Adoradores de ossos

Segundo João César das Neves, no Diário de Notícias: “Visitar uma livraria é ver a profusão de volumes sobre o tema, dos disparatados aos eruditos. (…) após dois mil anos, Jesus é um best-seller. Já lhe arranjaram uma filha (O Código da Vinci, Doubleday 2003) e fizeram cúmplice de Judas (National Geographic Society, Abril 2006). Agora até descobriram um túmulo com os seus ossos por ressuscitar (Discovery Channel, Março 2007)”. Está na moda escrever e publicar matérias sobre o Cristianismo, em especial na óptica de o atacar, julgando os seus detractores que assim destruirão a fé dos que crêem. Esforço vão. Os crentes no Deus da Bíblia jamais cederão à chantagem, à manipulação histórica ou à tentativa de abalar os alicerces da fé que professam, pela simples razão de que esta é de ordem sobrenatural, não se estribando apenas na razão. Acresce que, para ajudar à festa, essas tentativas, muitas das vezes, não são realmente sérias, mas apenas especulativas e desprovidas de fundamentação científica séria.

Desta vez, o editor da revista Biblical Archeology Review, Herschel Shanks, declarou à imprensa que tinha sido descoberto o primeiro testemunho arqueológico de Jesus. Trata-se de uma inscrição encontrada num antigo ossário (caixa de pedra calcária onde são guardados os ossos de uma pessoa), mas que tem causado cepticismo entre os especialistas.
Os dizeres “Tiago, filho de José, irmão de Jesus” estão gravados em aramaico na urna, supostamente encontrada em Jerusalém, e datada do 1º. século, segundo o paleógrafo André Lemaire.
 

Testemunho histórico

A menção mais antiga de Jesus, evocado sobretudo pelo historiador romano Flávio Josefo, remontava até agora a um fragmento em grego do evangelho de São João, escrito em papiro por volta do ano 125.
Só que o próprio autor do estudo é menos categórico que o editor em relação à descoberta. Lemaire afirma que “não se pode estar cem por cento seguro” de que a inscrição se refira a Jesus de Nazaré e a Tiago.
Mas diversos historiadores e epígrafos expressaram dúvidas sobre a descoberta e a sua interpretação, afirmando que Jesus era pouco conhecido na região até os anos 70, data na qual teria sido feita a inscrição.
Segundo Emile Puech, da Escola Bíblica e Arqueológica francesa de Jerusalém: “trata-se de uma extrapolação”. A justaposição de três nomes é rara mas não única, nada prova que se trate de pessoas muito conhecidas a menos que Tiago seja o filho de José e Maria.
Outros especialistas lamentaram que o ossário não tivesse sido extraído de um sítio arqueológico mas que foi apresentado por um coleccionador que reside em Israel e que prefere não ter o nome divulgado.

Primos ou irmãos? O anúncio talvez volte a abrir o debate entre os cristãos sobre a família de Jesus, pois a expressão “irmão” tem vários sentidos nas línguas semíticas. A tradição protestante considera que Jesus tinha irmãos e irmãs, entre eles Tiago, da mesma mãe e do mesmo pai. Já a tradição ortodoxa considera Tiago um meio-irmão e os católicos preferem usar a palavra “primos”. Segundo o director da Autoridade Israelita das Antiguidades, Shuka Dorfman, a inscrição é falsa. “O ossário é real, mas a inscrição é falsa (…) alguém pegou uma urna verdadeira e forjou a inscrição, provavelmente para lhe conferir significado religioso”, disse.O arqueólogo Gideon Avni, que presidiu o comité de especialistas que investigou o caso, afirma que a conclusão da equipe foi unânime: “mesmo que o ossário seja autêntico, não há razão para assumir que os ossos do irmão de Jesus tivessem estado nele”. Além disso, a equipe concluiu que a pedra com que a urna foi construída era mais comum no Chipre e no norte da Síria do que em Israel. Além do mais, a inscrição no ossário rompeu a camada de oxidação(envelhecimento natural da pedra), além de parecer caracteres modernos, escritos por quem tentou reproduzir o antigo aramaico.O que mais importa Os cristãos adoram um Cristo vivo, que não é mero objecto de culto ritual, mas uma presença real e visível nas suas vidas. O Cristo Ressuscitado. Os cristãos bíblicos não são adoradores de ossos. Voltando a João César das Neves: “O mais notável nestas investigações sobre o ‘Jesus histórico’ é a falta de lógica. Ninguém parece notar que, se Cristo não é Deus, então não passa de um carpinteiro meio maluco cujos ossos ou descendentes não interessam. Jesus só importa se for o filho de Deus. E nesse caso, o que merece atenção é, não os pormenores, mas a Sua presença e palavra, que mudam radicalmente a minha vida.” BL

Soundbits

Segundo relatório da OMS hoje divulgado, o ruído mata mais na Europa do que a poluição do ar.

Palpita-me que os ambientalistas não tenham ficado lá muito satisfeitos com as conclusões da pesquisa, mas gostaria que o estudo tivesse levado em consideração as nossas campanhas eleitorais, particularmente em locais específicos como a Madeira e Gondomar, as discussões sobre o novo aeroporto de Lisboa ou as sessões de hemiciclo na Assembleia da República.

Ou estamos todos a ficar surdos, dado o excesso de ruído de fundo, ou já nos habituámos à confusão.

A costela bloquista de Marques Mendes

O líder do PSD terá insinuado, durante um jantar de campanha do candidato Fernando Negrão, que o arquitecto Manuel Salgado, segundo nome da lista socialista às eleições para a Câmara da capital, teria interesses imobiliários nos terrenos do aeroporto de Lisboa.Como é normal, António Costa vem agora exigir que Marques Mendes prove a insinuação, apelando a uma prática de responsabilidade na vida política.

Manuel Salgado já negou que ele ou a família tenham algum interesse ligado ao tema, justificando o ataque com uma atitude de desespero do adversário político.

Quando os concorrentes internos começam a colocar a cabeça de fora, pressentindo o desastre lisboeta, Mendes radicaliza o discurso. Só que há afirmações que não se coadunam com quem aspira vir a ser primeiro-ministro de Portugal, e que podem virar-se contra quem as faz.

Conta pelos dedos…

Paulo Nogueira, na revista Única (“Expresso”) de ontem, em artigo a propósito da presente data especial (07/07/2007), intitulado “Sete, um número mágico”, começa por enumerar várias aplicações deste número especial, entre elas as 7 pragas do Egipto. Só que as pragas do Egipto não são sete, mas dez.

É o que dá a ignorância encartada de muitos dos nossos escribas, que no tocante à Bíblia e ao cristianismo falam de cátedra, normalmente em tom irónico e escarnecedor, como no dito artigo.

Portas há muitas!

Há portas que sugerem entrada, outras saída. Portas que incluem, chamam, atraem. Outras excluem, afastam e marginalizam.
As portas da vida geralmente servem para entrar ou para sair.
Jesus de Nazaré apresentou-se sempre como porta inclusiva (“Eu sou a porta”):
“Quem vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora”. Ao contrário de alguns que falam em seu nome, mas que rotulam, excluem e marginalizam seres humanos seus iguais.

“Alegrai-vos porque já achei a minha ovelha perdida” (Lc 15:6); “Ovelhas perdidas foram o meu povo, esqueceram-se do lugar do seu repouso” (Jr 50:6).

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