I João 4:20).

Mas o amor é a maior força do Universo. Já Salomão dizia que “o amor é forte como a morte” (Cânticos 8:6).

E como notava o papa Francisco, nas recentes Jornadas Mundiais da Juventude, em Cracóvia, há que evitar a “paralisia” do medo, considerando-a como “um dos piores males que nos podem acontecer na vida”, tendo exortado os jovens a   promover a “fraternidade” como resposta ao mal.

O amor vencerá.

 

 

 

 

Neoliberalismo: a ideologia na raiz de todos os nossos problemas

Um excelente artigo de George Monbiot no Guardian. Em inglês. A ler.

Ronald Reagan and Margaret Thatcher at the White House.
‘No alternative’ … Ronald Reagan and Margaret Thatcher at the White House. Photograph: Rex Features

 

Financial meltdown, environmental disaster and even the rise of Donald Trump – neoliberalism has played its part in them all. Why has the left failed to come up with an alternative?

Imagine if the people of the Soviet Union had never heard of communism. The ideology that dominates our lives has, for most of us, no name. Mention it in conversation and you’ll be rewarded with a shrug. Even if your listeners have heard the term before, they will struggle to define it. Neoliberalism: do you know what it is?

Its anonymity is both a symptom and cause of its power. It has played a major role in a remarkable variety of crises: the financial meltdown of 2007‑8, the offshoring of wealth and power, of which the Panama Papers offer us merely a glimpse, the slow collapse of public health and education, resurgent child poverty, the epidemic of loneliness, the collapse of ecosystems, the rise of Donald Trump. But we respond to these crises as if they emerge in isolation, apparently unaware that they have all been either catalysed or exacerbated by the same coherent philosophy; a philosophy that has – or had – a name. What greater power can there be than to operate namelessly?

Continuar a ler aqui.

Recordando Cavaco na hora duma despedida sem qualquer encanto

Foi-se embora de vez, da vida política (espera-se!), o pior presidente da república desde 1974, que o regime do Estado Novo considerava seu afecto. Recordamos um dos episódios mais tristes dos governos do Sr. Silva.

Cavaco homenageia o homem a quem há 20 anos recusou pensão

por Bruno Roseiro, Publicado em 10 de Junho de 2009
Cavaco Silva vai depositar um coroa de flores junto à estátua de Salgueiro Maia, em Santarém.

Quando, esta manhã, Natércia Maia olhar nos olhos do Presidente da República, há-de lembrar-se do primeiro-ministro que, há 20 anos, recusou conceder a Salgueiro Maia uma pensão por “serviços excepcionais ou relevantes prestados ao país”. Cavaco Silva que hoje, às dez da manhã, vai depositar uma coroa de flores junto à estátua do capitão de Abril, há-de lembrar-se da polémica provocada por ter concedido a dois inspectores da PIDE, António Bernardo e Óscar Cardoso, a pensão que negou a Salgueiro Maia.Em 1988, o militar solicitou ao governo uma pensão “por serviços excepcionais prestados ao país”. O pedido recebeu apreciação positiva – e até obrigatória – do conselho consultivo da PGR que, em Junho de 1989, por unanimidade, declarou que “muito do êxito da revolução se ficou a dever ao comportamento valoroso daquele que foi apodado de Grande Operacional do 25 de Abril”.

O parecer enviado a Cavaco Silva e Miguel Cadilhe, então primeiro-ministro e ministro das Finanças, respectivamente, ficou amarrado a um silêncio que durou três anos. Em 1992, a recusa é revelada porque se fica a saber que Cavaco Silva “tinha concedido pensões por serviços relevantes prestados ao país” a dois inspectores da PIDE. Um deles estava entre os que fizeram fogo sobre a multidão que estava na rua António Maria Cardoso – causando os únicos mortos da revolução.

 

 

pides

A revelação provocou uma onda de indignação no país: Francisco Sousa Tavares escreve, no “Público”, críticas violentas que acabam em tribunal – as palavras do escritor irritaram os juízes do Supremo Tribunal Militar – e dois meses mais tarde surge a mão de Mário Soares.

O Presidente escolhe então o dia das Forças Armadas para condecorar Salgueiro Maia com a Ordem Militar de Torre e Espada. A honra concedido a título póstumo – Salgueiro Maia morreu a 4 de Junho de 1992 – era a única condecoração que podia dar direito a uma pensão.

Cavaco Silva vai estar hoje frente-a-frente com o passado, perante um militar que juntou quatro presidentes da República no dia do funeral.

Fonte: Ionline, Bruno Roseiro, publicado em 10 de Junho de 2009.
A hipocrisia política por vezes tem contornos maquiavélicos. Ler aqui. 
 

Do insano boicote iraniano aos produtos com origem judaica

 

Em tempos o líder supremo do Irão, ayatola Khomeini, pediu ao mundo muçulmano para boicotar tudo que tivesse origem judaica. Em resposta, Meyer M. Treinkman, um farmacêutico, ofereceu-se para ajudá-lo no boicote, da seguinte forma:

“Qualquer muçulmano que tenha sífilis não deve ser curado pelo teste de Wasserman que foi descoberto pelo judeu Dr. Ehrlich. Muçulmanos que tenham gonorreia, não devem fazer o diagnóstico, porque vão usar o método do judeu Neissner.

Muçulmanos com doença cardíaca não devem utilizar Digitalis, descoberta pelo judeu Ludwig Traube.

Se sofrerem com dores de dentes não devem usar Novocaína, descoberta pelos judeus Widal e Weil, e no caso de dor de cabeça devem evitar Pyramidon e Antypyrin, dos judeus Spiro e Ellege.

Se sofrerem de diabetes, não devem usar insulina, o resultado da pesquisa do judeu Minkowsky.

Muçulmanos com convulsões devem ficar assim, porque foi o judeu Oscar Leibreich, que propôs o uso de hidrato de cloral.

Não se devem tratar de perturbações psíquicas, porque Freud, pai da psicanálise, era judeu.

Se uma criança muçulmana contrair difteria deve abster-se do “Schick” reacção, que foi inventado pelo judeu Bella Schick.

Os muçulmanos devem estar prontos para morrer em grande número e não devem permitir o tratamento da orelha e danos cerebrais, trabalho de judeu ganhador do Prémio Nobel, Robert Baram.

Também devem continuar a morrer ou ficar aleijados em resultado da paralisia infantil, porque o descobridor da vacina é o judeu Jonas Salk.

Os muçulmanos devem recusar usar estreptomicina e continuar a morrer de tuberculose, porque o judeu Zalman Waxman inventou a droga milagrosa contra esta doença mortal.

Os médicos muçulmanos devem descartar todas as descobertas e avanços científicos devidos ao dermatologista Judas Sehn Bento, ao especialista em pulmões Frawnkel, e muitos outros cientistas e especialistas médicos judeus de renome mundial.

Sendo assim, todos os muçulmanos doentes devem permanecer com sífilis, gonorreia, doenças de coração, dores de cabeça, tifo, diabetes, transtornos mentais, convulsões, poliomielite e tuberculose, orgulhosos de obedecer ao boicote islâmico.

E já agora não chamem o médico pelo telemóvel, já que este foi inventado em Israel por um engenheiro judeu.”

Mas que contribuições médicas deram os muçulmanos ao mundo, quando representam 20% da população mundial? Eles receberam os seguintes Prémios Nobel:

Literatura:

1988 – Najib Mahfooz

Paz: 1978 – Mohamed Anwar El-Sadat

1990 – Elias James Corey

1994 – Yasser Arafat:

1999 – Ahmed Zewai

Economia: (Zero)

Física: (Zero)

Medicina:

1960 – Peter Brian Medawar

1998 – Mourad Ferid

TOTAL: 7

A população judia representa 0,02% da população mundial, e conta com os seguintes Prémios Nobel:

Literatura:

1910 – Paul Heyse

1927 – Henri Bergson

1958 – Boris Pasternak

1966 – Shmuel Yosef Agnon

1966 – Nelly Sachs

1976 – Saul Bellow

1978 – Isaac Bashevis Singer

1981 – Elias Canetti

1987 – Joseph Brodsky

1991 – Nadine Gordimer Mundial

Paz:

1911 – Alfred Fried

1911 – Tobias Michael Carel Asser

1968 – René Cassin

1973 – Henry Kissinger

1978 – Menachem Begin

1986 – Elie Wiesel

1994 – Shimon Peres

1994 – Yitzhak Rabin

Física:

1905 – Adolf Von Baeyer

1906 – Henri Moissan

1907 – Albert Abraham Michelson

1908 – Gabriel Lippmann

1910 – Otto Wallach

1915 – Richard Willstaetter

1918 – Fritz Haber

1921 – Albert Einstein

1922 – Niels Bohr

1925 – James Franck

1925 – Gustav Hertz

1943 – Gustav Stern

1943 – George Charles de Hevesy

1944 – Isidor Isaac Rabi

1952 – Felix Bloch

1954 – Max Born

1958 – Igor Tamm1959 – Emilio Segre

1960 – Donald A. Glaser

1961 – Robert Hofstadter

1961 – Melvin Calvin

1962 – Lev Davidovich Landau

1962 – Max Ferdinand Perutz

1965 – Richard Phillips Feynman

1965 – Julian Schwinger

1969 – Murray Gell-Mann

1971 – Dennis Gabor

1972 – William Howard Stein

1973 – Brian David Josephson

1975 – Benjamin Mottleson

1976 – Burton Richter

1977 – Ilya Prigogine

1978 – Arno Penzias Allan

1978 – Peter L Kapitza

1979 – Stephen Weinberg

1979 – Sheldon Glashow

1979 – Herbert Charles Brown

1980 – Paul Berg

1980 – Walter Gilbert

1981 – Roald Hoffmann

1982 – Aaron Klug

1985 – Albert A. Hauptman

1985 – Jerome Karle

1986 – Dudley R. Herschbach

1988 – Robert Huber

1988 – Leon Lederman

1988 – Melvin Schwartz

1988 – Jack Steinberger

1989 – Sidney Altman

1990 – Jerome Friedman

1992 – Rudolph Marcus

1995 – Martin Perl

2000 – Alan J. Heeger

Economia:

1970 – Paul Anthony Samuelson

1971 – Simon Kuznets

1972 – Kenneth Joseph Arrow

1975 – Leonid Kantorovich

1976 – Milton Friedman

1978 – Herbert A. Simon

1980 – Lawrence Robert Klein

1985 – Franco Modigliani

1987 – Robert M. Solow

1990 – Harry Markowitz

1990 – Merton Miller

1992 – Gary Becker

1993 – Robert Fogel

Medicina:

1908 – Elie Metchnikoff

1908 – Paul Erlich

1914 – Robert Barany

1922 – Otto Meyerhof

1930 – Karl Landsteiner

1931 – Otto Warburg

1936 – Otto Loewi

1944 – Joseph Erlanger

1944 – Herbert Spencer Gasser

1945 – Ernst Boris Cadeia

1946 – Hermann Joseph Muller

1950 – Tadeus Reichstein

1952 – Selman Abraham Waksman

1953 – Hans Krebs

1953 – Fritz Albert Lipmann

1958 – Joshua Lederberg

1959 – Arthur Kornberg

1964 – Konrad Bloch

1965 – François Jacob

1965 – Andre Lwoff

1967 – George Wald

1968 – Marshall W. Nirenberg

1969 – Salvador Luria

1970 – Julius Axelrod

1970 – Sir Bernard Katz

1972 – Gerald Maurice Edelman

1975 – Howard Martin Temin1976 – Baruch Blumberg S.

1977 – Roselyn Sussman Yalow

1978 – Daniel Nathans

1980 – Baruj Benacerraf

1984 – Cesar Milstein

1985 – Michael Stuart Brown

1985 – Joseph L. Goldstein

1986 – Stanley Cohen [& Rita Levi-Montalcini]

1988 – Gertrude Elion

1989 – Harold Varmus

1991 – Erwin Neher

1991 – Bert Sakmann

1993 – Richard J. Roberts

1993 – Phillip Sharp

1994 – Alfred Gilman

1995 – Edward B. Lewis

1996 – Lu Rose Iacovino

 TOTAL: 129.

 

P.S. – A lista está desactualizada.