Chaminé

“Chaminé” (Ericeira), de Ernesto Esteves.

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Homenzinhos

“O orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado parece grande
mas não é sadio”. (Santo Agostinho)

“Cada um considere os outros superiores a si mesmo”. (da Bíblia)


Há homens que, por mais que se ponham nos bicos dos pés, nunca chegam a ser grandes.
O padre António Vieira dizia que os homens eram como as espigas. Quanto mais cheias mais se curvam, em humildade, dado o peso (conteúdo), mas quanto mais ocas mais se levantam, em vaidade e soberba.
Vem isto a propósito dos homenzinhos, com letra pequena, que abundam por aí. Ainda recentemente uma respeitável instituição da cidade promoveu uma sessão solene comemorativa, e um homem muito pequeno não fez mais do que se colocar em bicos de pés, completamente a despropósito, brindando os presentes com um discurso de auto-glorificação, perfeitamente desenquadrado e idiota, a roçar a náusea (a ponto de provocar reacções de desagrado na assistência), e fazendo até pose para ficar em lugar de destaque nas fotografias, junto das individualidades, como se costuma dizer. Só que o homenzinho pequeno não era o presidente da instituição, o qual empurrou pateticamente para a fila de trás, como se fosse seu ajudante, dada a neurótica sede de palco de que padece. Como disse John Ruskin “Um homem envolto em si mesmo faz um pacote bem pequeno”.
Não resisto a recordar a fábula da rã que queria ser grande como o boi. A estratégia utilizada foi beber água, para parecer maior. E, de facto, durante algum tempo a rã pareceu bem maior do que era. Mas tanto bebeu que rebentou, coitada.
Digo daqui ao homenzinho pequeno: meu caro, quem já é grande não precisa de fingir que o é, elevando-se em bicos de pés, pondo-se à frente de quem merece de facto ser honrado, e elogiando-se a si mesmo. Lembre-se das palavras de Jesus, que você bem conhece, referindo os escribas e fariseus hipócritas: “amam os primeiros lugares nas ceias, e as primeiras cadeiras nas sinagogas”.
Você pode até parecer muito importante aos seus olhos, e achar que o mundo gira à sua volta (talvez alguns supostos amigos lhe vendam essa ilusão), mas a sua verdadeira dimensão como homem, digo-lhe eu, está ao nível de um minúsculo liliputiano. Uma espécie de mosca que o Guliver esmagaria com um simples gesto. Pense nisso.

O silêncio é de ouro

A directora da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), Margarida Moreira, considerou ontem que a decisão da ministra da tutela de arquivar o processo disciplinar instaurado pela sua direcção ao professor Fernando Charrua “foi bem tomada”.
O processo disciplinar instaurado a Fernando Charrua foi arquivado pela ministra da Educação, que decidiu não aplicar qualquer sanção ao professor por considerar que o comentário que fez à licenciatura do primeiro-ministro, José Sócrates, se enquadra no direito à opinião.
Se, na opinião da Directora da DREN, o arquivamento foi correcto, então porque criou ela um “Caso Charrua”, quando estava na sua mão evitá-lo? E porque vem ainda para os jornais prestar declarações quando devia era ficar calada e colocar o lugar à disposição?

Tem a quem sair…

O líder do grupo parlamentar do PSD-Madeira, Jaime Ramos, acusou o deputado do PCP Edgar Silva de ter «roubado» dinheiro das Igrejas, «nunca ter pago impostos», além de lhe ter chamando-lhe «desgraçado», «chulo da sociedade», «vadio» e «desempregado», insultos que surgiram na sequência da intervenção do ex-padre Edgar Silva, no âmbito da discussão sobre o projecto do PSD de alteração ao regime de incompatibilidades dos deputados regionais, mas só para entrar em vigor em 2011 e sem tocar no Estatuto Político-Administrativo.
Os insultos proferidos ontem na Assembleia Regional vão parar a Tribunal, já garantiu Edgar Silva.
Antigamente estas coisas resolviam-se à bengalada ou através de um duelo. Se calhar há qualquer coisa que me está a falhar, mas este senhor, Jaime Ramos, não devia estar preso há muito tempo?

“Alegrai-vos porque já achei a minha ovelha perdida” (Lc 15:6); “Ovelhas perdidas foram o meu povo, esqueceram-se do lugar do seu repouso” (Jr 50:6).

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