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Não é hora de ficar calado

Isto é o que membros da Administração Trump e alguns líderes cristãos americanos estão a defender. Seis ou sete neonazis a espancar e tentar matar um jovem negro, que consegue fugir, ensanguentado. “Morre, negro!”, é o que se ouve (ver vídeo).

Violência gera violência.

Os Estados Unidos tiveram uma única guerra civil (1861-1865) por causa do racismo, mais tarde a luta pelos direitos civis, nos anos sessenta, que foi regada com o sangue de mártires como o Pr. Luther King, conseguiram eleger um presidente afro-americano, pela primeira vez (2009-2017), e agora parece que alguém está apostado em fazer a História voltar para trás, em especial desde que Trump levou para a Casa Branca o supremacista branco Steve Bannon.

Compete à Igreja elevar uma voz profética, à semelhança dos profetas do Antigo Testamento e em obediência ao Evangelho. Tudo quanto for menos do que isso é vergonhoso e lamentável.

 

Franklin Graham prestou um mau serviço à América

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Lamento, mas não posso continuar calado.

Quando os nacionalistas brancos marcharam nas ruas de Charlottesville a destilar ódio, agredir e matar, Graham resolveu culpar o governador e quem decidiu a remoção de um monumento racista da cidade, com o argumento de que “deveriam ter sabido” que a decisão não seria popular entre a extrema-direita.

O filho de Billy Graham aponta o dedo constantemente aos autores de ataques terroristas quando são muçulmanos, acusando todo um sistema de crença islâmico e afirmando que “estamos em guerra com o Islão”. Mas desta vez tentou a habilidade de condenar toda a gente menos os arruaceiros e assassinos supremacistas brancos, ou a ideologia nacionalista anti-cristã que professam.

E acrescentou que fazer a ligação natural entre a ideologia de Trump e a dos terroristas de Charlottesville (não lhes chamou assim, como é evidente!) é simplesmente uma tentativa de “Satanás dividir os cristãos”, numa altura em que Trump está a perder grande parte do apoio das igrejas.

Mas todos sabemos que os supremacistas brancos integram a base de apoio político do presidente. Daí ele ter resistido a condená-los, durante dois longos dias, só o fazendo depois de ter sido alvo de duras críticas de toda a classe política, incluindo do seu partido e de ter visto vários colaboradores seus demitirem-se em protesto, na Casa Branca.

A ideologia essencial destes grupos (Ku Klux Klan, alt-right, neonazis, movimento nacional socialista ou Partido Americano da Liberdade) é a de que a raça branca é superior a todas as outras e, por isso, deve dominar a sociedade. O KKK, por exemplo, nasceu em meados do século XIX num Sul que não aceitava a derrota na Guerra Civil americana e o fim da escravatura.

Ora, tal filosofia é profundamente anti-cristã e anti-bíblica, como é bom de ver, e chegou a dividir a poderosa Convenção Baptista do Sul há uns meses.

Os criminosos de Charlottesville vieram descrever publicamente Heather Heyer, a mulher brutalmente assassinada por um jovem nazi, admirador de Hitler, como “uma vadia gorda de 32 anos e sem filhos”. Segundo o DN, a declaração em questão dizia que “muitos estão felizes por Heather ter morrido porque ela era ‘a definição da inutilidade’ e um fardo para a sociedade por não ter filhos – mulheres sem filhos são buracos negros que sugam dinheiro e energia”.

É tristemente curioso ver como Franklin Graham, enquanto líder espiritual americano de relevo, não é capaz de ter uma única palavra de condenação para este tipo de comportamentos, preferindo apoiar cegamente um presidente sem valores nem ética, e cobrindo assim de vergonha todo o povo cristão americano.

E a mim também.

 

O meu amigo Luís Gonzaga lembrou oportunamente que em 1943, o departamento de guerra dos Estados Unidos lançou este vídeo para dizer aos americanos que rejeitassem a retórica fascista. 74 anos depois, este vídeo é profundamente actual. Lembremo-nos todos de que, como escreveu Edmund Burke: “tudo o que é necessário para o triunfo do mal é que os homens bons não façam nada”.

 

Alt-PSD

Pedro Passos Coelho, inaugura edifícios centrais do Parque Tecnológico de Óbidos

“We are what we pretend to be, so we must be careful about what we pretend to be.”

Kurt Vonnegut

No seu discurso no Pontal, Passos Coelho disse que não queria “qualquer um” a viver em Portugal. Nestes tempos mediáticos, por uma questão de precaução e de sanidade mental, sempre que ouço uma afirmação polémica como esta, desconfio. Infelizmente, a declaração de líder do PSD consegue ser ainda pior em contexto.

Em primeiro lugar, o seu timing. Este discurso foi proferido num fim de semana marcado por uma sangrenta manifestação nazi nos Estados Unidos. Antes destes acontecimentos, o PSD havia reiterado o seu apoio a um candidato autárquico que proferiu declarações racistas, recebendo o apoio do PNR e o repúdio do CDS.

Em segundo lugar, a afirmação completa consegue ainda ser pior. Passos não diz apenas que não quer qualquer um a viver em Portugal, mas que caso isso aconteça o país deixará de ser seguro. Segundo Passos, os estrangeiros, qualquer um deles, são assim uma fonte de insegurança e violência, ao contrário dos portugueses, que são todos cumpridores da lei.

Em terceiro lugar, revela um complexo de classe. O primeiro governo liderado por Passos criou o “visto gold”, que permitia a entrada no país a qualquer um que tivesse determinado dinheiro para gastar. Presumo que na visão de Passos criminalidade seja incompatível com riqueza.

Por outro lado, este discurso xenófobo e nacionalista parece incompatível com os seus discursos anteriores, segundo os quais os portugueses eram uns piegas que viviam acima das suas possibilidades, ao contrário dos exemplares povos do norte da Europa.

Passos Coelho nunca teve uma consistência de pensamento ou de ideologia, foi sempre modificando segundo as tendências mais recentes. Ele é uma espécie de Spinal Tap da política, mas pelo menos devia seguir o conselho de Vonnegut e ser mais cuidadoso com o que finge ser.

 

Fonte: CRG, 365 Forte.

Jornalismo da treta

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Não entendo mesmo esta pressa parola dos “jornaleiros” de agora darem as notícias de qualquer maneira, sem confirmação, na ânsia de serem os primeiros. Ontem ouvi (e vi no sticker, em rodapé) um canal de televisão afirmar que a avioneta tinha morto uma mulher na casa dos trinta anos e a sua filha de dez na praia.

Mais tarde corrigiram o erro, tanto quando ao sexo e idade do adulto como à idade da criança falecida, e ao facto de ambos não terem qualquer relação de parentesco. Mas o que é que esta gente tem na cabeça?

E como ficaram as pessoas que tinham familiares naquela praia com essas idades e relação de parentesco?

É isto o tal jornalismo responsável? Mas o pessoal parece que gosta…

Jornalista profissional

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Se eu fosse jornalista profissional gostaria de ser informado de forma profissional e objectiva, para poder fazer a devida mediação aos meus leitores/ouvintes, como me competiria.

Se eu fosse jornalista profissional não gostaria de andar aos empurrões com os colegas, à molhada, numa espécie de concurso para fazer perguntinhas soltas a um responsável, no meio da confusão duma catástrofe.

Se eu fosse jornalista profissional não gostaria de me comportar como artista de circo que está a dar espectáculo, mas quereria apagar-me, porque eu em caso algum seria a notícia.

Se eu fosse jornalista profissional tentaria, em todo o caso, separar a informação do entretenimento, do espectáculo e da pornografia emocional.

E se em Tancos…

 

… não tivesse havido, nem assalto, nem roubo nem furto?

(divagações de um cidadão, num domingo invernoso em pleno verão)

 

Texto de Rodrigo Sousa e Castro

Deixemos o pequeno buraco na rede da cerca do quartel e o arrombamento sem violência da porta do paiol como peças para finalizarmos o puzzle que nos “atormenta”.

1 – Todo o material em falta é material perecível, isto é, não existe uma única espingarda, metralhadora, revólver canhão ou lança mísseis no rol das faltas. Nem sequer um cinturão ou qualquer outra peça do fardamento e equipamento.

Por outras palavras, e clarificando, perecível quer dizer que todo este material em falta, era e sempre foi usado em exercícios militares de rotina ou imprevistos e gasto ali mesmo devendo em bom rigor ser abatido à carga, do paiol ou armazém onde foi requisitado logo após cada exercício.

Era esta prática corrente e usual na tropa do meu tempo. Mas também havia graduados , oficiais, que muitas vezes passavam por cima das dotações estipuladas para cada exercício e descartavam os “ resmungos” dos subordinados responsáveis pelo municiamento abusivo extra, com dichotes e palavrões. O resultado era, quem tinha requisitado o material excedido no exercício não o abater e depois, raciocínio comum à época, “logo se veria”.

2 – Para esclarecer cabalmente a natureza “perecível” do material em falta é necessário desmitificar a forma ignorante com que muitos, e até alguns experts, quer em jornais quer nas TV´s, induziram na população, a ideia que o material em falta incluía armamento e mais grave mísseis. 

Desmontemos pois esta cabala para podermos prosseguir.

a ) Da lista oficial de faltas consta uma munição, impropriamente chamada pelos tais experts, de lança míssil ou míssil, mas que se resume a uma granada anti tanque, lançada de um tubo articulado que após o lançamento é descartável e não reutilizável , tal como acontece com o cartucho que contém a pólvora que provoca a saída duma bala.
Tão simples como isto.

Na verdade é uma arma que só pode ser utilizada uma vez , tal como qualquer granada.

Para quem se interessa por estas coisas trata-se de um filhote dos panzerfaust nazis, que até uma criança podia lançar.

Acresce que esta arma, cuja sigla é LAW ( Lhigt anti-armor weapon) foi retirada do serviço em 1983, portanto há TRINTA E QUATRO ANOS e o seu fabrico descontinuado como agora se diz. Com o ridículo alcance de 200 metros e sem sistemas de guiamento autónomos foi naturalmente substituída por misseis de muito maior alcance , guiados por fio ou wireless através de lançadores esses sim, sistemas não descartáveis e de grande valor bélico e financeiro , como o míssil TOW ou o MILAN.

Presumo até que se alguém quisesse negociar no mercado internacional esta arma, não só não teria êxito, como seria alvo de chacota, incluindo dos rapazes do DAESH que estão armados até aos dentes com o armamento mais moderno que há.

Estando em uso no Exército anos e anos a fio fácil é admitir que toda a gente se estaria ca….. como se diz na gíria militar para o seu consumo excessivo e para o acerto das cargas.

b) Todos os outros materiais em falta eram e são obviamente utilizados e consumidos integralmente em exercícios de treino.

3 – Antes de fechar o puzzle uma pergunta que julgo ser a pertinente face ao acontecimento:

– Se havia paióis na zona, vizinhos do “violado”, com certeza com armas sofisticadas, incluindo os tais misseis TOW e MILAN, além de armamento de infantaria pelo menos com valor militar actual, porque foram os hipotéticos assaltantes abrir a porta do paiol com fraco valor.

Não é por acaso que o comentário do secretário geral da NATO a este desaparecimento de material foi a consideração da sua irrelevância.

4 – Acabemos agora o puzzle juntando as ridículas circunstância do pseudo roubo. O buraco na rede e o arrombamento discreto.

Coisa fácil de fazer para quem, acossado pela iminência da entrega do espólio e da prestação de contas das existências tenha sido impelido a optar pela diversão naif.

Boa sorte aos investigadores da PJ e PJM.

Um bom domingo para todos os meus amigos do FB.

 

Fonte: Das Culturas, via Facebook do autor.