Mais pobres e menos solidários

A solidariedade enquanto desígnio social não passa de uma utopia. As ideologias do “homem novo”, a construir por via político-administrativa, resultaram em fracassos históricos por demais conhecidos e, depois de tudo, talvez nunca tenha havido tanta falta de coesão social como hoje, não só entre as camadas sociais como entre os povos e nações.
Veja-se o caso africano, por exemplo. A emigração clandestina do Magreb e África negra constitui um fenómeno com o qual a Europa ainda não aprendeu a lidar, e que é preocupante.
Mesmo no nosso país, o fosso entre classes sociais tem-se vindo a agravar, em especial desde o ano 2000, após um período mais favorável antes da chegada do Euro.
Segundo o Jornal de Negócios, e de acordo com números de 2005 divulgados pelo Eurostat, os 20 por cento de portugueses mais abastados têm salários 8,2 por cento superiores aos 20 por cento mais pobres. Comparando com outros países da Europa a 15, Portugal aparece com um fosso quase duas vezes superior, dado que a média europeia está abaixo dos cinco por cento, com Portugal a ser um dos três países onde a luta contra as desigualdades recuou.
Dados avançados pela Comissão de Mercado de Valores Mobiliários mostram que os ordenados dos presidentes dos Conselhos de Administração das empresas do PSI-20 mais do que triplicaram entre 2000 e 2005. Os vencimentos dos administradores foram, em média, 33 vezes superiores aos dos trabalhadores tendo crescido nove por cento entre 2005 e 2006 por comparação com os dos restantes funcionários com aumentos não acima dos cinco por cento.
A recessão e o fraco crescimento subsequente, assim como o agravamento do desemprego na Europa podem explicar em parte a situação, mas a verdade é que, em matéria de relações sociais, ninguém é voluntariamente “bonzinho”, e no plano internacional, como dizia o general De Gaulle, os países não têm amigos, têm interesses. Neste aspecto Marx tinha toda a razão. A sociedade não se torna solidária espontaneamente. Mas o tal “homem novo” tem que se construir a partir do interior, do coração. Creio que Marx, que teve princípios cristãos, acabou por seguir outra via por se ter desiludido com a hipocrisia religiosa, e a falência das igrejas cristãs em ligar o discurso à prática, persistindo no pecado de se aconchegarem quase sempre junto dos poderosos deste mundo.

B. L.

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A caminho da ditadura

Hugo Chavéz persiste no caminho para estabelecer na Venezuela uma ditadura pessoal. Agora quer ser eleito indefinidamente, ferindo assim um dos princípios sagrados da democracia e do regime republicano:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/070815_chavez_cj_ac.shtml

Lentamente vai estabelecndo a sua teia de cumplicidades. Primeiro com Fidel, depois com Evo Morales, na Bolívia, e agora, ao que parece, metido em trapalhadas com a liderança argentina (estória da mala com dinheiro e da primeira dama daquele país). Qualquer dia os Estados Unidos vão ter que se preocupar menos com o mundo longínquo e mais com o seu “quintal das traseiras”, que é como quem diz, a américa latina.

Família complicada…

Uma vez eu vi um tipo prestes a atirar-se de uma ponte e disse-lhe:

– Não faça isso!

– Ninguém me ama – respondeu.

– Deus ama-o. Você acredita em Deus?

– Acredito – disse ele.

– Você é cristão ou muçulmano?

– Cristão.

– Eu também! – respondi. – Protestante ou católico?

– Protestante.

– Eu também! De qual denominação?

– Baptista.

– Eu também! Baptista da Convenção Baptista do Norte ou Baptista da Convenção Baptista do Sul?

– Baptista da Convenção Baptista do Sul.

– Caramba, eu também! Baptista da Convenção Baptista Regular do Sul ou Baptista da Convenção Baptista Liberal do Sul?

– Baptista da Convenção Baptista Regular do Sul – disse ele.

– Eu também! Baptista da Convenção Baptista Regular Pioneira do Sul ou Baptista da Convenção Baptista Regular Geral do Sul?

– Baptista da Convenção Baptista Regular Pioneira do Sul.

– Eu também! Baptista da Convenção Baptista Regular Pioneira Profética do Sul ou Baptista da Convenção Baptista Regular da Unção Pioneira do Sul?

– Baptista da Convenção Baptista Regular da Unção Pioneira do Sul.

– Então morre, herege! – e empurrei o sujeito.

Fonte: Bacia das Almas.

“Não eu, mas Cristo é que é o Rei!”

A última actuação do “rei do rock and roll”, Elvis Presley, há 30 anos, aqui:

http://videos.sapo.pt/uab9Ad8vS004zihLTGQL

Morreu de overdose a 16 de Agosto de 1977, aos 42 anos de idade. Frases de Elvis, para reflexão:

– “Eu não teria chegado aonde cheguei se não fosse com a ajuda de Deus, pois sei que ele me guia cada passo.”

– “O dinheiro existe para ser espalhado, quanto mais felicidade ajudar a criar, mais valor tem.”

– “Quando não se está apaixonado, não se está vivo.”

– “Tudo o que os jovens precisam é de esperança e do sentimento de que pertencem a algo. Se eu pudesse fazer ou dizer alguma coisa que lhes desse este sentimento, acredito que contribuiria para algo no mundo.”

– “Sempre soube que deveria haver um propósito na minha vida. Senti sempre que alguém me guiava. Quero dizer, deve haver uma razão. Por que fui escolhido? Entre milhares de pessoas, porquê eu? Por que fui eu o escolhido para ser Elvis Presley. Tem que haver uma razão.”

– “Apenas sou uma pessoa que procura respostas.”

– “Acho que agora sei qual é a minha missão, levar alegria à vida de outras pessoas. As pessoas sofrem em todo lugar e cada dia piora. Não sou um pregador, sou um cantor. É o meu papel e eu gosto. Agradeço a Deus por ser o que sou. E quem sabe? Talvez exista algo mais para mim. Talvez Deus queira me usar para fazer grandes coisas. Sinto isso, espero que seja verdade.”

– “Agora compreendo algo sobre mim mesmo. Tenho a força do céu e do inferno em mim. Preciso aprender a equilibrá-las porque são perigosas. Tenho que saber me controlar.”

– ” Eu não sou Rei. Cristo é o Rei. Eu sou apenas um cantor.”

– “Coincidência é coisa que não existe. Há significado para tudo. Sempre soube que existe uma vida espiritual mas não da forma como as igrejas impõem, causando medo. Se os rapazes ouvirem o que estou a dizer vão achar que estou louco.”

– “Eu acho que a coisa mais importante na vida de uma pessoa é felicidade. Não coisas materiais como carro, dinheiro, casa, você pode ter tudo. Se não for feliz, o que é que tem?”

– “Se você odeia um outro ser humano por causa da raça, está a odiar parte de si mesmo.”

– “Todos em Hollywood tem medo de ser eles mesmos. Quando vim para cá pela primeira vez fui a uma festa. Todos agiam como se fossem os meus melhores amigos. Todo o lugar parece um set de filmagens e todos representam. É por isso que quando termino um filme salto fora logo. Volto para Memphis, ao menos é verdadeiro. Sempre lembro as palavras da minha mãe:’ Elvis, não esqueças o lugar de onde vieste. Quando fores famoso todos te amarão, todos vão querer algo, mas se fugires disso eles não te aborrecerão’. Juro por Deus, ninguém sabe como me sinto só, como me sinto vazio.”

Esta vida de marinheiro…

Segundo a Lusa, Portugal é já o décimo segundo país em número de utilizadores activos do Second Life (SL), um programa interactivo do ciberespaço, ou seja, um mundo virtual, uma espécie de mundo alternativo onde se podem fazer acontecer coisas, como lançar um livro, dar um concerto, fazer uma conferência ou visitar uma igreja.
Proporcionalmente à sua população real, numa comparação feita pela agência Lusa, Portugal é o segundo país com maior presença no SL, sendo ultrapassado apenas pela Holanda (nono lugar no «ranking», com 18 mil avatares activos).
A lista de países continua a ser liderada pelos Estados Unidos, com 26,5 por cento, seguidos da Alemanha, com 9,1 por cento. O Brasil (com 7,4 por cento, contra 4,8 em Maio) subiu de quinto para terceiro, ultrapassando o Reino Unido e a França, por efeito do lançamento da versão brasileira do SL, a primeira em língua não inglesa.
O recente lançamento do SL em japonês também fez subir o Japão, de nono para sexto lugar, com 5,5 por cento de todos os avatares activos.
Itália, Espanha, Holanda, Austrália e Canadá são os restantes países ainda à frente de Portugal, que supera já o número de utilizadores activos da Bélgica, México, Suíça, Suécia, China, Polónia, Dinamarca e Argentina.
O «top 100» inclui apenas mais um país de língua portuguesa, Angola, em 76º lugar, com 102 avatares activos.
Este «ranking» refere-se apenas aos cerca de 495 mil utilizadores do SL que estiveram no mundo virtual nos últimos sete dias de Junho, número que caiu 2,5 por cento relativamente a Maio. O número total de utilizadores registados no SL já vai a caminho dos nove milhões.
O que faz correr esta gente? A possibilidade de se mover num espaço e num tempo paralelos à realidade mas fora dela, sem grandes limites, e onde se pode dar largas à criatividade, assumir identidades (avatares) e condições pessoais diferentes e inatingíveis no mundo real.
Tudo demasiado parecido com os delírios psicóticos de que sofrem milhões de seres humanos, mentalmente perturbados. Uma coisa é sonhar acordado, outra é querer fechar-se num mundo virtual em resultado de uma espécie de fuga à dura realidade quotidiana. O lema do SL é “O seu mundo. A sua imaginação”.
Será que estamos a criar uma sociedade de fugitivos à realidade, isto é, uma sociedade de alienados?

B. L.

“Alegrai-vos porque já achei a minha ovelha perdida” (Lc 15:6).

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